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Desmilitarização das PMs - Desabafo!
José Glaudio Henrique Júnior - Parnamirim(RN) - 25/08/2008
Sou policial militar e sempre considero o tema da desmilitarização como algo sério. As polícias estaduais militarizadas desde a sua formação nem sempre levam consigo aquilo que deveria ser o benefício de uma educação militarizada. Muito pelo contrario, começam a conhecer a injustiça dentro de suas próprias instituições desde cedo, aprendendo que um superior hierárquico por mais errado que esteja não pode ser "observado" por seu subalterno, ou seja, no militarismo a hierarquia sobrepõe-se ao certo, e a critica exercida em favor da verdade(esta tão importante critica que leva ao aperfeiçoamento e correções de erros) é passível de punição..
Na formação, ou seja no curso de formação de soldados, o tratamento degradante é posto como ferramenta para a forja de obediência, na justificativa que as situações extremas levam o ser humano a gravar com mais força aquilo que quer ser ensinado. Discordo. O que me leva a discordar é que estes cursos de formação de soldados ensinam que a humilhação é parte da educação militar, o que vai de encontro a qualquer linha de pensamento amadurecida e evoluída. Um curso que ensina que ocupamos uma posição onde devemos aceitar a perseguição, a punição nem sempre justa, e esperar que todos os que passam por este tipo de formação desvalorativa exerçam com amor uma profissão que iniciou exercendo a humilhação? Os instrutores em primeiro lugar devem ser tratados como semideuses, não se pode discordar deles, e nem sempre há como gostar deles.. Não existe uma ponte entre o discente e o docente e isso não existe!! Não há aprendizados sem interação.
Deve-se pagar com respeito e reverência instrutores que humilham, perseguem, e que levam o limite do desrespeito ao extremo..isso gera respeito? Não, gera repulsa, desprezo, revolta, por mais que isso não venha a superfície pelos controles institucionais.
Um aluno de um CFSD deve ser humilhado para tratar com respeito os cidadãos que dependem de seu trabalho? Que tipo de educação humilha com a finalidade de ensinar o respeito? Apenas a educação militar, porque esta não evoluiu.. O mundo evoluiu, as ciências exatas ou não tiveram seu ganho, seu crescimento, a educação escolar assimilou este crescimento, reconhecendo as reais necessidades, abordando linhas teóricas que levam a sério o papel do aluno e do educador, e do como o ambiente de formação irá determinar as tendências de futuras práticas.. Mas o militarismo está estagnado, não sabe o que é construtivismo, apenas sabe que a regra da educação é o exercício da injustiça e que sua aceitação é de fundamental importância para se formar uma tropa que não questiona, que não denuncia, porque tem na memória que isto gera punição e não trás benefício algum.. Uma tropa de policiais militares que aceita uma formação como esta tende a se fechar para o mundo, e aceitar que sua instituição é injusta com seus membros e sempre vai ser assim, autoritária, punitiva, e não há como melhora-la.
Durante as instruções a tensão e o stress são a nota tônica diária em um CFSD. Como alguém pode aprender ou se interessar pelo aprendizado se nem sempre vê com real respeito o seu instrutor? Se está mais preocupado em não ser humilhado do que em aprender(aprender não seria a razão fundamental de um curso de formação?), se não pode questionar para construir um conhecimento junto com o seu instrutor como ocorre em universidade, escolas, instituições sérias?
Não são poucos os instrutores de que recordo que faziam do ambiente de aprendizado uma passarela da vaidade comum aos graduados e oficiais, onde eles deveriam ser temidos, louvados e temidos mais uma vez, deixando a síndrome do pequeno poder escapar, a olho nu, pelos poros. O que um ambiente deste forma? Tenho certeza que não forma pessoas que reconhecem o respeito advindo de uma boa relação como algo importante na prática diária. A qualidade do conteúdo ensinado é questionável. Empresas de segurança privada as vezes prezam mais pela formação do que algumas unidades militares. Instrutores despreparados que exercem o cargo apenas pelo fato de serem graduados (cabos ou sargentos) e oficiais e que ao menor sinal de exteriorização da atenção e da compreensão de um aluno repreendem sem razão, humilham, apenas para deixar claro a cada segundo que eles são semideuses, e que não podem ser questionados. O que estão ensinado? Estão ensinando a intolerância, e nada mais. Quem irá descobrir isso? O cidadão que irá constatar que uma formação deixa seus reflexos. Pessoas que exercem seus problemas de personalidade me pleno vapor porque são graduados e oficiais. Fazem de sua loucura a regra, e da justiça um favor que deve acontecer raramente, nos moldes de Maquiavel.
