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Violência e Liberdade
Armindo Eduardo Mello - Mogi das Cruzes(SP) - 10/02/2011
Violência
 
           Atualmente não possuímos algo que verdadeiramente nos seja disponível em seu sentido amplo, nosso por direito, e que seja inteiramente nosso, não mais somos capazes de ter, de possuir, de decidir a respeito do que queremos livremente e de adquirir algo sem a dura e angustiante realidade de os termos apenas para agregar a nossos sonhos uma enorme carga de frustrações.
          Nossas realizações pessoais e financeiras só servem para aumentarem os medos, para aumentarem a já comum sensação de insegurança, eles sim, estes sentimentos é que acabam por serem os reais senhores de nossas realizações, são eles que ditam e dimensionam o que podemos ser, usar, ter, vestir, comer, lugares por onde andar, o que pensar e com quem falar, o que evitar de dia e de noite, que amigos conversar, que escolas escolhemos, o lugar onde morar, a forma de nossas casas, o tempo de sairmos e o horário de entrarmos, como pagar ou cobrar nossas contas, como sair de casa e como retornar, determina o tempo de nossa ausência e por quanto tempo podemos ficar sem comunicação com nossos parentes e amigos, determina o que comeremos e até determina inconscientemente qual religião devemos ter, de que animais de estimação poderemos cuidar ou devemos ter, qual diversão estará disponível a nossa família, qual pagina de internet podemos acessar, quais caixas eletrônicos e em que horário podemos nos servir desta comodidade, determina por qual caminho devemos seguir até o trabalho, a escola ou ao supermercado, quanto tempo poderemos ficar com o mesmo numero telefônico, que horário podemos usar dos serviços públicos de transporte e consequentemente determina quais são as minguadas esperanças que devemos ter ou alimentar nas pessoas.
         Nossos sonhos, nossa necessidade de conforto, de bem estar estão mortos diante de tanta violência, que só não é maior que o pouco caso de nossos Deputados, Senadores, Juizes, Promotores e por aqueles abastados alienados que escravizam seus semelhantes ou vivem de vender nossas pequenas desgraças particulares em templos religiosos. 
        Trabalhamos pelo nosso melhor desconforto, não temos o essencial para o homem: A segurança. Verdadeiramente somos o premio de uma loteria nas mãos da impunidade, a chamada violência, ela que cobra um carro, uma casa, um relógio, um celular, correntinhas folheadas, carteiras, tênis ou uma nota de dois reais para não ter a pintura de seu carro riscado, esta violência cobra repetidamente a sua vida e a de seus entes queridos, tanto faz...
O injusto pagamento pelo sacrifício que muitas vezes fazemos apenas serve para aumentar a certeza desta insegurança e garantir o direito de sentir medo de perder, tudo através de uma violência gratuita e drogada que suportamos inexplicavelmente...
A violência tem dominado tudo, precisamos cobrar, fazer, responder, antes que nossos filhos desenvolvam a idéia e passem a entender que são eles os criminosos é que estão na vantagem, no lucro.... Precisamos dizer claramente: “Não queremos que o premio fique com o Bandido “ Queremos voltar a ser livres, estamos cansados desta forma de escravidão, bom isto é o que penso, e você?
Esta feliz em viver assim?
Se não fizer alguma diferença  esqueça esta mensagem, tenho certeza que no máximo em um ano se lembrará do que leu, querendo ou não ninguém escapa.

Arman Assan
(Armindo Mello)

1 Comentários
Prezado amigo, e pensar que tudo isso tão bem relatado pelo amigo, não passa de mera consequência do que é hoje a falta do centro de gravidade da sociedade, que é o nosso sistema judiciário, principalmente o penal. Vivemos num regime arcaico, defasado, antiquado, impune (pelo menos não de forma justa), quase que totalmente parcial, tendendo para aqueles que têm recursos para custear a melhor defesa (por um bom advogado), ainda que seja a criminalidade, pois as celas das delegacias estão cheias de ladrões de galinha, que nem sabem mais quando entraram e muito menos a idéia de saída, porque a justiça sempre passa direto pelo seu processo, já sob escombros de poeira e corroido pelas traças. Quando tivermos, meu amigo, uma justiça realmente justa, impositiva, imparcial e punitiva (quando necessária), aí a roda da gravidade voltará a girar (como no filme "o núcleo") e a sociedade voltará ao normal, pois a pessoas começarão a temer a justiça, antes de cometerem qualquer delito, seja doméstico, esportivo, urbano ou criminoso. E como você bem disse, também isso depende dos nossos senhores deputados, à quem em todas as eleições, desperdiçamos (como abestados) nossos votos de crédito sobre esses pobres coitados, que muitas explicações terão dar sobre tudo que fizeram, quando deixarem este mundo e muito provavelmente voltarão numa nova vida, em condição inversa, tendo eles que viver de aluguel social, abrigo, salário mínimo, condução deficitária, cara, apertada, debaixo de enchurrada, carro e casa sendo levado pela mesma, enfim, tudo que, pela falta de solidariedade, fizeram toda uma sociedade passar. Isso só acontecerá no dia que nós, os abestados, todos juntos, resolvermos sair da hibernação e acordar. Cobrar principalmente, entre milhões de outras coisas (porque não páram de aprontar), melhor qualificação para se ocupar uma cadeira tão cara naquele congresso; perda da blindagem política de não serem processados, perante renúncia e consequentemente manutenção do salário; impossibilidade arbitrária de aprovar os próprios salários ou aumento de verbas ou de qualquer mordomia, ficando autorização à cargo apenas do presidente da república; reforma do código e processo penal e com urgência. Sem isso, sem chance.
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