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A Desmilitarização das Polícias Militares
Alexandra Valéria Vicente da Silva - Rio de Janeiro(RJ) - 16/09/2010
A possibilidade de desmilitarizar a polícia militar é tema que vem apresentando crescente número de discussões e debates não apenas na sociedade considerada “civil”, mas também, nas próprias organizações militares, em todos os seus níveis hierárquicos; contudo, ainda não de forma tão “explícita”.
Com o fim da ditadura, houve a preocupação com uma reorganização democrática em diversos setores da sociedade. Porém, as policias foram deixadas de lado. Símbolo de toda uma racionalidade autoritária e arbitrária, ela não acenava com a possibilidade de melhorias significativas, comprometidas com um Estado Democrático de Direito.
Passados mais de vinte anos, a reestruturação das policiais apresenta-se (espera-se!) como um caminho que se pretende irreversível, visto os inúmeros problemas causados e vivenciados por essas organizações. A polícia militar, especificamente no Rio de Janeiro, há muito já atravessa significativo momento de deslegitimização, sem apoio social e sem credibilidade interna. A maioria dos seus profissionais afirma “amar” a corporação, mas também sentem vergonha (SILVA, 2006). E lá se vão duzentos anos. Como isso é possível? Seria o modelo militar (e o militarismo) o responsável pela longa trajetória?
Frente a tantas dificuldades internas e externas surgem discussões a respeito da possibilidade de desmilitarizar a polícia militar. Dois eventos significativos ocorridos em agosto de 2009 mostram o interesse pelo assunto entre variados segmentos. O primeiro refere-se à Primeira Conferencia Nacional de Segurança Pública (1ª CONSEG) realizada em Brasília. Em seu direcionamento final a CONSEG aprovou dez princípios e quarenta diretrizes que devem nortear a Política Nacional de Segurança Pública. Entre as diretrizes, duas (a 12ª e a 18ª) sinalizam para a necessidade de desmilitarização das policias. Ressalta-se que na CONSEG estiveram presentes e votaram profissionais da segurança pública de diversos setores (militares e civis), gestores e diferentes esferas da sociedade civil.
O segundo fato foi uma pesquisa realizada por SOARES, ROLIM e RAMOS junto a Secretaria Nacional de Segurança Pública (SENASP), com 64.130 profissionais de segurança pública de todo o Brasil, sendo que 40.502 eram policiais militares. O objetivo da pesquisa, como seu próprio título explica, foi saber “O que pensam os profissionais de segurança pública do Brasil”. O estudo mostrou que a maioria dos policiais pesquisados apóia a desmilitarização da polícia militar e, apenas entre os militares, a adesão chega a 77%, tanto entre as praças como entre os oficiais das corporações.
Com os dados levantados na pesquisa e com observações realizadas durante a CONSEG, observa-se a confiança e o contentamento de muitas pessoas, principalmente policiais militares, com as possíveis (já certas!) conseqüências positivas da desmilitarização, tanto para os profissionais dessas organizações (especialmente as praças) quanto para a “sociedade civil”. Desmilitarizar torna-se sinônimo de igualdade, respeito, dignidade, boas condições de trabalho e de um trabalho “bem feito”! Fim da violência e das arbitrariedades... Mas será que simplesmente deixar de estar vinculada ao Exército fará da polícia uma organização melhor? Melhor em que sentido? Seria o Regulamento Disciplinar o responsável direto pelas dificuldades vivenciadas pela maioria dos policiais militares nas corporações? O modelo organizacional militar é o único causador das dificuldades interpessoais experimentadas? Seria ainda esse mesmo aspecto que faz com que o policial tema e seja temido pela população? Entendendo o militarismo como um resultante do modelo organizacional militar, que procura fazer com que aqueles que estão em seu interior sejam controlados, subjugados, excluídos e alienados, mas ao mesmo tempo inclusos nesse mesmo processo de produção de subjetividade que deverá ser reproduzida no meio social, quais poderiam ser suas implicações para polícia?
Mantendo a mesma linha de raciocínio anterior, questiona-se: o “caráter civil” teria o poder de engendrar na corporação a solução de todos os seus problemas? Deste modo, acredita-se que sim, a desmilitarização é um caminho possível, razoável e, até mesmo “natural” para as policias, mas que, não, não é tão simples assim! Pensando assim, decidiu-se elaborar algumas reflexões a respeito do que se espera e do que pode vir a ser a desmilitarização das policias militares.
• 1º tempo: um pouco de história
O surgimento e institucionalização da polícia militar no país ocorreram pela elaboração de duas vertentes surgidas na Europa Ocidental entre fins do século XVIII e início do século XIX (Holloway, 1997). Esses modelos europeus de polícia, provenientes mais especificamente da França e da Inglaterra, tinham proposições bem diferentes. Eles são o que melhor podem caracterizar o surgimento da sociedade disciplinar (Foucault, 2003) e sua institucionalização, pois indicam como ocorreu a reestruturação do sistema judiciário e penal em vários países.
Na França e na Inglaterra existiam variados tipos de mecanismos de controle da população, e estes tinham como objetivo atender a uma série necessidades da aristocracia e da burguesia daquela época.
É Através de sucessivas mudanças no interior da sociedade que acontece a estatização do sistema penal, sobretudo na Inglaterra. De auto defesa das camadas mais pobres, a possibilidade de subjugação dessas mesmas.
Na França o processo foi diferente. As novas formas de produção é que mais fortemente ditam os novos mecanismos de controle “necessários” para as classes mais pobres, e que “precisavam” serem controladas.
Mas tanto na França como na Inglaterra, após tantos deslocamentos, foi o modelo econômico capitalista que determinou finalmente os tipos de relação judiciária e suas penalidades.
No Brasil, a cidade do Rio de Janeiro viveu grandes mudanças nessa área com a chegada da Família Real em 1808. Até então, a vigilância da Colônia era realizada por quadrilheiros , alcaides e capitães-mores de estradas e assaltos (capitães do mato). Com a chegada de D. João VI, esse sistema de segurança mostra-se ineficiente, e é estabelecido, nos moldes de Lisboa, Intendência Geral da Polícia da Corte e do Estado do Brasil. Esta tinha como referência o modelo francês de polícia, que havia sido introduzido em Portugal em 1760 (Holloway, 1997).
Em 13 de maio de 1809, foi criada a Divisão Militar da Guarda Real da Polícia do Rio de Janeiro, que, conforme esclarece Holloway, foi a primeira “força policial de tempo integral, organizada militarmente e com ampla autoridade para manter a ordem e perseguir criminosos” (p.47). Mais tarde ela seria considerada o ponto de partida da atual Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro. A missão da Guarda Real deveria ser, segundo Sanctos apud.Holloway (1997) “manter a tranqüilidade pública (...) e muitas outras obrigações relativas à ordem civil” (p.48).
Os integrantes da Guarda Real eram provinham das classes mais pobres e não escrava (as mesmas que eram mais atingidas pelos seus métodos repressivos), e não havia impedimento quanto à presença de negros, desde que livres.
Mas em julho de 1831 a Guarda Real foi extinta, sendo esta decisão conseqüência da sua participação no motim ocorrido em 12 de julho, ao colaborar com o 26o Batalhão de Infantaria do Exército, quando este último se rebelou contra a sua própria dissolução. Um mês antes deste acontecido, havia sido criada a Guarda Municipal, de caráter civil. A proposta era de que os guardas civis substituíssem os soldados da Guarda Real nos distritos judiciais locais. Uma das principais preocupações da Guarda Municipal referia-se à origem de seus membros, que deveriam apresentar certos antecedentes que os validassem como devidamente qualificados. Não havia uma discriminação formal quanto à raça, mas seus membros estavam inseridos em uma parte da população com um melhor poder aquisitivo.
Durante o motim de 1831, a Guarda Municipal atuou, mas não conseguiu intervir de modo eficiente. Isso faz com que o Parlamento tente reorganizá-la. Ela deveria então, se responsabilizar pelo patrulhamento das ruas. Na mesma época, ainda como tentativa de aliviar a situação conflituosa causada pela rebelião e pela ineficácia da Guarda Municipal foi criado um grupo que reunia diversos oficiais. Seu objetivo era fazer com que seus membros atuassem como soldados no patrulhamento da capital em conjunto com a Guarda Municipal.
Em agosto de 1831 foi criada a Guarda Nacional, com caráter paramilitar. Seu surgimento tinha sido precipitado pelas dificuldades vivenciadas pela Guarda Municipal durante a rebelião. Ela deveria ser organizada militarmente, em toda a nação, ser bem armada, e estava subordinada ao ministro civil da justiça, às autoridades políticas e judiciais e aos juízes de paz. As condições de recrutamento deveriam ser semelhantes àquelas da Guarda Municipal. Na verdade, o objetivo de se ter esta parcela da população no trabalho de guarda é que se entendia que eles, como proprietários, deveriam auxiliar na defesa dos seus próprios bens. Como os guardas municipais, os membros da Guarda Nacional também não eram remunerados.