Conteúdo para aprendizado não falta. A policia brasileira e as demais policias do mundo acumularam conhecimento pratico e teórico para alimentar um curso de formação em três turnos diários, mas (absurdo!!) até o acesso a estes saberes é posto como privilégio? Sabe qual é o único modelo educacional onde isto acontece? NO MILITARISMO.. O saber é hermetizado, não deve ser de todos, para que se torne símbolo de STATUS..E quem realmente necessita do conhecimento para não cometer erros fica a ver navios.. Há cursos onde o tiro prático é mínimo, e sabe o que os comandantes que são responsáveis por este s cursos dizem? Que houve instrução, instrução suficiente(dizem isto porque sua competência como comandante está em cheque se der outra resposta, e a mentira e conivência mantém sua reputação inabalada) e que se um policial erra, deve ser punido, deve ser expulso da PM, que é um bandido, e que ele(o comandante) com prazer irá exercer a justiça nos casos de erro.. A justiça, oferecida em doses miseráveis e duvidosas. Existem centros de excelência na formação policial? Sim, existem. Mas estes não devem ser tratados como regra, porque a maioria não é. Já foi pior? Isso não justifica o impedimento de melhoras. Quando Sun Tzu fala da importância do treinamento e de como o suor derramado nele poupara a vida no futuro, este suor é interpretado apenas como TFM sem repouso(repouso, tão importante quanto o exercício, vide Fadiga em combate, de Heitor Freire de Abreu). Não há conteúdo suficiente no currículo dos instrutores para que haja outra instrução?
Mas o que dizem os Oficiais? Que existe formação, e formação suficiente. Uma mentira. Dizem isso para não parecerem incompetentes, para não perderem favores políticos.. Se omitir, se corromper ou ir para a guerra? Isto é cinema? De onde vem o exemplo de corrupção dentro de nossas instituições? Quem vende o controle do rebanho a um telefonema de um vereador, e que para receber favores diz que o certo está errado e que o errado está certo? Sim há corrupção na policia, porque não há como ela estar dentro da sociedade brasileira e não herdar dela algumas características. A policia do Brasil é composta de brasileiros, por mais que os brasileiros finjam que não. As ciladas jurídicas e o exercício do preconceito contra policiais que trabalham em uma situação de guerra em tempos de paz fazem que logo cedo se entenda que o que se lê como omissão é na verdade a posição mais segura diante do sistema que oferece a cabeça de um policial como Herodes ofereceu a de João Batista diante da dança cheia de promessas de uma puta.E temos muitas putas para isso.E quando estas faltam,seus filhos dão conta do recado. E o que dizem os oficiais a respeito da desmilitarização? A mesma coisa que diziam os senhores de escravos sobre a abolição. Que é necessário controlar. Que este é o único meio de controlar. Alardam revoltas, indisciplinas, e casos onde o militarismo é a única resposta. E quando a revolta é fruto do militarismo? E quando a indisciplina é a voz de um ser humano que não consegue conter dentro de si o asco que tem diante das injustiças? Oficiais não querem perder o rebanho de escravos puníveis que tem a sua disposição. Mas querem saber? Eles irão perder. Não sei quantos João Batistas decapitados e esquecidos serão necessários para profetizar isso. Mas irão perder sim.
Sabe qual foi a justificativa dos Oficiais da marinha sobre o uso da chibata que culminou com o episódio "revolta da chibata"? Que a chibata era o único meio de controle e disciplina viável para as coisas funcionarem. Mas sabe o que é mais forte do que isso? É o contagio do NÃO a injustiça. Dizer não a injustiça por mais cheirosa, bem vestida e apresentável que ela seja. Sei que os relatórios que se fazem contra a desmilitarização são entregues por pessoas assim nas mãos de políticos, e os políticos olham e pensam: "bem se um homem tão decente, apresentável, insignado, apresenta números tão horríveis sobre Inquéritos administrativos, ele deve estar certo: o militarismo é o único controle viável." Talvez se os deputados e senadores conhecessem a metade das historias de injustiça e perseguição que o mais recruta dos soldados conhece, talvez se nos mudássemos a condição de narrativa discreta sobre o que ocorre dentro de nossas instituições, como um folclore maldito, que ensina como um mito grego verdades mentirosas, que perpetuam a viabilidade da injustiça, talvez se narrássemos e dermos voz aos absurdos, os homens bem vestidos, cheirosos, respeitosos, que entregam relatórios que desacreditam na viabilidade da desmilitarização fossem questionados, e a voz neste momento considerada insurgente de "God save the queen,Her fascist regime;It made you a moron,A potential H bomb" fosse ouvida de alguma forma.Porque algumas unidades militares no brasil são o que restou do fascismo, aquartelado, maquiado. E só.
