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Mensagem em Ouvidos Errados
Ivenio Hermes Junior - Rio de Janeiro(RJ) - 13/01/2012
A rádio-comunicação sem segurança
                 Há bastante tempo as corporações de segurança vêm combatendo o uso indevido de rádios amadores com frequência alterada nos canais para a captação dos canais utilizados pela polícia. Um prática comum adotada pela Polícia Rodoviária Federal é a busca veicular em veículos para descobrir rádios sem registros ou com freqüências proibidas. Todas as polícias têm empreendido esforços na busca de soluções nesse sentido, pois o monitoramento das comunicações se apresenta como um sério problema que além de colocar em risco a segurança de uma operação, também põe em risco a vida de policiais e civis.

                 Mas hoje não há somente o perigo do rádio-amador móvel, há a interceptação de sinais e também uma verdadeira montagem de estações clandestinas para propagar para ouvidos errados as comunicações de segurança.

                 O problema foi se agravando com o advento de produtos oriundos do Paraguai e outros locais de revenda de produtos importados sem procedência regular. Existem aulas e tutoriais que a internet oferece inclusive com descrição técnica de peças para montagem e às vezes até onde adquiri-las. Sem mencionar os sites estrangeiros de pesquisa como WebCrawler, Ixquick, Exalead ou Voila (para não citar outros menos expressivos), basta digitar no Google o texto “como montar um rádio para captar a frequência da polícia” e surgirá mais de 94 mil resultados, mas apenas a primeira página da busca já será suficiente para conseguir toda informação para montar uma estação de rádio clandestina com capacidade para monitorar rádios do Samu, das polícias, e até de algumas estações das forças armadas.

                 Esses facilitadores ajudam criminosos experientes se anteciparem às ações policiais tornando o trabalho da polícia ostensiva, que mais utiliza esses canais de comunicação, um verdadeiro golpe de sorte.

                 O comprometimento das operações policiais levou muitos policiais dentre todas as corporações do Rio de Janeiro, a adquirirem às suas próprias custas aparelhos telefônicos que operassem como rádios-comunicadores de longa de distância, até mesmo porque o relevo daquele Estado bloqueia muito a propagação do sinal de transceptores comuns, pois não há muitas repetidoras, o que torna a comunicação entre unidades operacionais completamente obsoletas.

                 Durante os XV Jogos Pan-americanos realizados do Rio de Janeiro, novas viaturas e equipamentos de rádio foram adquiridos para as polícias. Esses novos rádios trouxeram consigo a vantagem de possuírem uma rede de comunicação entre as diversas forças policiais, assim, a Polícia Rodoviária Federal podia se comunicar com a Polícia Militar e Polícia Civil e todas elas entre si. Esse avanço, infelizmente durou pouco.

                 Como a vida média útil considerada pelos especialistas em veículos policiais ser de dois anos, quando as reposições começaram, não se levou mais em consideração essa comunicação interligada e assim, os técnicos em telemática não se interessaram mais em manter essa rede de troca informação e um retrocesso aconteceu.

                 Nosso ultrapassado modelo policial que contempla muitas unidades de polícia umas entrando nas competências e atribuições de outras ao invés de trabalharem de forma integrada e visando o bem comum que é proteger e servir a sociedade, está deixando de investir no combate ao vazamento de informações por rádio-difusão. Destarte, o crime cada vez mais organizado ganha um importante espaço para a ampliação de suas ações.

                 O combate rudimentar a esta prática ainda consiste na busca veicular, observação de antenas não registradas e buscas em locais suspeitos. Mas isso é correr atrás de um prejuízo que nunca será recuperado.

                 Atualmente, já existem soluções no mercado que podem ajudar muito o trabalho policial operacional e investigativo, soluções que não custam caro se forem praticadas objetivando o sucesso da ação policial. Os gestores de segurança pública podem buscar soluções na aquisição de palmtops para consulta de pessoas e veículos, na construção e integração de bancos de dados para fácil acesso dos agentes operacionais, montagem de repetidoras de sinais e de transceptores já disponíveis no mercado que possuem cifragem digital de rádio em dois sentidos de comunicação em bandas VHF/UHF, além de utilização de telefones com tecnologia Voip para uma telefonia também mais segura.

                 Os órgãos de segurança pública se conscientizar de que certos cuidados devem ser tomados para aquisição de material para a atividade policial, não adianta comprar viaturas baratas que não sejam diferentes de qualquer outro veículo particular, sem equipamentos adequados para o trabalho, contendo apenas o velho rádio e as luzes intermitentes como se isso bastasse para definir um veículo de polícia. Eles precisam realizar investimentos urgentes na aquisição de equipamento de rastreio de sinais e no treinamento de agentes com conhecimento de telemática para deixá-los aptos a diagnosticar, mapear e promover ações de combate a essa modalidade de crime.

                 Somente dentro desta atitude proativa, a atividade de segurança obterá uma eficácia bem estabelecida e ainda ficará mais protegida contra essa pirataria que equipa os criminosos com uma das armas mais letais: a informação!


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