Em 10 de outubro de 1831 foi criado o Corpo de Guardas Municipais Permanentes (seus membros eram conhecidos como os “Permanentes”). Tratava-se de uma organização militar que se pretendia que substituísse os guardas municipais civis. Entendia-se, na época, a necessidade de uma força que atuasse em tempo integral, que fosse profissional e atuasse organizada e disciplinada com os preceitos do militarismo. Na realidade, eles eram os substitutos diretos da antiga Guarda Real, com algumas diferenças, como, por exemplo, estavam subordinados ao Ministro Civil da Justiça, seus integrantes alistavam-se voluntariamente, recebendo salários mais dignos e não podiam mais receber castigos corporais, como na Guarda Real. Juntamente com essa nova reformulação foram propostas medidas que pretendiam regular a atividade policial. Porém, acreditava-se que não se deveria permitir uma postura “frouxa”, com relação aos “policiais”, visto que, assim, certamente caminhariam para uma completa desorganização. Daí a importância da criação de uma organização pautada em modelos militares de hierarquia e disciplina.
O Corpo de Permanentes viu-se, desde o início, sobrecarregado em suas funções. Além de ser o responsável direto por ações preventivas e repressivas, qualquer ocasião em que se acreditava ser necessária uma força armada e militarmente organizada, seu contingente era deslocado.
Em julho de 1865 um grande número de soldados da Guarda de Permanente da Corte foi convocado para a Guerra do Paraguai. Lá, receberam a denominação de 31o Batalhão Voluntário. Em 1866, como tentativa de amenizar os efeitos da partida do grande contingente, é criada a Guarda Urbana. Esta era uniformizada, mas não possuía características militares e estava subordinada ao Chefe de Polícia – civil. Entretanto, já em 1869, a Guarda Urbana apresentava perspectivas negativas. Mostraram-se extremamente arbitrários e violentos, vindo a superar, em reclamações, os Permanentes. Tal fato era creditado aos baixos salários e à ausência de organização e disciplina militar. Mas somente em 07 de março de 1885 a Guarda Urbana chega ao seu fim. Em setembro deste mesmo ano, a força policial militar é reestruturada, voltando a ser responsável pelo policiamento, já que, a partir do surgimento da Guarda Urbana, ela deveria ficar apenas de prontidão para atuar nos casos emergenciais. Contudo, neste momento sua nomenclatura já havia sido alterada, com a reforma de 1871, de Corpo de Guardas Municipais Permanentes para Corpo Militar de Polícia da Corte. Deixa também de ser subordinada ao Chefe de Polícia. Em 1890, recebe a denominação de Brigada de Polícia da Capital Federal.
Em 1905 a Brigada passa a ser chamada de Força Policial do Distrito Federal. Em 1920 novamente o nome é alterado para Polícia Militar. Seu comando continua subordinado aos oficiais de alta patente do Exército.
Em 1960, após a transferência da capital federal para Brasília, a Polícia Militar passa a ser conhecida como Polícia Militar do Estado da Guanabara. Entretanto, com a fusão dos Estados da Guanabara e do Rio de Janeiro em 1975, a instituição recebe sua atual denominação, isto é, Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro – PMERJ.
• 2º Tempo: A organização Policial Militar
Em termos jurídicos pode-se afirmar que a Polícia Militar é uma organização subordinada aos princípios jurídicos de direito administrativo, sendo que seu objetivo principal é o policiamento ostensivo e preventivo. Ou seja, sua principal característica é evitar ocorrências criminosas.
Quanto à função da polícia militar, o § 5° da Constituição de 1988 afirma: “às polícias militares cabem a polícia ostensiva e a preservação da ordem pública” e, em relação a sua direção, o § 6º explica que “as polícias militares e corpos de bombeiros, forças auxiliares e reservas do Exército, subordinam-se, juntamente com as polícias civis, aos Governadores dos Estados, do Distrito Federal e dos Territórios”.
A policia militar foi estruturada tendo como base as disposições do Exército Brasileiro, o que fica mais fácil de perceber ao se observar o Regulamento Interno e dos Serviços Gerais (RISG) do Ministério do Exército , que tem como objetivo, segundo seu Capítulo I, art. 1º, prescrever “tudo quanto se relaciona com a vida interna e com os serviços gerais das Unidades de Tropa, estabelecendo normas relativas às atribuições, às responsabilidades e ao exercício das funções de seus integrantes”. Assim, toda estrutura administrativa e operacional do exército, com algumas variações e adaptações, foi transposta para o âmbito da Polícia Militar.
Segundo o Estatuto dos Policiais Militares do Rio de Janeiro em seu art. 12, § 1º, o objetivo da estrutura hierárquica na polícia (assim como no exército) é dispor os policiais em variados níveis de autoridade e trabalho. Para isso, apresentam dois “Círculos”, um de Praças e outro de Oficiais. Os Círculos representam o campo de convivência para os policiais militares de uma mesma categoria, objetivando o fortalecimento de laços de amizade entre estes. O Círculo de Oficiais é disposto em vários postos, e o Círculo de Praças, em graduações. A cada posto ou graduação cabe uma função diferente, contudo, os principais lugares de comando sempre irão pertencer aos oficiais.
• 3º Tempo: Militarizar e Desmilitarizar: como assim?
Com o que foi visto até aqui, é possível perceber a grande preocupação da organização militar com o domínio da “tropa”. Tão importante para as policias militares como a manutenção da ordem e a prevenção de delitos, é o controle sobre seus “homens e mulheres”. Desde a criação da Guarda Real até os dias de hoje a preocupação em manter esses sujeitos “sujeitados” e enquadrados em normas e regulamentos disciplinares indicam o modo como essa estrutura organizacional foi “pensada” e estruturada para “cuidar” da sociedade. O militarismo cabe a uma sociedade disciplinar!
Se na época da Guarda Real os seus integrantes estavam subordinados a castigos corporais, na atualidade estes não mais ocorrem, contudo o nível de valorização advinda tanto da sociedade, como da própria corporação parecem terem sido muito pouco alterados. Ou seja, de um lado as dificuldades de relacionamento entre guarda/policia e povo permanecem curiosamente quase que as mesmas há duzentos anos. Os conflitos permanecem e a desconfiança é mútua. De um outro lado a tropa/policiais continuam também a serem desvalorizados e desqualificados no interior da corporação, principalmente com aqueles que estão em contato direto com a população. Constantemente se discorre a respeito da atuação dos policiais, na necessidade de que estejam bem preparados para as urgentes e imperiosas decisões, contudo a preparação que recebem, a qualificação a qual estão sujeitados e os discursos que falam desses profissionais apontam para um outro vértice. O interior das próprias organizações policiais militares, bem como algumas políticas de segurança pública parece corroborar para a manutenção das dificuldades seculares, internas e externas, o que faz pensar se o que existe (e sempre existiu) em termos de polícia (e policiais) não é o que realmente é para existir: ou seja, um grande número de pessoas, que se pretende normatizadas, controladas (excluídas?!) e com objetivo de também normatizar, controlar e excluir aqueles considerados perigosos para a sociedade. Mas para esse tipo de trabalho, esse que realmente parece se pretender, e que tem sido realizado há duzentos anos (e que se encontra bem distante daquele outro, que poderia se desejar, no qual o profissional de segurança pública é um dos principais responsáveis para a manutenção de um Estado Democrático) é relevante que se tenham indivíduos agrupados, refreados por leis, socialmente e psicologicamente desacreditados, desvalorizados e desconhecedores de suas possibilidades enquanto agentes da segurança pública.
Muitos alegam que o modelo militar é o único capaz de manter um contingente tão grande de pessoas armadas (policiais) sob controle, pronto para executar ordens sem questionar e impossibilitado juridicamente de rebelar-se contra as condições de trabalho. Tal característica faria com que estes estivessem constantemente e efetivamente em serviço na sociedade, sem a possibilidade de abandonarem seus postos, tendo em vista as rápidas e efetivas punições, principalmente para as praças. Assim, seriam profissionais (?) que estariam sempre em serviço, sem direito a voz!
Essa justificativa para a manutenção das polícias militares subordinadas ao exército, só tende a desqualificar ainda mais os policiais, tanto para a sociedade como para os próprios profissionais, pois os apresenta e afirma como incapazes, indisciplinados e desqualificados para o exercício da função sem o direcionamento e fiscalização militar. Ou seja, aqui, o que assegura a unidade, continuidade e efetividade dos serviços é o modelo militar. E isso é verdade para muitos policiais.
Mas que homens e mulheres são esses que se pretende sempre em efetivo serviço, sem rebelar-se? Aqui não se almeja reivindicar greves e “insubordinações”, mas pensar que os modos de controle de que hoje e há muito tempo se vale o poder público para “controlar” os policiais em serviço, provavelmente só sirvam também para aumentar a violência, a distância entre a corporação e a sociedade, e a insatisfação de uma grande parcela desses profissionais. Talvez seja possível pensar a construção de saberes que justifiquem a existência de uma polícia comprometida com a sociedade, favorecendo a cidadania. E que esses saberes façam parte da vivência desses policiais.
Deste modo, entende-se que a organização militar produz modos de subjetivação que vão afetar as ações dos profissionais de segurança pública nos mais variados aspectos de sua vida. Tanto nas relações internas da própria organização, naquelas em contato com o meio social, e por que não, nas que ocorrem no âmbito familiar e social. Os saberes que circulam a respeito desse profissional atravessam toda sua vida, produzindo novos saberes.