Pompeu Bezerra de Mello
SD PM/RN
Na formação, ou seja no curso de formação de soldados, o tratamento degradante é posto como ferramenta para a forja de obediência, na justificativa que as situações extremas levam o ser humano a gravar com mais força aquilo que quer ser ensinado. Discordo. O que me leva a discordar é que estes cursos de formação de soldados ensinam que a humilhação é parte da educação militar, o que vai de encontro a qualquer linha de pensamento amadurecida e evoluída. Um curso que ensina que ocupamos uma posição onde devemos aceitar a perseguição, a punição nem sempre justa, e esperar que todos os que passam por este tipo de formação desvalorativa exerçam com amor uma profissão que iniciou exercendo a humilhação? Os instrutores em primeiro lugar devem ser tratados como semideuses, não se pode discordar deles, e nem sempre há como gostar deles.. Não existe uma ponte entre o discente e o docente e isso não existe!! Não há aprendizados sem interação.
Deve-se pagar com respeito e reverência instrutores que humilham, perseguem, e que levam o limite do desrespeito ao extremo..isso gera respeito? Não, gera repulsa, desprezo, revolta, por mais que isso não venha a superfície pelos controles institucionais.
Um aluno de um CFSD deve ser humilhado para tratar com respeito os cidadãos que dependem de seu trabalho? Que tipo de educação humilha com a finalidade de ensinar o respeito? Apenas a educação militar, porque esta não evoluiu.. O mundo evoluiu, as ciências exatas ou não tiveram seu ganho, seu crescimento, a educação escolar assimilou este crescimento, reconhecendo as reais necessidades, abordando linhas teóricas que levam a sério o papel do aluno e do educador, e do como o ambiente de formação irá determinar as tendências de futuras práticas.. Mas o militarismo está estagnado, não sabe o que é construtivismo, apenas sabe que a regra da educação é o exercício da injustiça e que sua aceitação é de fundamental importância para se formar uma tropa que não questiona, que não denuncia, porque tem na memória que isto gera punição e não trás benefício algum.. Uma tropa de policiais militares que aceita uma formação como esta tende a se fechar para o mundo, e aceitar que sua instituição é injusta com seus membros e sempre vai ser assim, autoritária, punitiva, e não há como melhora-la.
Durante as instruções a tensão e o stress são a nota tônica diária em um CFSD. Como alguém pode aprender ou se interessar pelo aprendizado se nem sempre vê com real respeito o seu instrutor? Se está mais preocupado em não ser humilhado do que em aprender(aprender não seria a razão fundamental de um curso de formação?), se não pode questionar para construir um conhecimento junto com o seu instrutor como ocorre em universidade, escolas, instituições sérias?
Não são poucos os instrutores de que recordo que faziam do ambiente de aprendizado uma passarela da vaidade comum aos graduados e oficiais, onde eles deveriam ser temidos, louvados e temidos mais uma vez, deixando a síndrome do pequeno poder escapar, a olho nu, pelos poros. O que um ambiente deste forma? Tenho certeza que não forma pessoas que reconhecem o respeito advindo de uma boa relação como algo importante na prática diária. A qualidade do conteúdo ensinado é questionável. Empresas de segurança privada as vezes prezam mais pela formação do que algumas unidades militares. Instrutores despreparados que exercem o cargo apenas pelo fato de serem graduados (cabos ou sargentos) e oficiais e que ao menor sinal de exteriorização da atenção e da compreensão de um aluno repreendem sem razão, humilham, apenas para deixar claro a cada segundo que eles são semideuses, e que não podem ser questionados. O que estão ensinado? Estão ensinando a intolerância, e nada mais. Quem irá descobrir isso? O cidadão que irá constatar que uma formação deixa seus reflexos. Pessoas que exercem seus problemas de personalidade me pleno vapor porque são graduados e oficiais. Fazem de sua loucura a regra, e da justiça um favor que deve acontecer raramente, nos moldes de Maquiavel.
