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Segurança Pública: depende de nós.
Romildo Alves Ferreira - Barra de São Francisco(ES) - 16/11/2008
Por muito tempo, em Barra de São Francisco-ES, viveu-se a concepção de que a segurança pública era obra específica do Estado, produzida a partir de seu braço armado, qual seja, a polícia que pelas nuances que permeiam sua atividade teve encarnada pela sociedade a representação viva dos paladinos da justiça, os defensores dos fracos e oprimidos. Na verdade, a história mostra que foi a polícia brasileira a principal opressora dos fracos e oprimidos. Sua origem está associada, meramente, à necessidade de proteção ao patrimônio das classes dominadoras ou dos interesses estatais, variando, assim, conforme o período da história.
Certo é que, quiçá, pelo fato de achar-se cercada de caráter belicoso, sempre representou, e muito bem, diga-se de passagem, uma imagem opressora e por vezes capaz de atrair para si toda e qualquer responsabilidade pelas medidas assecuratórias de proteção e restabelecimento da paz social. A pretexto de proteger, oprimiu e em nome da paz, ainda hoje, promove a guerra física e psicológica, sujeitando a sociedade às mais intensas atrocidades. A Polícia Brasileira nasceu há quase duzentos anos e os fundamentos sob os quais alicerçou a necessidade de sua existência, se postos assim, hodiernamente, inculcar-se-iam interesses escusos.
Fato é que, ainda hoje, A Polícia Brasileira continua a manter o seu aspecto patrimonialista e tendente a atender aos anseios de uma minoria que, de algum modo, exerce poderio, ainda que supostamente, em detrimento daquele que apresente menor robustez sociológica. É a Polícia forte para o mais fraco e fraca para o mais forte.
O pior de tudo isso é que nós, enquanto sociedade, também absorvemos certos aspectos inerentes à polícia. Somos seres eminentemente aguerridos e, por vezes, impetuosos. Nossa natureza é violenta. Afinal, quem nunca desejou a morte a alguém que, como o maníaco do parque, cometeu atrocidades a outrem? Olho por olho, dente por dente. A lei de Talião, ainda hoje, se mostra viva e aparentemente apropriada à solução dos problemas relacionados ao comportamento social. Ademais, como nos primórdios da criação do aparato policial, no Brasil, a avidez do privado parece prevalecer em detrimento do interesse público. Afinal de contas, diante de criminosos violentos e autores de barbáries, todos querem uma ação violenta do Estado, como resposta, porém, quando o agente infrator de algum modo acha-se ligado por algum tipo de afinidade a nós, o sentimento é diferente, afinal, "todos cometem erros", num discurso hipócrita de que "quem nunca errou atire a primeira pedra".
A Polícia brasileira é o retrato fiel da sociedade da qual foi originada. Seu comportamento varia, de acordo com seu interesse momentâneo e, ainda, inversamente proporcional ao seu opositor. Reafirmo: É a polícia forte para os fracos e fraca para os fortes. Tal assertiva pode ser confrontada pelos índices estatísticos reveladores do tendencioso sistema carcerário, no Brasil. Mais de 90º% de nossa população carcerária revelam pobreza, por sua condição social. Dentre estes, a maioria é de origem negra, o que, além de tudo, denota o caráter discriminatório do aparato estatal, quando o assunto é segurança pública.
Por fim, nos países democráticos (na verdadeira acepção da palavra), a segurança pública é tratada com desvelo e profissionalismo. Lá, segurança não está associada meramente a homens armados e que ostentam sua bravura solidificada em uma farda que, muitas vezes, exercem efeito contrário, amedrontando quem deveria proteger. Polícia não é segurança pública, nem aqui, nem em qualquer outro lugar. Antes, por vezes, ela própria se incumbe de fragmentar a ordem pública, quando deveria manuteni-la. A polícia é apenas uma voz, no grande coral da segurança pública, já dizia o Ten Cel Júlio Cezar Costa, um dos idealizadores da polícia Interativa, no Estado do Espírito Santo.