Esses processos de subjetivação agem ainda sobre as políticas de segurança pública que devem orientar as ações dessas organizações, determinando-as. Assim, é importante que realmente exista uma preocupação em se pensar a desmilitarização como um processo de produção de uma nova lógica, em que se passe a estranhar não apenas o visível, mas também o dizível. Do contrário, existe o risco de se construir novas estruturas organizacionais em que se mantêm os mesmos ranços do militarismo, e pior ainda, sem a clareza de suas intenções.
Uma proposta de desmilitarização da polícia militar deve necessariamente estar atrelada a um novo processo de subjetivação que possibilite ao policial a aproximação com novos modos de ser e estar no mundo, principalmente no que tange a sua conduta profissional. É necessário ainda produzir na sociedade a idéia de que essa mudança organizacional é viável, possível e condizente com o papel que se espera de um operador da segurança pública, isto é, um profissional que favoreça os processos democráticos, fortalecendo a cidadania.
Referências Bibliográficas
FOUCAULT, M. (2003). A verdade e as formas jurídicas. Rio de Janeiro, NAU Editora.
HOLLOWAY. T. H. (1997). Polícia no Rio de Janeiro. Repressão e Resistência Numa Cidade do Século XIX. Rio de Janeiro, Fundação Getúlio Vargas.
SILVA, A.V.V. (2006) A Polícia Militar e a sociedade na representação social do policial militar do Rio de Janeiro. Dissertação de mestrado. UERJ
SOARES, L. E. ROLIM, M., RAMOS, S. (2009). O que pensam os profissionais de segurança pública, no Brasil. Ministério da Justiça – SENASP.
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Comentários
Comentários
Tiago - Bento Gonçalves(RS) - 18/09/2010 - 09:29
Como integrante de uma policia militar sou a favor da desmilitarização, pois os oficiais das pms, ditos gestores não conseguem comandar a tropa sem usar de arbitrariedade, com ameaças e com castigos descabidos na atualidade. Até cobram da tropa para que sejam uma polícia cidadã, mas ao mesmo tempo humilham um soldado na frente de quem seja só para demonstrar todo seu poder.
Temos uma função totalmente civil, o simples fato de se utilizar a expressão "soldado" remete ao cidadão que este é quem faz a faxina e corta a grama do quartel, dando um certo descrédito ao policial que muitas vezes não é visto como um agente de polícia pela sociedade e ainda mais por seus superiores oficiais.
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Rafael Ferreira Vianna - Curitiba(PR) - 19/09/2010 - 02:11
Parabéns pelo artigo. Sem dúvida um tema difícil de ser tratado, principalmente pela tradição da organização militar nas polícias, mas que merece ser abordado. Não se pode preparar homens para guerra e exigir a preservação da vida como objetivo principal. A desmilitarização traria uma formação voltada para o respeito integral aos direitos fundamentais e uma valorização do profissional, permitindo que ele pudesse exigir direitos mínimos para exercer seu trabalho. Isto traria transtornos para muitos, mas toda polícia, como já é a polícia civil, poderia ser preparada para atuar em um estado democrático de direito. Ainda que a criminalidade assuste, pagamos um preço para viver em uma democracia. Ademais, preparação e inteligência são melhores para controlar a criminalidade.
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Ewerton - Feira de Santana(BA) - 20/09/2010 - 07:32
Parabéns pelo artigo, muito bem escrito e pesquisado, todo patado na lógico! Parabéns e que não sejas uma voz disonante nesse mar de ilusões.
Abraços!
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José Eduardo Bexiga - São Paulo(SP) - 20/09/2010 - 08:27
O artigo se pauta na pesquisa e na lógica no que chama de 1º e 2º tempo, e nisso se mostra preciso na maioria dos aspectos que apresenta, porém no seu "3º tempo" traz uma série de ilações sem comprovação científica e, pior, sem demonstrar qual a alternativa viável para que a desmilitarização resolvesse os "problemas" apresentados.
Aqui em São Paulo a Polícia Militar é exemplo de polícia comunitária, de proximidade com a comunidade, inclusive tem angariado prêmios internacionais por suas iniciativas nesse sentido, o que faz dela a referência nacional e latino-americana para tal atividade, prova disso é que a SENASP a reconhece como tal e deixa a cargo da PM de São Paulo a realização de cursos de Polícia Comunitária aos demais Estados da federação e países da América Central, Polícia Civil, Guardas Metropolitanas e Sociedade Civil e a estrutura militar da Instituição em nada atrapalha tal serviço.
Diferente do que traz o texto, policiais que respondem a um sistema de trabalho que defende a legalidade, a lealdade, a constância, a hierarquia e a disciplina em nada se distanciam da Comunidade, muito ao contrário, eles cumprem com muito mais facilidade as suas funções constitucionais, pois a população tem a certeza de que eles estarão prontos a cumprir seu papel legal.
Se assim não fosse, a população carente estaria plenamente contente com os serviços a ela oferecidos em todas as áreas do serviço público, educação, saúde, saneamento básico, previdência e até a polícia civil ou as guardas metropolitanas, entre outras, todas desempenhadas sem o caráter "militar", mas não é isso que, em geral, ocorre. Aliás muitos desses serviços acabam sendo prestados, na prática, pela Polícia Militar, pois apesar de não ser sua função direta, por serem militares, seus profissionais sempre se preocupam em atender com empenho a comunidade naquilo que necessitam.
Ao meu ver o fato de ser civil ou militar não influencia na qualidade do serviço prestado. Ninguém é obrigado, na estrutura militar, a cumprir uma ordem ilegal ou absurda, e eventuais casos de abusos ou injustiças ocorrem em qualquer instituição, pois lidamos com características humanas, e as Polícias Militares têm um sistema de correição dos mais efetivos.
O colega que aqui se manifesta dizendo que a "polícia militar se prepara para a guerra" com certeza desconhece os seus currículos de formação, aperfeiçoamento e especialização, e assim realmente é difícil opinar coerentemente. Falo pela PM de São Paulo, mas já fiz estudos no Paraná e posso afirmar que lá não é diferente. Aconselho o amigo Rafael procurar a Academia do Guatupê e se informar melhor sobre a formação do policial militar paranaense.
Quanto ao colega Tiago, lembro que arbitrariedades (que acontecem em quaisquer instituições) não são permitidas na PM, nem por parte de subordinados e muito menos por parte de superiores. Procure se informar melhor, pois nos próprios regulamentos disciplinares existem ferramentas para que eventuais abusos sejam contidos.
Grande abraço a todos.
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Tiago - Vitória(ES) - 20/09/2010 - 09:55
*** Caro José Eduardo Bexiga ***
Permita-me expressar opinião a despeito do texto produzido pelo artigo e comentários.
O militarismo existe, na sua essência, para manter o militarizado dentro da conduta imposta ESTADO. Tomemos a exemplo a existência do CPM. O Código Penal Militar introjeta imparcial e imperiosamente o "querer" estatal sobre o militar, levando em conta apenas a vontade do Estado, despresando a existência de um cidadão de direitos no jurisdicionado.
O militarizado é um cidadão de muitos deveres. E os seus direitos? Como promover os direitos alheios se os seus estão suplantados e suprimidos pelo ESTADO? Vimos o movimento PEC 300 ser jogado na lixeira da Câmara Federal. Vimos milicos que foram à Brasília defender sua classe serem tratados como cães e terem as portas da casa do povo fechadas às caras. O que puderam fazer ou reivindicar a respeito? Nada x nada. Por que? Porque o militarismo os cerceia vários direitos. São cidadãos de muitos deveres. Direitos são poucos. Definitivamente, o militarismo é para o ESTADO, não para a sociedade. É a forma do ESTADO impor de maneira arbitrária sua vontade. Bons serviços prestados pelas PPMM brasileiras devem-se aos policiais bons profissionais, homens e mulheres de valor, e não a um sistema militarizado suplantador de direitos.
Reconhecer um cidadão de direitos dentro do policial: Desmilitarizar para Socializar.
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José Eduardo Bexiga - São Paulo(SP) - 21/09/2010 - 12:20
Caro Tiago, permita-me discordar sobre seus argumentos. Todo serviço público sofre influência do Estado pois são empresas estatais e aquelas que fornecem serviços essenciais mais ainda. O que ocorre com referência aos direitos dos militares, principalmente no campo político, é que eles devem ser ser buscados pelas vias democráticas, ou seja, pelas associações de classe que nos representam (ou deveriam nos representar). Se militares são tratados como "cães" em Brasília, isso não se dá por sua condição de militares, mas sim pelo desrespeito de nossos representantes nas nossas casas de leis pelos eleitores que os puseram lá. A saída para isso é simples: o voto, e sua consequente cobrança posterior. Trabalhadores de outras categorias (civis) igualmente têm dificuldades em ter seus direitos respeitados, e de serem ouvidos por seus parlamentares. Sou policial militar há 27 anos, entrei na instituição como soldado, meu pai foi cabo por mais de 20 anos (hoje está aposentado) e nenhum de nós dois (ou os dois irmãos de meu pai, um tio e um primo, todos praças) jamais tivemos qualquer dificuldade com o sistema militar. Nossos direitos sempre foram respeitados, pois somos profissionais que conhecemos a nossa legislação, inclusive o CPM, que atua nos crimes militares da mesma forma que o Código Penal comum, que também impõe a lei (conduta imposta pelo Estado) para a manutenção da ordem social. Como militar eu digo com toda certeza: se eu não estivesse contente com o sistema da instituição que eu ESCOLHI para pertencer, teria a dignidade e hombridade de sair dela (ao invés de tentar mudar a sua essência) já que há a opção de exercer a função policial em outra corporação que não tem essa característica militar.
