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Dominando a arma e o atirador
Cláudio Pinheiro Gomes - Campos dos Goytacazes(RJ) - 09/04/2008
Prezados(as)

PRELIMINARMENTE, creio que não como se pensar em Polícia se não pensarmos em uso (correto) de armas de fogo.
O USO DA ARMA DE FOGO é sempre indesejável, é a assumpção, pelo Poder Público, de sua falha, pois a prevenção deve ser sempre a meta primeira. Logo, se houve um tiro, do policial ou do criminoso, a prevenção falhou. O Estado falhou. A Polícia falhou.
INFELIZMENTE, não é possível atingir um grau de 100% de eficiência em matéria de prevenção. Talvez 50% já seja mera utopia. Sendo o último e o mais indesejável dos recursos, é o uso da arma de fogo aquele recurso capaz de salvar uma ou várias vidas que em situação normal estariam perdidas. É também capaz de tirar uma vida que em situação normal não deveria e não correria risco de ser tirada.
O POLICIAL DEVE ENTÃO conhecer plenamente sua arma. O ideal seria que em cada unidade policial, o agente dispusesse de um Stand com farto material (alvos, munições, etc.) para treinar quando quisesse, até que julgasse ter atingido a perfeição. Isso tudo para que não errasse naquele momento que pode ser único, mas decisivo em sua carreira e na vida de outras pessoas (inclusive na sua): o momento do tiro.
ATIRAR EM PAPELÃO é bom. Ajuda a conhecer a arma e porque não dizer, chega a ser uma atividade desestressante (outra vantagem do treinamento em larga escala). Mas o papelão não reage, não corre, não se esconde entre pessoas inocentes... Está lá para isso mesmo, para ser alvejado e, em caso de erro, o tiro pára na parede.
NÃO É O QUE ACONTECE NA VIDA REAL. O criminoso se esconde entre inocentes, atira neles para ocupar a Polícia em seu socorro, atira na Polícia quando tem oportunidade. O policial deveria ser um "Robocop", feito de titânio, mas não o é. É humano, de carne, osso e sangue, tem alma e tem medo de morrer. Diante de iminente perigo de vida, seu organismo se prepara para lutar ou correr (no caso lutar). Biologicamente, o corpo entende a luta em sua expressão física, a qual demanda força e concentra o sangue nos grandes grupos musculares, como peito, pernas e braços (músculos utilizados para correr ou lutar) em detrimento dos músculos periféricos, utilizado em trabalhos mais precisos, como atirar.
SE O POLICIAL NÃO TIVER CONSCIÊNCIA da redução de sua capacidade de atirar quando submetido ao estresse, atirará como no stand - e provavelmente errará!. Se conhecer essa reação (natural em qualquer pessoa normal) o policial buscará se abrigar, aplicar a respiração tática (que ajuda a controlar o stress e regular o fluxo sanguíneo) e então atirará, já em melhores condições de atingir o alvo e, sobretudo, com menores riscos à pessoas inocentes e aos seus companheiros.
NÃO SABIA DESSA DEFICIÊNCIA nesse nível de detalhes, sabia apenas (por experiência própria) que, em situação de combate, meu desempenho como atirador diminuia, mas não sabia o porquê e nem como contornar a situação. Treinamento nenhum na academia estudou a respeito. Vim saber somente nesse curso, ao ler nosso material. Quantos policiais também desconhecem o problema?

2 Comentários
Claudio, concordo com o seu artigo, porém quero apenas comentar algumas questões. Tão importante ou até mais, no momento do tiro policial é a avaliação da necessidade de tiro, não basta apenas saber atirar é preciso saber quando atirar, e o problema reside neste ponto, quando vc disse das alterações físicas, orgânicas e psicológicas a que o policial é submetido no momento de uma ocorrência, e principalmente se nesta ocorrência estiver acontecendo o revide armado, neste exato momento o policial tem frações de segundos para identificar o agressor da sociedade e avaliar se o seu disparo poderá acarretar a vitimização de inocentes que podem estar na linha de tiro, portanto durante as instruções de tiro, que devem ser constantes é preciso submeter o policial a altos níveis de stress e solictar do mesmo não apenas a qualidade do disparo mas sim a todo momento colocá-lo em situações em que junto com alvos atiráveis apareçam também alvos amigos e neutros, é preciso fazer com que o policial verbalize durante os procedimentos, não sei se vc já ouviu falar do método de tiro na preservação da vida "Metodo Giraldi", sou instrutor de tiro e a nossa polícia "PMES" utiliza este método na formação e atualização do efetivo. Este método vêm ao encontro do seu artigo, preparar o policial para o momento de uma ocorrência, para que ele em primeiro lugar se proteja para que possa protejer a sociedade e até mesmo se possível o próprio agressor.
Prezado Leonir:

Muito obrigado. Excelente seu comentário.
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