A comunidade francisquense, representada por membros de diversos segmentos societais, reuniu-se com a Polícia Militar por cerca de um mês, discutindo e conhecendo os mais modernos conceitos da policiologia mundial, principiados na Polícia Democrática e consubstanciada na Polícia Interativa, experiência que outrora deu certo em Guaçui-ES e, alhures, continua a sustentar-se como o avanço necessário para que a instituição policial vença as disparidades retratadas pela perda de sua identidade com a sociedade, essa sim, cada vez mais cidadã. A utilização das modernas ferramentas accountability e civilian oversight pelo Conselho de Segurança Municipal é uma realidade e tem alcançado ótimos resultados, sobretudo, na solidificação da relação entre a Polícia e a comunidade.
A partir de estudos científicos do crime de forma localizada, aliado a um pormenorizado detalhamento do atípico terreno, considerando-se a sua geografia criminal, a área urbana do município foi dividida em Células Interativas, cuja operacionalidade terá comandamento único e independência em suas ações, dentro da esfera de suas atribuições. O comando dessas células será exercido por um graduado que, além do efetivo necessário, terá uma viatura. A sede de cada célula será um SAC -Serviço de Atendimento ao Cidadão -onde a comunidade local encontrará apoio necessário, além de servir como referência, posto que cada SAC, além de padronizado, situar-se-á em local de fácil acesso e localização.
O conglomerado que compõe o projeto do Policiamento Democrático implementado em Barra de São Francisco, Espírito Santo, está solidificado de forma pormenorizada na Planta de Policiamento Ostensivo e eletrônico (PPOE), criada, de forma inédita e que permitirá, em curto e médio prazo, a redução dos altos indicadores de violência criminalizada que hoje são uma realidade, no município.
O Policiamento Eletrônico, diferentemente de vigilância, consiste em monitoramento, em tempo real, dos principais pontos da área urbana, através de câmeras de altíssima resolução e longo alcance de visibilidade, sendo controladas por policiais devidamente treinados. Todas as imagens são armazenadas em equipamento de alta capacidade e estudadas pelo serviço de inteligência da Unidade.
O inovador projeto encontra respaldo no Plano Estratégico desenvolvido pela PMES, tendo como meta, seu cumprimento no período compreendido entre os anos de 2005 e 2009. Sua aplicabilidade acha-se fincada nos conceitos de policiamento democrático, através da Polícia Interativa.
Cremos que novos tempos estamos vivendo na "Sentinela Capixaba". Tempos de consolidação dos sonhos, onde a realidade de uma sociedade mais justa e rodeada pelos muros da tranqüilidade pública não seja meramente quimera, sonho de verão. Temos por certo que a sociedade francisquense deu um importante passo na busca da democracia, solidificada por meio de governanças, praticadas pelas autoridades políticas em conformidade com segmentos societais diversos e comprometidos com o bem estar social.
Enfim, acreditamos que muitos virão e verão que em Barra de São Francisco-ES, há um povo que se importa em assinalar a sua existência com atitudes cidadãs... Mais que isso, há um corpo policial que tem buscado conhecimentos técnicos e científicos, cônscio da necessidade de mudança de mentalidade e comportamental, principalmente, nas relações com a comunidade.
Finalmente, somos sabedores dos momentos difíceis vividos pela sociedade, quanto ao aspecto da Segurança Pública, entrementes, antevemos os bons resultados e, mesmo em meio às relutâncias, comemoramos, porque "MELHOR É O FIM DAS COISAS DO QUE O PRINCÍPIO DELAS". Eclesiastes 7:8.
"É à noite que é belo acreditar na luz".