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Rafael Ferreira Vianna - Curitiba(PR) - 22/09/2010 - 12:22
Obrigado pelo conselho. Vou me informar. Mas volto a refletir que se o objetivo não é preparar para a "guerra" a estrutura não precisa ser militar. E se as funções desempenhadas já são "em caráter civil", mais um indício do anacronismo do militarismo.
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José Eduardo Bexiga - São Paulo(SP) - 22/09/2010 - 12:40
Caro Rafael, a estrutura militar não é utilizada exclusivamente para a "guerra". Ela se baseia em duas colunas básicas, a Hierarquia e a Disciplina. Traz um sentido claro de cumprimento da missão, o militar não desiste enquanto não cumpri-la, e tem uma força de mobilização que nenhuma outra estrutura administrativa tem. Qual a instituição que você conhece que se compromete ao sacrifício da própria vida, se preciso for, para defender a sociedade, a vida e os direitos de pessoas que sequer conhecem? Para os militares isso não é uma retórica ou figura de linguagem, isso é real. A Polícia precisa de profissionais prontos a agirem em qualquer tempo, sob quaisquer condições e dificuldades, e isso só a estrutura militar traz.
E o detalhe é que nada disso impede o bom relacionamento com a comunidade ou entre os próprios profissionais da Instituição.
O que existe é uma grande desinformação a respeito do "caráter civil" do trabalho de segurança. Nos desfiles cívicos policiais civis e guardas metropolitanos desfilam, marchando em formações militares... isso pode? Qual a finalidade? A estrutura militar trouxe vários padrões administrativos a muitas empresas particulares, o conceito de Qualidade Total começou sua aplicação com os militares, assim como a Internet. Estudos da USP mostraram que a Polícia Militar é o órgão público estadual melhor administrado e controlado. Países de 1° mundo têm polícias militares ou militarizadas, e nenhum comentário sobre isso é feito neste espaço.
Os regulamentos disciplinares dizem que deve haver respeito e harmonia entre superiores e subordinados, cabendo sanções a um e ao outro quando agem de maneira diversa... e nas instituições civis o conceito de "assédio moral" só agora começa a ser discutido.
Resumindo, de um modo geral o discurso da "desmilitarização" surge a partir de pessoas que desconhecem a realidade e a estrutura das polícias militares, infelizmente até entre alguns membros das próprias instituições. O ranço revanchista que afirma que as polícias militares são "resquício da ditadura", esquecendo que serviram àquele regime também as polícias de caráter civil, que contavam com famosos órgãos como o DOPS e o DOI-CODI, e membros dessas corporações que até hoje orbitam o cenário político, aliados a muitos dos antigos adversários.
Grande abraço.
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Daniel Machado - Porto Alegre(RS) - 22/09/2010 - 03:59
Realamente o tema -desmilitarização- toma incríveis proporções quando debatido em nível nacional. Mas na minha opinião há que se refletir não quanto ser militar ou não militar, mas sim das condições dadas para este funcionário respnsável pela aplicação da lei. Que condição tem esse funcionário para prestar um bom serviço se seu soldo não é digno nem suficiente para suas despesas pessoais e de sua família......que condição terá esse funcionário de executar suas missões se além de seu trabalho precisa ter ainda outra função para complementar seu ralo salário.....que preparação tem essa pessoa se não tem condições de se aprimorar tecnicamente cursando um curso superior ou vislumbrando uma ascensão em sua carreira....são questões mais importantes do que militarizar ou desmilitarizar.....
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José Eduardo Bexiga - São Paulo(SP) - 22/09/2010 - 05:56
Exatamente! Concordo com o Daniel. A questão principal passa longe do fato da Instituição ser civil ou militar, mas sim da qualidade do serviço prestado à população e das condições dignas oferecidas a esses profissionais de segurança.
E só para fornecer mais um dado importante, justamente pelo fato de sermos MILITARES, os cursos de formação da Polícia Militar de São Paulo, desde Soldado até a pós-graduação, são cursos superiores, seguindo-se o que preconiza a LDB. Instituições de segurança civis não podem seguir o mesmo caminho na sua formação, pela legislação de ensino vigente.
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Carlos A. do Nascimento - Maringá(PR) - 25/09/2010 - 03:56
Sou totalmente a favor da desmilitarização da Policia Militar, afinal de contas vivemos em um país democratico e o RDE é totalmente arbitrario e arcaico, indo contra a carta magna que nos rege. Ser militar é para exercito, onde o jovem passa por ali apenas por um ano, aí sim tem que ser rigoroso, mas com o profissional na area da seguranca publica não, nós não somos moleques, temos familia para sustentar, e o RDE da muito poder a quem ñ sabe usar desse poder e acaba por prejudicar muitos pais de familia. Abaixo o RDE, vamos evoluir gente.
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Henrique Pinto de Vasconcelos - Rio de Janeiro(RJ) - 25/09/2010 - 04:49
Boa tarde!
Parabéns a todos os que aqui tecem seus comentários, sejam eles favoráveis ou contrários, isso sim é o importante, pude verificar que os comentários são expressos de forma bastante coerente e por vezes transmitem até o sentimento humano de não submissão a outro ser humano, porém o que penso me leva a optar pela desmilitarização de todas as Policias Militares, hierarquia e disciplina se conquista com estudo e competência e não com uma simples inserção em uma instituição, seja através do concurso ou por meio do tão buscado e querido QI, estudem, melhorem, aumentem seus padrões de entendimento de mundo, de sociedade, de ser humano, busque fazer o que melhor voce sabe em favor de seu irmão que tanto necessita, provoque mudanças ao seu redor e principalmente, nunca deixe sua vida ser controlada por outra pessoa, pois a liberdade é um dos maiores valores da vida do ser humano, voltando ao tema inicial, a segurança de uma sociedade deve ser realizada e controlada por ela, logo, o militarismo cria uma separação, um afastamento entre o que a sociedade necessita e o que a ela é oferecido, assim sendo, a segurança publica hoje ofertada pelo Estado além de não trazer segurança a quem quer que seja, não a trás nem aos próprios policiais militares, que além de serem vítimas das regras militares impostas, ainda o são em decorrência do alto índice de criminalidade que assola o Pais de norte a sul. Busquemos uma forma de prestar uma segurança publica mais decente, competente e garantidora dos direitos individuais e coletivos, trazendo assim a tão sonhada garantia da liberdade de ir e vir.
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Irineu Pedro Carniato - Lauro Muller(SC) - 27/09/2010 - 02:20
Sou policial militar há 28 anos. Falar da desmilitarização, realmente não é simples, assim, porém sou a favor a sua desmilitarização, vejo q isso contribui muito pouco para um melhor desempenho no qual deveríamos servir para a sociedade. O fato de ter uma disciplina militar rígida só prejudica a bom desempenho das funções inerentes (civis), caso para quem deveríamos prestar o nosso esforços.
Não quero criar polêmicas, mas, faço algumas perguntas?
As guardas municipais, polícia civis,polícia federal, polícia rodoviárias, ferroviárias etc. saõ organismo hieraquicamente militares? Elas prestam bons serviços? Elas falham quanto tantos como as PMs de todo o Brasil? Pra quem serve a hierarquia e disciplina militar?
Não quero aqui arguir fato depreciativos, porém, sonho com uma instituição com excelentes profissionais que poderíam ser melhores aproveitados se houvessem uma melhor qualificação, melhor formação, porém com o atual CPM(Código Processual Militar) e RDPM (regulamento Disciplinar Policial Militar)preticamente, incompatível com uma verdadeira polícia nos moldes de um país, um grande país.
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Marcos Venício - Fortaleza(CE) - 27/09/2010 - 05:09
A desmilitarização não significa apenas desvinculação das policiais militares ao Exercito Brasileiro, nem tampouco mudança na estrutura hierárquica e disciplinar, pois todas as instituições públicas ou privadas, sendo civis ou militares seguem os principios da hierárquia e disciplina em sua estrutura, porém a diferença básica é que nas outras instituições o funcionário de empresa privada ou agente público tem garantias constitucionais asseguradas quanto aos direitos de ir e vir, direito de liberdade de expressão, dentre outros que são diariamente tolhidos aos policiais "militares" que só por existir essa terminologia podem ter a liberdade cerceada por o cometimento de ditas transgressões militares tais como: cabelo "fora do padrão", "atraso", "falta de serviço", "não atender o rádio imediatamente" "trabalhar mal intencionalmente", "faltar a verdade", somente quando não é de interesse da corporação","apresentar-se mal uniformizado", dentre outros, o que além de ter os direitos ameaçados, os "militares" não lhe é concedido o direito a defesa e contraditório em toda sua plenitude, ficando o militar a mercê da decisão unilateral de um superior, que na maioria das vezes entende pela punição disciplinar.