Conteúdo para aprendizado não falta. A policia brasileira e as demais policias do mundo acumularam conhecimento pratico e teórico para alimentar um curso de formação em três turnos diários, mas (absurdo!!) até o acesso a estes saberes é posto como privilégio? Sabe qual é o único modelo educacional onde isto acontece? NO MILITARISMO.. O saber é hermetizado, não deve ser de todos, para que se torne símbolo de STATUS..E quem realmente necessita do conhecimento para não cometer erros fica a ver navios.. Há cursos onde o tiro prático é mínimo, e sabe o que os comandantes que são responsáveis por este s cursos dizem? Que houve instrução, instrução suficiente(dizem isto porque sua competência como comandante está em cheque se der outra resposta, e a mentira e conivência mantém sua reputação inabalada) e que se um policial erra, deve ser punido, deve ser expulso da PM, que é um bandido, e que ele(o comandante) com prazer irá exercer a justiça nos casos de erro.. A justiça, oferecida em doses miseráveis e duvidosas. Existem centros de excelência na formação policial? Sim, existem. Mas estes não devem ser tratados como regra, porque a maioria não é. Já foi pior? Isso não justifica o impedimento de melhoras. Quando Sun Tzu fala da importância do treinamento e de como o suor derramado nele poupara a vida no futuro, este suor é interpretado apenas como TFM sem repouso(repouso, tão importante quanto o exercício, vide Fadiga em combate, de Heitor Freire de Abreu). Não há conteúdo suficiente no currículo dos instrutores para que haja outra instrução?
Mas o que dizem os Oficiais? Que existe formação, e formação suficiente. Uma mentira. Dizem isso para não parecerem incompetentes, para não perderem favores políticos.. Se omitir, se corromper ou ir para a guerra? Isto é cinema? De onde vem o exemplo de corrupção dentro de nossas instituições? Quem vende o controle do rebanho a um telefonema de um vereador, e que para receber favores diz que o certo está errado e que o errado está certo? Sim há corrupção na policia, porque não há como ela estar dentro da sociedade brasileira e não herdar dela algumas características. A policia do Brasil é composta de brasileiros, por mais que os brasileiros finjam que não. As ciladas jurídicas e o exercício do preconceito contra policiais que trabalham em uma situação de guerra em tempos de paz fazem que logo cedo se entenda que o que se lê como omissão é na verdade a posição mais segura diante do sistema que oferece a cabeça de um policial como Herodes ofereceu a de João Batista diante da dança cheia de promessas de uma puta.E temos muitas putas para isso.E quando estas faltam,seus filhos dão conta do recado. E o que dizem os oficiais a respeito da desmilitarização? A mesma coisa que diziam os senhores de escravos sobre a abolição. Que é necessário controlar. Que este é o único meio de controlar. Alardam revoltas, indisciplinas, e casos onde o militarismo é a única resposta. E quando a revolta é fruto do militarismo? E quando a indisciplina é a voz de um ser humano que não consegue conter dentro de si o asco que tem diante das injustiças? Oficiais não querem perder o rebanho de escravos puníveis que tem a sua disposição. Mas querem saber? Eles irão perder. Não sei quantos João Batistas decapitados e esquecidos serão necessários para profetizar isso. Mas irão perder sim.
Sabe qual foi a justificativa dos Oficiais da marinha sobre o uso da chibata que culminou com o episódio "revolta da chibata"? Que a chibata era o único meio de controle e disciplina viável para as coisas funcionarem. Mas sabe o que é mais forte do que isso? É o contagio do NÃO a injustiça. Dizer não a injustiça por mais cheirosa, bem vestida e apresentável que ela seja. Sei que os relatórios que se fazem contra a desmilitarização são entregues por pessoas assim nas mãos de políticos, e os políticos olham e pensam: "bem se um homem tão decente, apresentável, insignado, apresenta números tão horríveis sobre Inquéritos administrativos, ele deve estar certo: o militarismo é o único controle viável." Talvez se os deputados e senadores conhecessem a metade das historias de injustiça e perseguição que o mais recruta dos soldados conhece, talvez se nos mudássemos a condição de narrativa discreta sobre o que ocorre dentro de nossas instituições, como um folclore maldito, que ensina como um mito grego verdades mentirosas, que perpetuam a viabilidade da injustiça, talvez se narrássemos e dermos voz aos absurdos, os homens bem vestidos, cheirosos, respeitosos, que entregam relatórios que desacreditam na viabilidade da desmilitarização fossem questionados, e a voz neste momento considerada insurgente de "God save the queen,Her fascist regime;It made you a moron,A potential H bomb" fosse ouvida de alguma forma.Porque algumas unidades militares no brasil são o que restou do fascismo, aquartelado, maquiado. E só.
Pompeu Bezerra de Mello
SD PM/RN
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Expresso meu apoio total e irrestrito à sua luta contra o militarismo. Ao "formar" um policial na base da violência, da humilhação e do desrespeito, devem as autoridades esperar o mesmo tratamento desse policial em relação ao cidadão.
