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Ivenio Hermes Júnior
Rio de Janeiro
Pós-graduando em Gestão e Políticas em Segurança Pública. Graduando em Direito.
Em seu texto titulado “A Fragilidade do Aparelho da Segurança Pública”, você trata especificamente da ação policial. Se considerar um todo, qual é a maior fragilidade que enfrentamos na temática?
Como regra geral, percebo que um de nossos maiores problemas é a falta de investimento igualitário em todas as polícias estaduais, não há uma gestão unificada que vise aparelhar todas essas forças de modo a se obter a mesma padronização de procedimentos em todo país.
A SENASP, através de sua matriz curricular, têm empreendido esforços e oferecer treinamento para todos através do Ensino à Distância, mas ainda há necessidade de divulgação no âmbito dos estados ou de uma de conscientização dos policiais para que eles busquem e valorizem esse treinamento.
Não vejo o mesmo investimento que há no sul e sudeste acontecer nas regiões norte e principalmente no nordeste. Em minha pesquisa observo que a polícia judiciária é a mais afetada, com quadro pessoal defasado, falta de treinamento, falta de equipamento e falta de renovação do quadro funcional. Em vários estados, o número de delegados, agentes e escrivães de polícia civil não consegue atender a demanda dos crimes.
Em muitas unidades da federação, policiais civis trabalham com armamentos ultrapassados, sem coletes balísticos e sem um salário adequado ao grau de risco a que são submetidos. Somando a essa situação desgastante, a administração pública, para dar uma aparente solução, utiliza policiais militares para fazer serviço de delegados, agentes e escrivães, de tal forma que em muitos municípios a população nem conhece a polícia judiciária ou não distingue suas atribuições.
A polícia científica está desaparelhada, sem condições de realizar um trabalho tão necessário para o andamento dos inquéritos policiais e enfim para elucidação de crimes.
Tudo isso fragiliza o aparelho da segurança pública, cujos serviços tão importantes para a sociedade são praticamente inexpressivos.
Você conclui no seu texto da seguinte maneira: “Diante desse pouco sucesso das ações policiais direcionadas para o combate ao crime organizado, os policiais se percebem esquecidos, pois não recebem treinamento regular, não sentem a renovação da sua formação e se automatizam na prática da mesmice cotidiana sem resultados.” Como você acha que pode ser revertida essa situação a fim de resultados de progresso?
Com já inclusive abordei em outros textos, os policiais precisam ser e se sentirem motivados, precisam se libertar do estigma de trabalhar apenas reativamente.
O ensino policial, o treinamento continuado e a constante revisão de técnicas de trabalho, trazem para o operador de segurança pública uma motivação a mais. Quando isso acontece, eles se sentem inseridos nas mudanças que estão acontecendo no país, trocam ideias com companheiros de trabalho num ambiente de ensino, interagem com novas formas de ação e isso os leva a um sentimento renovador de estarem preparados para novas e inovadoras abordagens no serviço que desempenham.
Além disso, o ensino é doutrinário, ele muda a percepção do policial sobre o meio em que ele vive e atua, deixando mais racional para entender que muitas das soluções que a sociedade demanda, estão na qualificação do serviço que eles prestam.
Quando os governos estaduais perceberem que uma polícia bem treinada mostrará melhores resultados na prestação de serviços, pois estará preparada para a diversidade de situações que possa encontrar, teremos o caminho para a excelência do aparelho policial quase completamente percorrido e poderemos vislumbrar novas ações.
Você é um novo associado do Fórum. O que te levou a associar-se? Onde você acha que o Fórum pode alterar esse quadro buscando amenizar a insegurança?
Não me considero um novo associado, pois publico textos desde 2010 no Fórum. Entretanto, ao perceber a evolução do Fórum me senti ainda mais motivado a me associar definitivamente.
O Fórum Brasileiro de Segurança Pública é uma ferramenta atual e de profundidade para mudanças no cenário das políticas e gestão em segurança pública. Os artigos aqui publicados possuem a penetração necessária para apontar soluções para os problemas enfrentados no Brasil e em cada instituição do aparelho policial. É aqui que novas ideias são sugeridas, novas ações são abordadas, assuntos diversos são trazidos à pauta e uma verdadeira produção acadêmica é gerada.
Todo conhecimento aqui produzido é lido por milhares de pessoas, o Fórum ainda se preocupa em levar essa produção a outras mídias como a publicação de revista própria, além de parcerias com outras revistas e meios de divulgação. Essa produção intelectual certamente levará nosso país a melhorias sensíveis que contribuirão para a diminuição da sensação de insegurança que se vive atualmente.
Antes de se associar e pertencer mais “intimamente” ao Fórum Brasileiro de Segurança Pública, qual era sua ideia sobre o Fórum?
Sempre vi o Fórum como a ferramenta inovadora que mencionei antes, sempre percebi seu potencial para a divulgação de conhecimento acadêmico/científico com capacidade para substanciar melhorias na segurança pública brasileira e latino-americana. Certa vez um dos meus mentores em direito e segurança pública leu um texto meu e me motivou a publicá-lo aqui, e assim o fiz.
Meu texto repercutiu, recebi emails, e com o tempo até criei um blog para postar outros textos sem o direcionamento para a segurança pública. Assim, o que eu pensava antes se afirmou e se concretizou mais firmemente, o Fórum Brasileiro de Segurança Pública é o ambiente ideal para divulgação de ideias e informações, é o local ideal para a criação de saberes que farão voz ativa na nova sociedade igualitária, justa e segura que todos desejamos.
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