O fato de desmilitarizar-se, tenho certeza de que não vai afastar toda a carga histórica que as polícias militares herdaram dos regimes militares (ditaduras), porém será um marco em nossa sociedade,pois buscará a implantação de uma instituição que cumprira os direitos humanos, quando tiver uma carga horária definida com horário de saída e entrada demarcados sem excessos sob alegativas infundadas,direito a sindicalização e reividicação de direitos como salários justos e equiparados as instituições como Polícia Rodoviária Federal, Guardas Municipais, Polciais Civis, Polícias Ferroviárias Federais, bem como não serem utilizadas a cada eleição como plataforma de governos que por desejo unilateral mudam fardamento, equipamentos, viaturas sem qualquer consulta sequer aos superiores das coporações.
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Joaidson Torres de Albuquerque - Palmas(TO) - 27/09/2010 - 06:45
Parabéns a autora pela forma objetiva e clara com que descreve as várias fases da polícia no Brasil e suas origens, esclarecendo alguns pontos tido como mitológicos desta tão polêmica organização do Estado e suas reais consequências e as constantes reclamações desta sociedade democratizada por lei.
Vejo como muito proveitoso também o debate entre os tantos representantes de organizações policiais ou não, que certamente entraram no circuito, para expressarem suas opiniões, demonstrando sua visão e seu entendimento calcado em conhecimento ou informações, o que certamente os categoriza de alguma maneira a também exprimirem suas opiniões. Participei da CONSEG e vi ali uma luta de classes, ideologia e queda de braço. Disputa que pode ter levado os diversos assuntos tratados a uma discussão, mas que certamente em razão do calor emocional que era expresso na campanha por cada interesse particular, não trouxe de maneira racional a proposição que deveria surgir para atender não a organizações, grupos ou classes, mas sim à sociedade, entendido comunidade, sem mais retóricas, a produzirem algo que venha de fato a exprimir este sentimento que todos nós temos de desalento, desprezo e abandono por parte deste mesmo Estado, através de suas leis e ordens que de fato, caracterizam qualquer organização do meio civil e, principalmente as de natureza pública como é a Polícia Militar, que impõe sim aos seus membros regras, que devem ser cumpridas de maneira correta e sem deslizes, pois isto também é uma das nossas características como protetores sociais e que significamos para a sociedade.
Não discordo de forma nenhuma dos comentários sobre os abusos que determinados membros superiores ou subordinados promovem contra os valores da organização militar, porém vejo, como já disseram acima que são indivíduos, o que não deve ser confundido com a organização da instituição ou que ela deva ser extinta por conta destes elementos a ela pertencentes. Crescemos muito de 1995 pra cá, quando passamos a ser vistos de maneira diferente e fomos forçados a sairmos do status quo, para uma nova visão de polícia num estado de direito, sendo pra isso precisos quase dez anos passados da CF/88, mas estamos buscando novas formas de promover o nosso trabalho em uma sociedade cada vez mais avançada tecnologicamente e disforme quanto aos valores de educação e respeito aos direitos do seu próximo. Acredito e isto sugiro à autora do texto, que avalie a nova polícia como mediadora de conflitos, que o real papel do policial ostensivo, que atua para impedir que o crime aconteça, sendo este o nosso provável papel frente a uma sociedade moderna e cônscia de seus direitos e deveres.
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Alessandro Rezende da Silva - Brasília(DF) - 27/09/2010 - 09:27
Concordo que o tema da desmilitarizaçao está muito bom. Para aqueles que argumentam contra a desmilitarizaçao gostaria de deixar uma pergunta: qual polícia do mundo tem seu corpo policial subordinado ao do Exército??? Até agora eu só encontrei como exemplo o Brasil. Isso implica que as doutrinas de atividades sao confusas....
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José Eduardo Bexiga - São Paulo(SP) - 28/09/2010 - 05:18
Caro Alessandro:
Respondendo à sua pergunta, não sei em outras partes do mundo, mas no Brasil o corpo policial das polícias militares NÃO são subordinados ao exército.
Antes de pesquisar sobre as polícias do mundo seria muito interessante pesquisar sobre as polícias do Brasil. Tem gente que, neste tópico disse que as polícias militares são "forças auxiliares do exército", citando um artigo da Constituição Federal... de 1967!!!
É triste quando os argumentos se baseiam em premissas erradas... fica muito difícil o debate profícuo.
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José Eduardo Bexiga - São Paulo(SP) - 28/09/2010 - 05:36
E só para complementar, na CF de 1988 o artigo em que cita a missão das polícias militares, EM CASOS DE GUERRA EXTERNA, de proteger as fronteiras do país, mostra claramente a quem se subordina a polícia militar: "Art. 144, § 6º - As polícias militares e corpos de bombeiros militares, forças auxiliares e reserva do Exército, subordinam-se, juntamente com as polícias civis, aos Governadores dos Estados, do Distrito Federal e dos Territórios" ou seja, nada de subordinação ao exército.
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André Pereira da Silva - Cabo Frio(RJ) - 06/10/2010 - 04:05
É difícil acabar com o centenário militarismo policial no Brasil, até porque à ele se delegou a "força" necessária ao controle social. É essa mesma "força" que faz essa instituição resistir, e se perpetuar como força contrária ao cidadão e ao Estado Democrático de Direito. Uma força ilegítima, contrária à vontade do povo. Sob a ótica democrática, uma centenária aberração administrativa, cheia de ranço do império e da ditadura militar. Se o cumprimento das leis é do interesse do povo, esse mesmo povo (civil) deve cuidar disso, sem estar sob tutela militar. Polícia democrática é polícia civil.
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José Eduardo Bexiga - São Paulo(SP) - 08/10/2010 - 01:37
Pergunto ao Sr André Pereira da Silva: Se a Polícia Civil é a "polícia democrática" e a Polícia Militar é "cheia do ranço da ditadura", porque os símbolos da ditadura, DOPS, DOI-CODI, Dr. Fleury, Dr. Shibata eram todos da Polícia Civil??? E por qual motivo a referência nacional e latino-americana em direitos humanos e polícia comunitária brasileira é a Polícia Militar, e não a Civil (que aliás nada representa nesse campo)??? E o que quer dizer com "força ilegítima", se sua função está descrita na Constituição Cidadã, elaborada e referendada pelos representantes do povo??? Estranhas colocações, para não dizer absurdas... Grande abraço.
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André Pereira da Silva - Cabo Frio(RJ) - 09/10/2010 - 02:25
Entendo a indignação de Sr.José Eduardo Bexiga e a de muitos militares. De fato, a chamada "constituição cidadã" manteve alguns resquícios da ditadura: uma cláusula pétrea que ampara este ponto obscuro da nossa democracia. Porque isso passou? Sei lá! Creio que a (difícil) transição teve que ser negociada. Seria assim ou poderia haver um retrocesso...
Embora a constituição dê amparo legal à polícia militar (em pleno regime democrático), isso não faz dela uma instituição benéfica. Podemos pensar o mesmo quanto ao fato de terem existido outros órgãos a serviço da ditadura.
Muitas coisas não são legítimas, mas legitimadas em circunstâncias obscuras. A polícia militar é tão legítima quanto certos políticos de direita: eleitos para serem "representantes do povo", mas trabalham contra o povo.
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José Eduardo Bexiga - São Paulo(SP) - 11/10/2010 - 01:38
Sr André, creio que o sr tenha dificuldades em lidar com o debate democrático, pois encara perguntas simples como sinal de "indignação" e deixa de responder a todas as perguntas elaboradas. Sobre os "outros órgãos a serviço da ditadura", um deles o senhor elogia como símbolo da "democracia", e não cita o trabalho de polícia comunitária realizado pela Polícia Militar, elogiado e seguido por diversos países do mundo, isso pode caracterizar completo desconhecimento da história e da situação atual das polícias no Brasil, uma pena. Percebe-se que suas palavras não trazem qualquer fundamento técnico, e a última frase, de que "políticos de direita" não são legítimos representantes do povo mostram uma nítida tendência ao desrespeito aos preceitos democráticos. No meu entender todos os políticos, de esquerda, direita ou centro, merecem respeito por representarem parcelas da população brasileira, e entre qualquer ideologia existem políticos que deixam a desejar quando assumem cargos públicos, a história já nos mostrou que até em partidos que se fizeram baseados na ética e na moral existiam membros que usavam do poder para as mais sórdidas ações, e o caminho para sanar tais atos são os processos legais e a resposta nas urnas.
Por incrível que possa parecer, a Polícia Militar (que o sr destaca como "ilegítima") é uma das instituições que mais prima pela honestidade e pelo bom serviço à camada mais humilde da população, sem distinção de raça, credo, posição social ou ideologia política, ou seja, se mostra muito mais democrática que o próprio debatedor deste fórum.