A sociedade e a imprensa que tanto cobram a observância dos Direitos humanos precisam entender que só conseguirão esse objetivo quando os policiais forem formados com o mesmo respeito que devem ter pelo cidadão. Isso deve ser exaustivamente cobrado pela imprensa e pela sociedade que até agora têm se omitido nesse ponto.
Quando se fala em corrupção, associa-se à polícia. Entendo absurda, injusta e discriminatória essa associação. A Polícia é nossa instituição mais transparente e cobrada. Em nenhuma outra os desvios são tão passíveis de punição e as condutas são tão fiscalizadas. Essa fiscalização e cobrança deveria ocorrer também no Judiciário, Ministério Público e, na Polícia, deveria também se estender à cúpula.
Observação que faço é que, por mais indignados que estejamos, por mais que nos abrace a razão, devemos ter cuidado ao fazer nossas críticas e denúncias. Devem sempre ser feitas, mas com precisão, evitando-se os ataques genéricos - que geram injustiças - e, principalmente, fundamentadas e acompanhadas de provas. Como policiais sabemos que, muitos crimes e criminosos, não temos como reprimir por falta de provas materiais, embora saibamos que existam. Em relação à instituição esse cuidado deve ser redobrado a fim de não manchar indevidamente o nome daqueles que, independente do cargo que ocupam, zelam pela instituição e pela sociedade.
Um grande abraço.
Considero muito pertinente o seu comentário, com certeza a sociedade deve ficar sabendo o que se passa nas academias das polícias militares e como seus homens são tratados pela instituição! Infelizmente fica muito dificil prestar um bom serviço para a sociedade dessa forma.
Hoje em dia o que mais se falar é a formação de "Policiais cidadãos" dando enfase nos direitos humanos e etc, isso tudo para maquiar um problema que, pelo jeito, nenhuma autoridade competênte tem interesse de resolver! O militarismo das instituições policiais interessam, sobretudo, as classes dominadoras, principalmente a classe política, dando continuidade aos verdadeiros "coronés" dos tempos de lampião, que faziam uso dessa mesma polícia, que hoje está nas ruas dando segurança aos cidadãos, da forma que lhes fosse conveniente, dominando e repreendendo as classes menos favorecidas! É um modelo ultrapassado e arcaico mas que continua servindo aos interesses de alguns, menos da sociedade!
Um abraço
Um abraço
Ser militar não significa ser violento ou ignorante, e o policial militar aqui em nosso Estado é formado com profissionalismo e respeito.
Na PM de São Paulo não só respeitamos como estudamos os Direitos Humanos a fundo, é uma matéria transversal e interdisciplinar em todos os nossos cursos.
Sou Capitão e entrei na PM como Soldado, e minha experiência com o militarismo é completamente diferente do autor do texto. Minha Corporação prima pela legalidade, hierarquia e a disciplina, com profissionalismo acima de tudo.
É do conhecimentos de todos que a PMESP é um caso a parte em relação às PMs dos outros estados. Pode-se dizer que a PMESP é um modelo a ser seguido em muitos aspectos.
Para o Sr. ter idéia, aqui no RN um soldado passa 20 anos para ser promovido a Cabo! Concursos internos é uma raridade.... as promoções só funcionam para os oficiais! Se o Sr. pesquisar sobre o assunto vai ver que isso é uma realidade em quase todas as Polícias Militares do país, bem como a realidade mostrada no desabafo!
ACREDITO QUE COMO TUDO NO MUNDO. AS POLICIAS MILITARES DO BRASIL. TAMBÉM DEVEM EVOLUIR.
EXISTEM SUPERIORES QUE DISFARÇAM A DITURADA DE MILITARISMO EXCESSIVO. E ISSO ATRASA EM MUITO A EVOLUÇÃO DAS POLICIAS MILITARES.
PARA MUITO O PENSAMENTO É DE QUE É MAIS FÁCIL UMA PM CASTRADA !!!!
Quanto à sentença comentada, a frase "a punição tem que ser igual" não tem velor algum, pois as penas devem ser individualizadas, de acordo com a ação de cada pessoa dentro de uma ocorrência. No caso específico, fazer um juízo de valores de quem deveria ou não ser condenado e com qual pena, simplesmente considerando se é Oficial ou Praça, é uma aberração, ou, para ser mais brando, só mais um exemplo de "achismo".
Num fórum com o nível deste a que participamos eu acredito que não seria o argumento mais aceitável, me desculpe a sinceridade.