Edmond Rostand
ROMILDO ALVES FERREIRA (é 1º SGT da PMES)
Certo é que, quiçá, pelo fato de achar-se cercada de caráter belicoso, sempre representou, e muito bem, diga-se de passagem, uma imagem opressora e por vezes capaz de atrair para si toda e qualquer responsabilidade pelas medidas assecuratórias de proteção e restabelecimento da paz social. A pretexto de proteger, oprimiu e em nome da paz, ainda hoje, promove a guerra física e psicológica, sujeitando a sociedade às mais intensas atrocidades. A Polícia Brasileira nasceu há quase duzentos anos e os fundamentos sob os quais alicerçou a necessidade de sua existência, se postos assim, hodiernamente, inculcar-se-iam interesses escusos.
Fato é que, ainda hoje, A Polícia Brasileira continua a manter o seu aspecto patrimonialista e tendente a atender aos anseios de uma minoria que, de algum modo, exerce poderio, ainda que supostamente, em detrimento daquele que apresente menor robustez sociológica. É a Polícia forte para o mais fraco e fraca para o mais forte.
O pior de tudo isso é que nós, enquanto sociedade, também absorvemos certos aspectos inerentes à polícia. Somos seres eminentemente aguerridos e, por vezes, impetuosos. Nossa natureza é violenta. Afinal, quem nunca desejou a morte a alguém que, como o maníaco do parque, cometeu atrocidades a outrem? Olho por olho, dente por dente. A lei de Talião, ainda hoje, se mostra viva e aparentemente apropriada à solução dos problemas relacionados ao comportamento social. Ademais, como nos primórdios da criação do aparato policial, no Brasil, a avidez do privado parece prevalecer em detrimento do interesse público. Afinal de contas, diante de criminosos violentos e autores de barbáries, todos querem uma ação violenta do Estado, como resposta, porém, quando o agente infrator de algum modo acha-se ligado por algum tipo de afinidade a nós, o sentimento é diferente, afinal, "todos cometem erros", num discurso hipócrita de que "quem nunca errou atire a primeira pedra".
A Polícia brasileira é o retrato fiel da sociedade da qual foi originada. Seu comportamento varia, de acordo com seu interesse momentâneo e, ainda, inversamente proporcional ao seu opositor. Reafirmo: É a polícia forte para os fracos e fraca para os fortes. Tal assertiva pode ser confrontada pelos índices estatísticos reveladores do tendencioso sistema carcerário, no Brasil. Mais de 90º% de nossa população carcerária revelam pobreza, por sua condição social. Dentre estes, a maioria é de origem negra, o que, além de tudo, denota o caráter discriminatório do aparato estatal, quando o assunto é segurança pública.
Por fim, nos países democráticos (na verdadeira acepção da palavra), a segurança pública é tratada com desvelo e profissionalismo. Lá, segurança não está associada meramente a homens armados e que ostentam sua bravura solidificada em uma farda que, muitas vezes, exercem efeito contrário, amedrontando quem deveria proteger. Polícia não é segurança pública, nem aqui, nem em qualquer outro lugar. Antes, por vezes, ela própria se incumbe de fragmentar a ordem pública, quando deveria manuteni-la. A polícia é apenas uma voz, no grande coral da segurança pública, já dizia o Ten Cel Júlio Cezar Costa, um dos idealizadores da polícia Interativa, no Estado do Espírito Santo.
A comunidade francisquense, representada por membros de diversos segmentos societais, reuniu-se com a Polícia Militar por cerca de um mês, discutindo e conhecendo os mais modernos conceitos da policiologia mundial, principiados na Polícia Democrática e consubstanciada na Polícia Interativa, experiência que outrora deu certo em Guaçui-ES e, alhures, continua a sustentar-se como o avanço necessário para que a instituição policial vença as disparidades retratadas pela perda de sua identidade com a sociedade, essa sim, cada vez mais cidadã. A utilização das modernas ferramentas accountability e civilian oversight pelo Conselho de Segurança Municipal é uma realidade e tem alcançado ótimos resultados, sobretudo, na solidificação da relação entre a Polícia e a comunidade.
