Content on this page requires a newer version of Adobe Flash Player.

Get Adobe Flash player


Dados da PNSP

Diagnóstico dos Sistemas Estaduais de Segurança Pública

Redes Sociais

Parcerias

Esse é o conteúdo alternativo

apoio

Esse é o conteúdo alternativo

Seja um Doador

Contribua e nos ajude a construir uma nova forma de falar sobre segurança pública no Brasil.

Boletim

Receba mensalmente nosso informativo com as notícias e os eventos mais importantes ligados ao Fórum Brasileiro de Segurança Pública
Artigos

Juventude e violência
Márcia ESTEVES DE CALAZANS - Porto Alegre(RS) - 06/05/2007
Estamos as voltas com a falta de um herói, quiçá com a coragem do ateniense, Teseu, para terminarmos com o alto tributo anual, qual seja a entrega de nossos jovens, para alimentar o insaciável minotauro?

Estudos sobre a evolução sócio-demográfica da população de 15 a 24 anos de idade no Brasil, têm nos mostrado que, ainda tendo em vista a importância social, política e cultural desse segmento no conjunto da sociedade, a morte destes jovens por causas externas vem crescendo a cada ano. Ao longo das duas últimas décadas do século XX, a quantidade de mortes por causas externas, (acidente de trânsito, suicídio, homicídio, entre outras) cresceu rapidamente nesta faixa etária. Segundo o Datasus, na última década do séc. XX, 112 mil jovens morreram assassinados.

Apesar da discussão atual sobre a necessidade de políticas públicas para juventudes, percebe-se a dificuldade de articulação de execução de programas especificos , com uma rede de apoio para enfrentamento destas questões. Estamos numa construção intrincada com diversas salas e passagens projetadas para que uma pessoa que adentre dificilmente possa descobrir a saída. Labirintos, evidentemente, não têm saída, a menos que encontremos o seu segredo, reconheçamos as suas encruzilhadas e tenhamos o fio que nos conduza por seus trajetos.

Lembramos que Teseu sabendo que a sua cidade deveria pagar a Creta imensurável tributo - sete rapazes e sete moças, para serem entregues ao Minotauro que se alimentava de carne humana, solicitou ser incluído entre eles. Encontrando-se com Ariadne, filha do rei Minos, Teseu, recebeu dela um novelo que deveria desenrolar ao entrar no labirinto, onde o Minotauro vivia encerrado, para encontrar a saída. Teseu adentrou o labirinto, matou o Minotauro e, com a ajuda do fio que desenrolara, encontrou o caminho de volta.

Temos desvendados alguns segredos, caminhos, mapeando possibilidades e limitações, sobretudo alertando para a necessidade de implementação de políticas governamentais, comunitárias ou empresariais e uma maior organização da sociedade civil em uma rede potente ,que contribua para a inserção social destes jovens.

Necessitamos da coragem de Teseu, do fio de Ariadne, de uma melhor capacidade de escuta para com estes jovens. A combinação da violência com a ausência de perspectivas para as juventudes tem revelado o efeito demográfico negativo de uma perda irreparável ao País. Enfim, enfrentemos o Minotauro!

3 Comentários
Pode ser obvio e algo que todos defendem, mas infelizmente ninguém parece acreditar nisso: o investimento nos jovens de hoje vai ajudar a combater a violência de amanhã. O Problema é que os políticos (pelo menos a maioria deles) não investem em programas para a juventude porque preferem investir em armamentos mais pesados para a polícia. Enquanto não se construir centros esportivos, culturais e educacionais para manter os jovens distantes da criminalidade, nós vamos continuar investindo, em vão, em novos equipamentos para as polícias.
Cara Márcia,

Creio que a atenção dada à juventude por parte das políticas públicas ainda é muito deficitária. Realmente a parcela jovem da população é a mais atingida pela violência e pela criminalidade em nosso país, seja por características próprias dos jovens, seja pelo contexto sócio-econômico do nosso país.

No entanto, eu ousaria ampliar a sua metáfora, e dizer que a segurança pública no país é esse enorme labirinto do Minotauro. A questão da juventude é apenas mais um dos enormes problemas que a segurança pública enfrenta no país, que nem por isso deixa de ser complexo e urgente.

O que me alegra é perceber a diversidade de áreas de pesquisa e atuação de toda a segurança pública: juventude, inteligência policial, finanças públicas, policiamento, guardas municipais, sistema penitenciário, etc. Um diálogo franco e aberto entre essas diversas áreas contribuirá cada dia mais para a melhoria de nossa segurança pública, e para o livre desenvolvimento pessoal e social de cada cidadão.
Desculpe, Márcia, mas o grande problema dessa "modernidade tardia" é que temos heróis demais e gente de menos, como já dizia o notável Fernando Pessoa. Concordo com você que o problema da juventude é severo. Já na década de 70 muito se falava sobre o fato de o Brasil ser um país de jovens, mas nesses trinta anos passados nada se fez em virtude disso. Temos hoje um país onde os jovens morrem muito e a expectativa de vida, paradoxalmente, aumenta. O Estatuto do Idoso que temos em vigor não é respeitado. Logo seremos um país de velhos desrespeitados porque não soubemos respeitar nossos jovens. E o pior de tudo: estamos, desgraçadamente, procurando mecanismos para colocar nossas crianças e adolescentes nas cadeias. Aí sim, seremos velhos, desrespeitados, desassistidos e odiados. Precisamos, antes que esse pobre mundinho se acabe, ter coragem de discutir problemas como a descriminalização do aborto e do consumo de entorpecentes. Um país que precisa de leis para ensinar respeito a crianças e adolescentes, idosos, gestantes, deficientes físicos e outros hipossuficientes não carece de políticas públicas. Carece de gente.
para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Fórum de Segurança Pública, e adicione seus comentários em seguida.