A lei não acabou com o posto de 2º Tenente, houve apenas um remanejamento de vagas, entre Oficiais e Praças, inclusive no Quadro Auxiliar.
Conduzir uma organização sob o conceito de Gestão de Pessoas é desenvolver mecanismos, dentro do contexto em que aquela se encontra, capazes de tecer relações e direcionar a vontade do público interno e externo para os objetivos da organização; trata-se de elemento de vantagem competitiva, essencial para a organização ter êxito em seu meio ambiente.
As pessoas no mundo das organizações precisam ser percebidas como gente!Não são objetos voltados para a execução mecânica de ordens ou processamento de informações, mas sim seres com uma capacidade ímpar na vida, a de criar coisas! Toda e qualquer decisão humana tem a emoção como elemento propulsor, o homem não só pensa, mas principalmente, sente emoções e estabelece relação com tudo, basta aí citarmos o conhecido instinto de sobrevivência e procriação que move a humanidade e todos os seres vivos, numa interação criativa (não é a toda que a natureza impressiona a todos pela sua capacidade de improvisação e adaptação).
Instituições financeiras são prova disto, muitas apresentam os seguintes slogans: "O Banco da Nossa Gente", "Nós entendemos de Gente", "Você é o mais importante", "Banco do João, Banco da Maria" etc., a intenção é demonstrar que a organização tem como preocupação principal as relações pessoais, que as outras questões como o capital, os processos operacionais, as metas, são decorrentes do potencial humano articulado coletivamente.
Senão vejamos, tudo que existe neste mundo foi antes pensado por gente, desde uma agulha até a um avião, ou seja, tudo com o que utilizamos, anteriormente foi concebido por alguém, enfim, alguma pessoa esteve por trás disto e o seu produto pessoal teve como combustível um elemento motivacional direcionador decorrente de uma relação criativa.
Organizações que ainda admitem ou dispõem de gestores, sem verificar se são efetivos em suas administrações dentro do conceito de Gestão de Pessoas, desconhecem o diferencial das pessoas no mundo da competição corporativa.
Não se trata apenas de promover propagandas ou frases de efeito, conforme se verifica nos palanques públicos.
A atividade criminosa possui um potencial destacado para angariar recursos financeiros e materiais, todavia, ainda podemos fazer a diferença, uma vez que por trás das criações, organizações e de tudo que conhecemos, encontram-se as pessoas, as suas emoções. A forma como o poder pessoal delas é cultivado e aproveitado é a riqueza neste mundo globalizado.
Referência - CHIAVENATTO, Idalberto. Gestão de Pessoas. Editora Campus. São Paulo: 2004.
Nas organizações privadas, existem centros de competências, algumas com atribuições operacionais e outras gerenciais, ao operador cabe a performance na execução de determinada técnica, ao gestor a reflexão sobre os aspectos que envolvem as técnicas de determinado processo operacional, cabendo a ele a reorientação dos recursos disponíveis para viabiliza-lo.
Ou seja, um não é melhor que o outro, apenas cada um tem um tema para refletir e aperfeiçoar, ao operador a respeito do que faz especificamente, da mesma forma que o é para o gestor de maneira generalista, pois cabe a este abordar a reorientação das especialidades diponíveis à sua gestão.
Ou seja, o operador é especifista em sua disicplina e o gestor é generalista, voltado a integrar as disciplinas, os recursos disponíveis.
Porém, nem sempre o gestor é o líder, pelo contrário, cabe a ele, como orientador de recursos, liberar o líder (recurso em gestão de pessoas) para conduzir um grupo de trabalho à execução de determinado tarefa.
Assim, dentro de uma organização privada, os escalões são centros de competência, ou seja, distribuição básica de tarefas, gerenciais ou não, o que não se confunde com a liderança.
Até porque, deve haver um mínimo de distribuição de tarefas para poder pelo menos situarmos as pessoas dentro da organização, a este papel cabe à burocracia.
A função da burocracia é dar um referencial abstrato básico a uma organização por meio de localização de competências, sendo que independentemente da pessoa que estiver responsável por tal tarefa, está terá o seu como fazer definido pelos regulamentos da organização.
Porém é na liderança que reside a hierarquia e disciplina, senão vejamos.
A hierarquia é a organização de algo pautado no vínculo de decorrência de alguma coisa para outra, com relação à pessoas, é aonde a vontade do subordinado é definida pelo subordinador.
Enfim, se estamos falando de vontade, estamos falando de pessoas, uma vez que somente estas dispõem de tal elemento.
