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Apesar de ter sido reduzida em algumas capitais, a taxa de homicídios do Brasil pouco mudou em oito anos e é a terceira maior da América do Sul, conforme relatório divulgado pela ONU. O secretário-executivo do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Renato Sérgio de Lima, avalia que os gastos com polícia e prisões têm aumentado, mas não se refletem na melhoria dos índices de violência.

O Estudo Global sobre Homicídio, do UNODC (Escritório das Nações Unidas para Drogas e Crime), destaca que a taxa de homicídios no Brasil se manteve na casa de 30 assassinatos intencionais para cada 100 mil habitantes, com poucas oscilações desde 2000. Em 2008 - último ano para o qual há dados - ela era de 29,9.

Para Lima, os resultados mostram falhas no sistema de segurança. "Temos algumas boas práticas sendo conduzidas no país, mas nosso modelo de segurança pública é completamente caótico". Um estudo que o Fórum está concluindo estima que, ao todo, o Brasil tenha gastado ao menos R$ 57 bilhões com policiamento e presídios em 2010, número que vem crescendo. "Gastamos muito com polícia e prisões, mas convivemos com violência policial, corrupção e pouca transparência", contesta o sociólogo e especialista em segurança.

Grandes capitais

A ONU, porém, destaca a redução dos homicídios em São Paulo como um modelo a ser seguido. "A experiência recente de São Paulo demonstra que há grandes possibilidades para a prevenção de crimes violentos e a redução no meio urbano", diz o texto do UNODC. No Estado, a taxa de assassinatos caiu de 20,8 a cada 100 mil habitantes em 2004 para 10,8 em 2009. Em 2010, o Estado anunciou que a taxa havia alcançado 10,47, a menor desde 1999.

Segundo Lima, a redução é resultado de programas de desarmamento e policiamento comunitário implantadas há mais de dez anos. Rio de Janeiro e Recife também tiveram reduções no último ano, que não foram consideradas nos dados da ONU.

O especialista alerta, porém, que estas experiências permanecem isoladas no País. "Na próxima semana, o Congresso discutirá o reajuste salarial a policiais, mas não coloca em pauta nenhuma mudança na concepção das polícias, não está em jogo que tipo de polícia nós queremos", pondera.


Fonte: Terra Magazine