A partir de estudos científicos do crime de forma localizada, aliado a um pormenorizado detalhamento do atípico terreno, considerando-se a sua geografia criminal, a área urbana do município foi dividida em Células Interativas, cuja operacionalidade terá comandamento único e independência em suas ações, dentro da esfera de suas atribuições. O comando dessas células será exercido por um graduado que, além do efetivo necessário, terá uma viatura. A sede de cada célula será um SAC -Serviço de Atendimento ao Cidadão -onde a comunidade local encontrará apoio necessário, além de servir como referência, posto que cada SAC, além de padronizado, situar-se-á em local de fácil acesso e localização.
O conglomerado que compõe o projeto do Policiamento Democrático implementado em Barra de São Francisco, Espírito Santo, está solidificado de forma pormenorizada na Planta de Policiamento Ostensivo e eletrônico (PPOE), criada, de forma inédita e que permitirá, em curto e médio prazo, a redução dos altos indicadores de violência criminalizada que hoje são uma realidade, no município.
O Policiamento Eletrônico, diferentemente de vigilância, consiste em monitoramento, em tempo real, dos principais pontos da área urbana, através de câmeras de altíssima resolução e longo alcance de visibilidade, sendo controladas por policiais devidamente treinados. Todas as imagens são armazenadas em equipamento de alta capacidade e estudadas pelo serviço de inteligência da Unidade.
O inovador projeto encontra respaldo no Plano Estratégico desenvolvido pela PMES, tendo como meta, seu cumprimento no período compreendido entre os anos de 2005 e 2009. Sua aplicabilidade acha-se fincada nos conceitos de policiamento democrático, através da Polícia Interativa.
Cremos que novos tempos estamos vivendo na "Sentinela Capixaba". Tempos de consolidação dos sonhos, onde a realidade de uma sociedade mais justa e rodeada pelos muros da tranqüilidade pública não seja meramente quimera, sonho de verão. Temos por certo que a sociedade francisquense deu um importante passo na busca da democracia, solidificada por meio de governanças, praticadas pelas autoridades políticas em conformidade com segmentos societais diversos e comprometidos com o bem estar social.
Enfim, acreditamos que muitos virão e verão que em Barra de São Francisco-ES, há um povo que se importa em assinalar a sua existência com atitudes cidadãs... Mais que isso, há um corpo policial que tem buscado conhecimentos técnicos e científicos, cônscio da necessidade de mudança de mentalidade e comportamental, principalmente, nas relações com a comunidade.
Finalmente, somos sabedores dos momentos difíceis vividos pela sociedade, quanto ao aspecto da Segurança Pública, entrementes, antevemos os bons resultados e, mesmo em meio às relutâncias, comemoramos, porque "MELHOR É O FIM DAS COISAS DO QUE O PRINCÍPIO DELAS". Eclesiastes 7:8.
"É à noite que é belo acreditar na luz".
Edmond Rostand
ROMILDO ALVES FERREIRA (é 1º SGT da PMES)
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Parabéns a todos os responsáveis pela a iniciativa dessa implementação e que tenha constância nos propósitos.
Os pingos da chuva fazem um buraco na pedra não pela violência, mas por cair com freqüência."
- Lucretius
Estamos cantando a nossa aldeia e disseminando a necessidade da participação de todos na segurança pública local.
Barra de São Francisco não vai ser apenas um "Sonho de Verão". Não vamos fazer apenas melhor, vamos fazer diferente... Eu acredito!
Viva Barra de São Francisco!
Viva a gloriosa Polícia Militar do Estado do Espírito Santo!
FRANCE ENDRYGO COIMBRA ELIZEU - 2° TEN PM
Comandante do 2°Pel/1ªCia/11°BPM
"Missão nobre nos impõe o dever"