Se estamos de falando de pessoas, devemos falar de condução da vontade para os objetivos da organização, ou seja, de liderança e consequentemente, de Gestão de Pessoas.
Basear a hierarquia numa estrutura burocrática fixa, rígida, é um caminho que as organizações privadas à tempos deixou de lado, nem por isso, a hierarquia e disciplina organizacional destas se enfraqueceu, pelo contrário, sabemos muito bem que as relações de trabalho na iniciativa privada, em várias ocasiões, são mais exigentes do que se verifica na iniciativa pública.
Um abraço.
Uma Polícia MILITAR não interessa ao cidadão.
Ele que uma polícia organizada, bem equipada, aparelhada, com bom armamento, munição e boa instrução da tropa, e um bom relacionamento com as pessoas de bem.
O cidadão quer mais, quer um policial que se identifique com ele, e neste particular o PM deixa a desejar, pela "casca".
Ouvimos diariamente comentários do tipo - paisano é bom, mas tem demais...
Será que o PM também não é um cidadão civil com os mesmos problemas, sentimentos e sonhos que um cidadão civil ?
Não somos tratados como deveríamos. Nossa parte psicológica é negligenciada. Trabalho há 15 anos e só passei por avaliação psicológica 3 vezes (quando do ingresso - numa avaliação para policia comunitária e quando de uma ocorrência com risco de morte). Deveria passar anualmente por avaliação visto a natureza do trabalho desenvolvido.
Gosto do trabalho e me sinto útil, mas tenho muitas reclamações. Aqui não é como uma empresa onde suas reclamações, críticas e sugestões são analisadas seriamente.
O relacionamento entre subordinados e superiores melhorou muito, mas ainda existem os "dinossauros" que muito mais se preocupam em mandar do que comandar junto com seus homens. E pior ainda, fazem seguidores.
Em outra época participei de um Fórum de discussões com o tema polícia.
Sugeri temas, discuti e também desabafei.
Recebi uma mensagem avisando para que eu PEGASSE MAIS LEVE pois estava sendo monitorado.
Saí do grupo dizendo que aceitava tudo MENOS PATRULHAMENTO IDEOLÓGICO.
Querido companheiro de farda Pompeu, fica aqui meu apoio solidário às suas idéias e seu desabafo. Isso faz de você um verdadeiro ser humano, qualidade esta que a Polícia Militar jamais conseguira tirar de você.
Parabéns pela sua personalidade.
Parabéns pelo seu caráter
"Muitos países destruídos pela guerra conseguiram se reestruturar e obter altos índice de desenvolvimento humano (IDH) através do investimento maciço em Educação, como: Alemanha, Japão e Coréia do Sul, conforme dados da ONU.
A educação é também ferramenta político-ideológica de libertação ou alienação, de acordo com os interesses em jogo. Com o ensino militar não é diferente, ele atende a objetivos pré-estabelecidos. Em nosso caso específico a reflexão será sobre o ensino policial-militar no Brasil.
O ensino policial-militar é um bom exemplo de como a educação é reflexo e, às vezes, pode reproduzir as diferenças sociais, quando não comprometida com as quebras de paradigmas.
O processo de "ensino-aprendizado" - ou adestramento na linguagem do sociólogo Michel Foucault, in Vigia e Punir - tem forjado profissionais com engessamento na capacidade de questionar, de analisar as diferentes conjunturas que compõem o processo decisório.
O chavões: "missão dada é missão cumprida", "manda quem pode, obedece que tem juízo", "o militar é superior ao tempo", indicam que o principal na elencada formação é cumprir ordens, não interessa como e por quê.
Um conceito que nos ajudará a compreender a complexa relação do poder e sua reprodução social presente na educação é o da VIOLÊNCIA SIMBÓLICA, formulado pelo sociólogo francês Pierre Bourdieu.
Tal categoria se expressa na imposição "legítima" e dissimulada, com a interiorização da cultura dominante, reproduzindo as relações do mundo do trabalho, em nosso caso na vida militar.
O dominado não se opõe ao seu opressor, entenda-se superior e subordinado, respectivamente, já que não se percebe como vítima deste processo: ao contrário, o oprimido considera a situação natural e inevitável.
O ensino policial-militar se enquadra nesse contexto, no tecnicismo puro, estilo Fayol, lógico com suas raras exceções, ao adotar o estruturalismo educacional como matriz, ao desprezar a capacidade do aluno, sua história e aspirações.
Para o educador Paulo Freire "a aprendizagem da assunção do sujeito é incompatível com o treinamento pragmático ou com o elitismo autoritário dos que se pensam donos da verdade e do saber articulado.".