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André Pereira da Silva - Cabo Frio(RJ) - 11/10/2010 - 11:48
Meu comentário responde as questões levantadas pelo Sr. José Eduardo Bexiga em seu comentário. As respostas estão lá, bem claras. Esse discurso que civil não entende de segurança é o discurso da militocracia. Alguns oficiais tentam fazer "marketing" visando criar uma boa imagem da polícia militar no atual regime democrático. O problema é que a maioria dos militares não entendem de marketing, muito menos de democracia... Leia A SEGURANÇA PÚBLICA NO ATUAL ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO http://culturadaseguranca.blogspot.com/2010/09/seguranca-publica-no-atual-estado.html
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José Eduardo Bexiga - São Paulo(SP) - 13/10/2010 - 10:45
Sr André, sou militar, entendo de Marketing, já que sou pós-graduado em Gestão empresarial, e sei perfeitamente que o assunto aqui tratado nada tem a ver com marketing. Não fiz qualquer pergunta a respeito da "boa" ou da "má" imagem de qualquer corporação, apenas aspectos técnicos, que o sr, infelizmente, não respondeu. Responder sobre a legitimidade de uma polícia com "sei lá" não é um argumento técnico, me desculpe a sinceridade. Também não respondeu como uma "polícia democrática" teria servido a uma ditadura... e tampouco citou a atuação da polícia comunitária no Brasil. Não há, de minha parte, qualquer discurso de que "civil não entende de segurança", apenas a constatação de que, por suas argumentações, aparentemente o senhor não demonstra muito conhecimento, me desculpe a sinceridade, mas falo como um profissional que trabalha e estuda o assunto há mais de 26 anos (inclusive com mestrado na área). Nada a ver com "militocracia", termo que, aliás, não existe na língua portuguesa. Grande abraço e disponha, se necessitar de qualquer informação séria sobre segurança pública.
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José Eduardo Bexiga - São Paulo(SP) - 13/10/2010 - 12:05
Sr André, para terminar, li o artig recomendado (de sua própria autoria) e percebi que ele traz erros crassos, mostrando desconhecimento sobre o que escreve. Traz erros históricos, quando diz que "A polícia militarizada foi criada pelo governo militar em 1977" e outros técnicos, em que diz "No Brasil, os crimes de policiais (militares) praticados no serviço público não são julgados por civis, mas por militares", já que os crimes dolosos contra a vida praticados por policiais militares são submetidos ao Tribunal do Juri. Também é ignorado completamente o fato de que o Tribunal Militar conta com juizes togados e promotores civis. O maior absurdo é afirmar que a polícia militar é preparada para uma guerra. Mostra total desconhecimento sobre a estrutura, o serviço e a formação dos policiais militares no Brasil. Sr. André, obrigado pela indicação do seu artigo, ao lê-lo percebi com maior clareza que estava correto na minha primeira impressão sobre seu (des)conhecimento sobre a polícia militar, e por isso me coloco à disposição para esclarecê-lo sobre a realidade dessa questão, se estiver interessado em estudar de verdade o tema. Grande abraço.
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André Pereira da Silva - Cabo Frio(RJ) - 13/10/2010 - 03:34
Percebo que eu estava correto ao entender que, pela sua postura, se tratava de um militar. A militocracia é um termo usado na sociologia. O senhor é um militar e eu um civil. É natural que o senhor queira me desqualificar. Entretanto, não creio ser utíl nos desqualificarmos mutuamente. Neste forum apenas buscamos soluções para a segurança da população civil - um problema que a militocracia não consegue resolver, sem causar danos à democracia.
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José Eduardo Bexiga - São Paulo(SP) - 13/10/2010 - 05:18
Sr André, volto a repetir: tenho muitos amigos civis que entendem muito sobre segurança, com os quais já realizei inúmeros trabalhos profícuos e úteis à sociedade. No seu caso, não tento desqualificá-lo por ser civil, muito pelo contrário, apenas demonstrei erros básicos em conceitos que defende. Dessa forma fica muito difícil tentar se buscar "soluções para a segurança da população civil", sem perceber que essa frase, por si só já é eivada de preconceito e discriminação. Será que, ao seu ver, uma pessoa que, como eu, seja militar, não merece ter "segurança"??? Num estado democrático não seria o correto buscar soluções para a segurança DE TODOS? Conceitos como esse é que causam danos enormes à democracia. A Polícia Militar de São Paulo atende centenas de chamados todos os dias, sejam os necessitados pobres, ricos, negros, indígenas, caucasianos, militantes de esquerda, de direita ou apolíticos. O Policial Militar arrisca sua vida (e às vezes a perde) para defender pessoas que sequer conhece. Os bombeiros militares se arriscam e salvam milhares de brasileiros todos os anos. Esses profissionais defendem a vida e a democracia com suas vidas, isso é um fato real. Quanto à oferta de conhecimento a respeito das polícias militares, continua de pé, pois é importante se conhecer pelo menos um pouco do que se fala. Não entenda isso como forma de desqualificação, muito ao contrário, é apenas uma constatação pela quantidade de erros nos seus comentários, fato comum quando pessoas se baseiam no "achismo" ou repetem fórmulas ouvidas sem muita precisão. Se até o grande filósofo Sócrates dizia "só sei que nada sei", sempre é tempo para se revisar o próprio desconhecimento e aprender algo. No caso pode ser útil, pois até para se falar mal de algo é importante conhecer pelo menos o mínimo sobre ele. Grande abraço.
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André Pereira da Silva - Cabo Frio(RJ) - 14/10/2010 - 03:20
De fato, existem muitos civis "entendidos em segurança" que não contrariam os interesses da militocracia. Aliás, agradeço muito seu convite para conhecer o quartel, mas não me sinto seguro para discutir questões democráticas dentro de um batalhão da PM. Já me basta o que vejo nas ruas, nos conselhos comunitários, como pensam e atuam os PMs... Sinceramente, lamento as mortes de policiais em serviço. Contudo, me preocupa o enorme número de civis mortos por "balas perdidas" e execuções sumárias. Acredite: quando a gestão da segurança pública deixar de ser militocrática e for inteiramente civil... quando os policiais deixarem de prevaricar... quando se deixarem a segurança privada e acabarem com as milícias... todos terão maior segurança. E o senhor também. Eu acredito nisso, e é por isso que estou lutando.
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José Eduardo Bexiga - São Paulo(SP) - 14/10/2010 - 01:02
Senhor André: Sou obrigado a encerrar aqui a minha conversa com o senhor, por motivos óbvios, não há de sua parte o interesse em se debater seriamente o assunto Segurança Pública, apenas jogar ao vento ofensas e impropérios, tão vazios quanto o tema "militocracia", utilizado com insistência pelo senhor com o sentido errôneo da palavra, que, ainda que seja um neologismo, já tinha um significado diverso daquele que insiste em utilizar. Quanto ao convite, não o fiz para "conhecer o quartel", mas sim para conhecer a legislação, os currículos, os treinamentos e os trabalhos de polícia comunitária, direitos humanos e gestão pela qualidade desenvolvidos pela PM, mas esses são assuntos que interessam somente a "entendidos em segurança", especialistas que estudam o fato com seriedade e sem bravatas sem sentido, como a que tem utilizado, tanto nos seus comentários aqui no fórum quanto nos seus "artigos" publicados na internet. Senhor André, não compensa mesmo continuar essa discussão, mesmo porque em todas as minhas mensagens trago FATOS, comprovados tecnicamente, e em resposta apenas são escritas palavras sem qualquer lógica. Qualquer pessoa com o mínimo de percepção sabe que "balas perdidas", "execuções sumárias" e "casos de prevaricação" não são exclusividade de instituições civis ou militares, e o simples fato de citar a desmilitarização como a panacéia para acabar com tais desvios mostra uma total dissociação com qualquer fator técnico ou minimamente sério. Aos demais integrantes do fórum, peço desculpas por ter-me alongado tanto nesta discussão, mas basta ler o que foi publicado até agora para perceber o fato interessantíssimo de que um militar defende a democracia, o conhecimento técnico, a legislação brasileira, a polícia comunitária e a quebra de preconceitos e discriminações, enquanto o outro lado se baseia em mentiras, falácias e o apelo anti-democrático. Grande abraço a todos.
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André Pereira da Silva - Cabo Frio(RJ) - 15/10/2010 - 12:23
Não estou aqui para ofender ninguém e nem para concordar com tudo. Contudo, basta discordar de militares para que eles se sintam ofendidos; passem a exibir suas patentes e neutralizar (desqualificar, aniquilar) os opositores...
Quero apenas dizer o que penso, no interesse de colaborar nas questões de Segurança Pública e Privada, se é que podemos fazer essa distinção.
O Rio de Janeiro e outros Estados da União têm muitos oficiais graduados e pós-graduados. Os municípios têm militares no comando das guardas municiais. Militares também estão infiltrados nas empresas privadas, numa espécie de “monopólio” na área da Segurança. Porém, o fato relevante é que essa Segurança está péssima.
A insegurança pública é visível, e isto não se precisa provar. O problema é institucional. A militocracia está oculta, mas qualquer civil pode perceber sua existência e, de certo modo, ser obrigado a obedecer as suas “leis”. Ela é a organização dentro do caos. Isso precisa acabar!
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Alessandro Rezende da Silva - Brasília(DF) - 15/10/2010 - 04:06
Prezado senhor José Eduardo Bexiga, desculpe-me o atraso na resposta, mas nao entendo a proposta quando da negativa do senhor em relaçao a subordinaçao das PMs ao Exército. Deixo a pergunta: se nao há uma subordinaçao (direta) porque continua existindo a Inspetoria Geral das Polícias Militares, IGPM, órgao fiscalizador e comandado por um general do Exército Brasileiro???
Sei que o senhor tentará desqualificar a pergunta, o que é salutar em um Estado Democrático, mas se as polícias nao recebem os generais para a fiscalizaçao o que isso poderia acontecer??? Isso nao é um tipo de subordinaçao indireta ou direta.
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José Eduardo Bexiga - São Paulo(SP) - 15/10/2010 - 09:35
Pois eu explico claramente: As IGPM, em tempos anteriores (constituição federal anterior) regulavam toda a operação das Polícias Militares, inclusive havia a figura das inspeções às Unidades das PM estaduais. Hoje em dia isso já não existe, não há subordinação, não há inspeções. As IGPM basicamente cuidam e controlam a quantidade de armas permitidas a cada Corporação, e o uso das munições. Cada Polícia Militar tem, por exemplo, um número de fuzis, armamento de uso exclusivo das FFAA, para uso em situações especiais. As IGPM controlam esse tipo de armamento, ou seja, o papel é de fiscalização daquilo que é de competência exclusiva das FFAA. Espero ter dirimido sua dúvida. Grande abraço.
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José Eduardo Bexiga - São Paulo(SP) - 15/10/2010 - 09:36
Quanto ao seu pensamento de que eu iria "desqualificar a pergunta", isso é apenas mais uma demonstração do preconceito que os militares sofrem em alguns meios, este aqui do fórum, por exemplo.
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André Pereira da Silva - Cabo Frio(RJ) - 17/10/2010 - 01:00
Prezada Juliana Vinuto. A atual identificação dos participantes deste fórum não faz qualquer distinção entre civis e militares. Percebo que muitos participantes são militares, embora emitam opiniões como se fossem de civis. Isso confunde os visitantes, leitores das opiniões. O fato é que Militares tem interesses diversos de Civis nas questões da Segurança Pública e Privada. Com base nessa constatação, SUGIRO que todos os participantes, ao emitirem suas opiniões, se identifiquem como CIVIS ou MILITARES, obrigatoriamente. Sei que isso seria algo difícil de fiscalizar. Entretanto, creio que essa SUGESTÃO aumentaria, e muito, o discernimento das questões apresentadas neste fórum.
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José Eduardo Bexiga - São Paulo(SP) - 18/10/2010 - 11:15
Aconselho às pessoas que não conseguem conviver com diferentes e diferenças que procurem espaços próprios para seus grupos. O Fórum aqui se chama "Fórum Brasileiro de Segurança Pública" e policiais militares são integrantes dessa atividade, pela lei brasileira. Sou profissional de segurança pública e sou brasileiro, e penso que minha opinião tem tanto valor quanto as opiniões de qualquer pessoa, negro, branco, capitalista, comunista, de direita ou de esquerda. Democracia é assim, embora nem todos gostem.
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José Eduardo Bexiga - São Paulo(SP) - 18/10/2010 - 11:17
Aliás, se alguém puder me explicar o que significaria "emitir opiniões como se fossem de civis" eu gostaria, sinceramente, de entender. Será que militares são seres extraterrestres, e deveriam falar de maneira diferente?
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Juliana Vinuto - Barueri(SP) - 19/10/2010 - 01:12
O Fórum é um espaço plural de diálogo, que reúne policiais e não policiais preocupados com a segurança pública no país. Não é objetivo do Fórum segmentar o debate, mas criar as condições para que ele aconteça, e por isso a identificação dos autores é facultativa. O que eu sugiro é que você escreva um artigo indicando a importância dessa identificação em nosso site, de forma a permitir que todos se manifestem sobre a sua idéia.
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André Pereira da Silva - Cabo Frio(RJ) - 20/10/2010 - 11:59
Lamentavelmente, percebo que este fórum reúne muito mais policiais que cidadãos. Muito mais policiais militares que civis. Nas questões de Segurança o cidadão só pode mesmo é ficar abaixado, para não ser atingido.
O cidadão, aquele a quem deveria ser destinada a tão falada Segurança, está sendo colocado à margem das discussões: ora é acusado por “especialistas” de ser leigo, de não entender do assunto, motivo pelo qual ele deve ficar calado e se afastar do debate. Ou, pior: aceitar de cabeça baixa as condições impostas pela militocracia.
O problema é que a organização militar é responsável pela situação deplorável da Segurança Pública. Militares defendem seu espaço na Segurança Pública para garantirem seus interesses no setor da Segurança Privada: bicos e serviços clandestinos acobertados por oficiais de alta patente, que também se beneficiam dos valores arrecadados em atividades ilegais. Será que ninguém nunca ouviu falar em milícias? Será que eu vou ter que explicar como isso funciona e como isso afeta a sociedade civil?
O debate já está segmentado por interesses. Seria útil criar um debate sem a participação civil ou, mantê-la subjugada aos interesses militares? Seria mais um “faz de conta” com jeito democrático?
De fato, eu posso estar assumindo algum risco pessoal ao expor, de modo mais contundente, tal fato. Contudo, é preciso assegurar uma participação civil mais legítima, que não esteja contaminada por militares infiltrados nesta categoria. Estrategicamente, os militares estão misturando suas opiniões com as de civis. O Militar é um funcionário público, que deve sempre se identificar. O anonimato deveria ser dado somente aos civis.
Compreendo as dificuldades para se controlar tudo isto. Mas, para que este fórum seja mais democrático é preciso criar um ambiente mais seguro para civis emitirem opiniões, mesmo contrárias aos interesses dos militares. Afinal, eles estão pelas ruas, com as armas na mão (e um tribunal só para eles).
Cidadãos civis devem ser tratados com respeito, e não serem humilhados e expulsos dos debates. Alerta: este fórum está com a tendência de criar um pensamento único, comandado por uma hierarquia militar.
Repito: Polícia democrática é polícia civil.
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Alexandra Valéria Vicente da Silva - Rio de Janeiro(RJ) - 24/10/2010 - 04:55
Prezado André,
É com muito interesse que tem acompanhado os comentários surgidos a partir do artigo que escrevi. Percebo que o tema "desmilitarização" tem provocado muitas reações em áreas distintas da sociedade - fato bem divulgado na CONSEG. Contudo, lendo as últimas observações me senti "obrigada" a manifestar-me, pois acredito que, como eu, todos que aqui postam seus comentários desejam um "hoje" e um "amanhã" bem melhor para toda humanidade. Ou seja, entendo que todos que "seguem" este fórum querem contribuir para a construção de uma sociedade com menos sofrimento, violência, fome, guerras... Onde exista mais respeito e tolerância!
Sou psicóloga e integro o quadro de psicólogos da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro (PMERJ). Essa situação (de policial militar), "impensável" há alguns anos (para mim), é percebida atualmente com muita responsabilidade e compromisso para com essa instituição e com os muitos policiais que me procuram. Sabe o que descobri quando ingressei na Corporação? Para meu "espanto" policial era "gente"! Eles sofriam!Tinham dívidas com o banco! Tinham família, filhos, esposa/ marido... É claro que alguns policiais tinham mais de uma esposa... Mais isso é outro assunto. O importante foi que percebi que meu trabalho seria necessário e, que como muitas outras organizações/instituições, a corporação apresentava aspectos positivos e negativos.
Quando escrevi o artigo de modo algum pretendi "erguer a bandeira" do "fim das policias militares"! No momento atual do país acreditar que tal movimento resolva os problemas da segurança seria muita ingenuidade minha! A idéia era levantar discussões e reflexões a respeito do que na atualidade vem se falando sobre esse tema, ou seja, o fim das policias militares como solução para todas as mazelas vivenciadas pela sociedade no que se refere a segurança pública! Pensar assim poderia implicar em colocar em seu lugar "alguma coisa" bem mais “perigosa”, e que sem a “capa” do militarismo, seria bem menos visível! Como coloquei no artigo, o perigo é retirar o “visível” e manter o “dito” com outra roupagem! Por isso a importância de se pensar o “modelo de polícia” que se quer e o papel das polícias para Estado (partindo-se do pressuposto que seja um Estado comprometido com a promoção da cidadania!). Entendo quem as policias tem sido colocadas há anos apenas como aparelhos repressivos (ideológico?) do Estado, que foram literalmente esquecidas pela esquerda (traumas?) e ignoradas pela direita, o que fez com que se transformassem em um grande “monstrengo” sem filiação! (quem quer filho feio?). Mas percebo também que, apesar de todas as dificuldades históricas, políticas, econômicas, sociais e individuais, muitas pessoas estão se movimentando para “domar” e “entender” esse monstrengo! E não importa se são civis ou militares! O que existe são cidadãos que ocupam na sociedade um cargo militar ou não, e que querem melhorar os serviços oferecidos pelas organizações, bem como, aproxima-la (policias) da sociedade.