A formação policial-militar inculca no aluno uma percepção de mundo extremamente ordenada, onde cada coisa deve está em seu lugar, e um maniqueísmo simplista, que não corresponde a realidade da diversidade humana, segundo pesquisa do professor Antonio Ludwig (1998).
A prática pedagógica militar é, de fato, eminentemente ideológica, busca o adestramento eficaz, onde a tarefa de pensar cabe apenas ao comandante da operação aos demais cabe somente acatar ordens, desta forma, caracterizando a máxima da hierarquia e da disciplina policial-militar.
Paulo Freire tem uma proposta democrática bastante original, in Pedagogia da Autonomia (1996). Sua concepção enfatiza a importância de uma postura não ingênua perante os acontecimentos, e a necessidade de uma educação dialogal e ativa, orientada para a responsabilidade social e política caracterizada pela profundidade na interpretação dos problemas e livres de explicações mágicas.
A educação, civil ou militar, deve possibilitar a libertação, a construção de cidadãos cônscios de suas responsabilidades sociais com a humanidade. O conhecimento não está pronto acabado. O estímulo à crítica, ao questionamento, à discussão de idéias objetiva possibilitar o amadurecimento intelectual, a libertação de mentes brilhantes que tem muito a contribuir.
As observações aqui apontadas visam alertar para a importância da educação como instrumento de construção de uma nova realidade cidadã, onde o ser humano seja visto como autor de sua própria história e não mero espectador, principalmente se esse profissional deve tomar decisões. "Existir clama por significado", Jean Paul Sartre.
_________
* Prof. universitário (UESPI), mestrando em Políticas Públicas (UFPI) e Capitão da PM do Piauí."
http://www.forumseguranca.org.br/links/como-funciona-a-policia-dos-estados-unidos
Entendo ser interessante dar uma olhada, até porque não são raros os casos de muitas das nossas instituições policiais e seus membros, buscarem conhecimento naquele país, seja fazendo cursos, seja trazendo policiais e outros experts para disseminarem os seus conhecimentos aqui.
Talvez isto ocorra porque as instituições de segurança daquele país é referência no mundo, principalmente pelo fato de estarem abertos ao conhecimento, sendo que em muitas ocasiões estudam as polícias do Brasil e de outros países, a fim de desenvolverem os seus saberes.
Conforme o link em questão, verfica-se que há alguns assuntos com os quais a polícia norte-americana lida, que são pertinentes ao artigo em destaque (Polícia Militar, 24 horas do dia, a qualquer hora e em qualquer lugar!):
. relacionamento das Forças Armadas com a polícia.
. sistema hierárquico e disciplinar.
. integração dos seguimentos ostensivos e de investigação da polícia.
. plano de carreira integrado, onde um policial ascende dentro da instituição, além de poder migrar do seguimento ostensivo para o seguimento investigativo e vice-versa.
Cabe ressaltar que no link em referência há o depoimento de um brasileiro que há tempos é policial naquele país, assim, é interessante vermos a percepção que o mesmo tem de sua instituição.
Um abraço a todos.
Primeiramente, como o senhor diz, eu devo "escrever somente a verdade", e a lei citada simplesmente não excluiu o quadro de 2º Tenente QOPM. É claro que o senhor não precisa acreditar na minha palavra, então é só se deslocar de Nanuque até São Paulo e conversar com um dos 500 tenentes desse quadro e perguntar-lhes pessoalmente se eles existem...
Usando as suas palavras, quem julgou e condenou as idéias dos outros foi o senhor, quando deduz a forma como comando os policiais sob minha responsabilidade ou mesmo como me relaciono com eles. Conversar com um deles talvez fosse uma boa idéia...
Num fórum de discussão cabem todas as opiniões, inclusive as contrárias às suas, ou será que estou errado?
Se o fato de expressar a minha opinião e a minha experiência profissional e de vida me coloca em um "pedestal", sinceramente não sei o que o senhor se refere quando cita que "a liberdade de expressão é o alicerce de todo pensamento e idéias voltadas para mudanças". Isso só vale se as idèias forem iguais às suas???
Quanto aos "porões da polícia paulista", vossa senhoria demonstra conhecê-los melhor que eu. Talvez a sua experiência em Nanuque lhe habilite muito mais que um policial paulista com 25 anos de corporação. Sendo assim, nada mais tenho a declarar.
Grande abraço.
acessem o link:
http://www.forumseguranca.org.br/artigos/reforma-da-policia
O conteúdo foi postado por um colega policial militar.
Um abraço.
Há que se reflegtir "militarismo e autoritarismo"