Estou colocando essas observações, pois é lamentável observar pessoas que parecem portadoras de muitos conhecimentos e dispostas a trabalhar para a melhoria da segurança pública no país reforçando estereótipos, e repetindo discursos que apenas servem para estagnar qualquer proposta séria de reformulação das policias. Afirmar que neste Fórum participam “muitos mais policiais do que cidadãos”, que policiais militares “emitem opiniões como se fossem civis”, e que “militar deve sempre se identificar”, infelizmente não contribui para uma mudança de paradigmas nas instituições policias, não favorece a construção de uma polícia que se pretenda promotora da Cidadania/ Direitos Humanos! Tal discurso apresenta-se muito mais autoritário do que o próprio modelo organizacional militar! Talvez porque muitos militares confundam militarismo com autoritarismo e falta de respeito aos subordinados e aos cidadãos! O que faria com que, as pessoas colocassem em uma única “panela”, o militarismo, o autoritarismo, a arrogância, o desrespeito...
Acredito que o debate é sempre importante, contudo deve-se estar atento para justificativas que tentamos legitimar.
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José Eduardo Bexiga - São Paulo(SP) - 27/10/2010 - 08:57
Juliana, o fato é exatamente esse: O Sr André não consegue conviver com diferenças e, pior, não respondeu sequer uma das questões sobre os erros que escreveu sobre a questão aqui discutida.
A sgurança no Brasil só melhorará quando o debate for pautado em fatos e em verdades, não em falácias. Não importa se civis ou miltares, profissionais de segurança ou leigos, mas as pessoas devem usar a inteligência e o bom senso, quem não consegue conviver com a democracia jamais saberá participar de debates profícuos, apenas ficará jogando impropérios ao léu.
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André Pereira da Silva - Cabo Frio(RJ) - 28/10/2010 - 12:57
Qualquer pessoa que não seja ligada à militocracia será (des)tratado e afastado dos debates pelos militares "entendidos" e "especialistas", que estão há 200 anos no setor da segurança, fazendo mais parte do problema que da solução. Isso é o que impede a verdadeira mudança na segurança, o complemento que deve vir da sociedade civil. O militarismo já deu o que tinha que dar na Segurança Pública e Privada. Se não houver parceria com a sociedade civil - a destinatária da segurança pública - tudo vai continuar como está. Talvez seja isso mesmo o que querem os militares temerosos em perder a posição de "experientes"; em perder os "bicos" na segurança privada e cargos públicos municipais. Porque é que não se pode civilizar a policia militar, e torná-la uma polícia cidadã de verdade? A militocracia quer manter seus interesses no setor, mas a sociedade precisa de uma polícia que respeite os direitos humanos, os direitos individuais, a liberdade e a democracia...
Obs.: A militocracia na Segurança é um fenômeno brasileiro, e não existe somente no Estado de São Paulo.
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André Pereira da Silva - Cabo Frio(RJ) - 28/10/2010 - 01:12
Dra. Alexandra Valéria Vicente da Silva, não seria bom transformar toda essa gente (os policiais militares) em gente como todo mundo? Em gente como a gente, que tem que respeitar o mesmo código penal, o mesmo tribunal. Gente que pode ter opinião e liberdade civil. Policiais livres, não servos da militocracia? Se possível responda como psicóloga, não como policial militar.
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José Eduardo Bexiga - São Paulo(SP) - 28/10/2010 - 01:48
Sr André, responda-me, os policiais militares não respondem ao Código Penal? Os crimes dolosos contra a vida, cometidos por policiais militares são julgados por quem? Quais direitos civis os policiais militares não têm? por acaso seria o "anonimato", que segundo o senhor "deveria ser dado somente aos civis"??? Outra pergunta, qual a polícia do Brasil com maior reconhecimento (internacional inclusive) em termos de policiamento comunitário? Respostas simples e objetivas seriam bem vindas.
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Alexandra Valéria Vicente da Silva - Rio de Janeiro(RJ) - 28/10/2010 - 03:48
Caro André,
A resposta direta á sua pergunta é sim! Realmente seria muito bom um policial da cidade do Rio de Janeiro não ser obrigado a estender sua jornada em mais de 24h (caso alguma ocorrência aconteça no final do seu expediente), seria muito bom que ele recebesse as horas extras trabalhadas. Seria muito bom que as praças (soldados, cabos e sargentos) fossem tratados com mais respeito por seus superiores e, não avaliadas intelectualmente pela sua patente. Seria muito bom se alguns médicos militares acreditassem quando ele (o policial com menor patente) diz estar sentindo dores, ou não ter condições emocionais para trabalhar. Seria muito bom que o policial não precisasse juntar os pedaços (massa encefálica, coração, perna, braço) do colega atingido por tiro de fuzil ao seu lado e, depois levar a farda para ser lavada em casa, por sua esposa, que tem que “secar” a farda dentro de casa, pois ninguém na vizinhança (ele mora em uma comunidade) pode saber sua profissão.
Sim André! Sou contra toda essa arrogância, esse autoritarismo e abuso que, muitas vezes acompanham o modelo militar. Sei que muitos policiais (praças e oficiais) reproduzem em casa (a família também sente!) e na sociedade comportamentos e ações totalmente incompatíveis com uma polícia que se pretenda promotora dos Direitos Humanos. Sei ainda que, nesses casos, o modelo organizacional militar expulsa, na grande maioria das vezes, apenas a praça, nunca um oficial é expulso tão rapidamente quanta a praça! Mesmos direitos? Quem está na “ponta”, em contato direto com a população não tem privilégios! Não sei se você sabe, mas para expulsar uma praça o processo é “bem rápido”! Porém, se a pessoa for absolvida na justiça comum, o juiz determina que ela seja reintegrada.
Por tudo isso que relatei, afirmo: sim, sou a favor da desmilitarização! Bem como, a favor do ciclo completo de polícia! É necessário acabar com essa esquizofrenia nas policiais. Até mesmo por que, as duas policias já se encontram caminhando para isso, é só observar. Contudo, repito acabar com a farda, “rasgar” o RDPM, “cortar” relações com exército, e retirar o termo “militar” não torna uma polícia mais civilizada! Não faz com que o policial pare de achaca, que se torne “gente como todo mundo”, que seja honesto, educado e, principalmente, que seja responsabilizado por seus atos abusivos.
Desmilitarizar implica em mudança de subjetividade: dentro e fora da organização policial. Por isso a importância em discutir o tema, para que não corremos o risco de nos “livrarmos” do militar e ver surgir em seu lugar algo muito parecido, mas respaldado pelo sobrenome civil.
Entendo que seja possível, mas certamente não no atual momento da história do país, caminhar para uma desmilitarização, bem como para o ciclo completo de polícia. Mas sei que isso também implica em uma mudança de paradigmas na segurança pública (ou seja, invés de uma polícia ostensivamente repressiva, é necessário entender a importância do trabalho policial para a promoção da cidadania – em muitas comunidades o Estado só se faz presente através da polícia, principalmente a militar).
A pesquisa feita pelo prof. Luiz Eduardo Soares com profissionais de segurança de todo país (através da SENASP) mostrou (o que muitos em contato principalmente com as praças já sabem!) que a maioria dos policiais militares é a favor da desmilitarização!
Ou seja, a organização militar como é estruturada na atualidade não é percebida de modo positivo pelos próprios policiais militares! Mas o que incomoda o policial não é a “hierarquia”, mas sim, a falta de respeito com que são tratados por seus superiores, que confundem a organização militar com despotismo, arrogância, abuso... Sim, isto tem que acabar! Mas temos que pensar muito bem a respeito do que será colocado em seu lugar. Por isso a importância do diálogo entre policiais e não policiais.
Percebo um grande movimento de aproximação entre as organizações policiais militares e a academia. É significativa a presença de sociólogos, antropólogos, cientistas políticos, psicólogos, pedagogos e educadores civis em diálogo com a corporação em variados setores, bem como, vem aumentando o número de policias em busca de especializações nessas áreas.
Tomo a liberdade em dizer que, talvez eu entenda a sua preocupação/ ansiedade em vivenciar uma polícia militar “mais humana” (isso também é importante para mim: enquanto profissional da segurança pública e como usuária dos seus serviços), mas entenda, para isso é necessário sentar, conversar, ceder, ser firme, trocar... Não pode existir violência como justificativa para se estabelecer uma polícia “mais humana” (Do mesmo modo que a barbárie não pode ser justificada pelos Direitos Humanos).
Bem, não sei se consegui responder sua pergunta. Qualquer coisa e caso você queira, podemos continuar conversando.
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André Pereira da Silva - Cabo Frio(RJ) - 30/10/2010 - 11:46
Muito obrigado por sua resposta sincera. É por isso que tenho esperança no sexo feminino. De fato, a segurança é o resultado de um conjunto de medidas. Na segurança não existe medida absoluta, que resolva todos os problemas... Não é só trocar o nome da polícia militar para civil... De fato, a sociedade civil já compreende que a administração militar da polícia é arcaica e incompatível com a democracia. Que, portanto, a extinção desse modelo é necessária. Contudo, as polícias não "caminham" para a unificação. A militocracia resiste, não quer a "civilização" democrática. Sem a hierarquia militar, sem soldados robotizados, os déspotas não comandam o esquema paralelo da renda informal, advinda de uma cultura de opressão e de extorsão. A sociedade civil precisa se impor perante esse problema. Embora pressionados por ameaças e propinas, alguns parlamentares já estão se movimentando para atender o anseio popular.
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