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O linchamento da Polícia Militar de São Paulo
Cláudio Pinheiro Gomes - Campos dos Goytacazes(RJ) - 22/11/2008
APÓS O EPISÓDIO DE SANTO ANDRÉ, tenho acompanhado nas últimas semanas um festival de sandices faladas e escritas por pessoas sem qualquer conhecimento de causa sobre o trágico desfecho do episódio que envolveu o sequestro de duas jovens por um "estudante" em Santo André-SP. Usei o termo "estudante" porque marginal, criminoso, nesse país, ou é estudante ou é trabalhador. Um traficante, que à época era dono do Morro da Providência - um dos mais violentos do Rio de Janeiro - tinha uma carteirinha de estivador do Porto do Rio.

VOLTANDO A SANTO ANDRÉ: É revoltante quando leigos, baseados em "achismos" ou na fome mercantilista da venda de notícias, sem saber ao certo como funciona uma equipe de Gerenciamento de Crises, emite opiniões desmerecedoras e desprestigiantes de acêrca de instituições cujos critérios de ação são baseados não na venda de notícias mas na preservação de (pela ordem): Vidas, Liberdade e Patrimônio.

EVENTUAIS FALHAS - se houveram - devem ser apuradas e apontadas por equipe técnica isenta e qualificada para tanto. Outro absurdo: Se houve falha, a falha não foi dolosa (intencional) de sorte que, em vez de se pensar em punição dos responsáveis - o que parece ser uma espécie de "tara" nacional - deve-se apurar as causas e utilizá-las como "Estudo de Caso" a fim de prevenir novas ocorrências.

SE O GATE (Grupo de Ações Táticas Especiais) da PMESP (Polícia Militar do Estado de São Paulo) tivesse agido de outra forma - ou não tivesse agido, Heloá teria sobrevivido? E Nayara? E Lindemberg? O desfecho teria sido melhor? Ou teria sido ainda mais trágico? Se alguém pode responder a tais perguntas, certamente não são os jornalistas ou telespectadores. Que se pronuncie quem tem competência para tanto.

"Aqueles que jamais subiram morros, favelas, ou sequer conhecem os antros freqüentados por marginais, e que se enclausuram comodamente em seus gabinetes, sem que nunca houvessem participado de tiroteios no estrito cumprimento do dever legal e também em legítima defesa, não se devem apegar com antolhos ao texto gélido da Lei, distantes do calor dos acontecimentos e a salvo de gravíssimos riscos, na busca do enfraquecimento ou do desestímulo das atividades da Polícia Judiciária, em toda a plenitude legal." (grifamos) De Mário P. F. Pinheiro, Procurador de Justiça/RS.


11 Comentários
Cláudio, como sempre você foi preciso e oportuno. Parabens.
Prezado CLÁUDIO,

Temos a convicção de que a equipe do GATE da PMSP cumpriu com a sua missão Constitucional.

Atenciosamente.
Prezado Claudio, nossos artigos se completam. Tem a autorização para o uso. Tentei te enviar essa mensagem por e-mail, mas é um recurso que ainda nao descobri se disponivel aqui no forum.
Forte abraço.
Caro amigo Cláudio, vês ou outra, tanto a polícia como o GATE parecem fazer cumprir a velha maldição, que é a de apagar quase que totalmente, da memória do povo, as boas ações de ambas, cometidas até ontem, com uma ação recente e com desfecho duvidoso e polêmico. Além do caso de Santo André, temos ainda o caso do ônibus 174 no Rio de Janeiro e outros que já foram alvos da mídia e da boca do povo.
É por essa razão que eu defendo um melhor preparo, no mínimo psicológico, pois a tensão tem sido a grande pedra nos calcanhares das duas polícias em situações como essas.
Somente assim saberemos com mais segurança, de que tudo que podia ter sido feito, realmente o foi, primando acima de tudo, pela integridade das pessoas envolvidas, seja qual for o desfecho final. Espero que essa "maldição" termine logo, com ações cada vês mais precisas e melhor planejas e com o desfecho que é a grande expectiva de todos nós.
Parabéns pelo artigo !
Prezado Amadeu:

OBRIGADO pelo comentário. Essa "maldição" não se refere somente à Polícia. Os policiais, embora no imaginário popular e pelos meios de comunicação estereotipados como "máquinas" são, na verdade, seres humanos. E, nessa condição, infelizmente somos passíveis de erros e desvios. Como todos os demais de nossa espécie. Nem mais, nem menos.

NÃO SE DIVULGA, mas nossas instituições são, talvez, as mais transparentes e menos passíveis de erros de toda a sociedade. A razão é óbvia: Ninguém veio de outro planeta, quando do ingresso, a possibilidade de erros, incompetência ou desvio é a mesma em qualquer instituição: polícia, judiciário, igreja, imprensa ou família. Ocorre que, na polícia, ao contrário das demais, a repressão vinda de controles externos e internos (corregedorias) é incomparávelmente maior. Nessa perspectiva, os erros tendem a ocorrer em menor escala (não por sermos melhores ou piores, mas por sermos mais pressionados). Todavia, quando ocorrem, as consequências e repercussão costumam ser gravíssimas, e, não raras vezes, fatais.

ALGUMAS COISAS AINDA PRECISAM MUDAR a fim de diminuirmos ainda mais o índice de erros e desvios. Ao contrário do que a opinião pública e imprensa esperam, nunca chegaremos ao índice zero - é humanamente impossível - mas podemos melhorar. Uma das formas é desvincular a Polícia da Política. A Polícia deveria ser independente, guardiã da lei, por todos fiscalizada mas subordinada tão somente ao ordenamento legal. Subordiná-la a autoridades políticas (Prefeitos, Governadores, Ministros, etc.) é transformar os policiais em jagunços. Assim, por ordem emanada de uma autoridade política um policial pode ser levado, mesmo em circunstâncias desfavoráveis, a efetuar um disparo e, talvez, atingir um refém em vez do sequestrador. A Polícia, de fato, erra. Mas, muitos desses erros, devem ser atribuídos à ingerência de políticos e imprensa.
Prezado Cláudio, compreendo bem a sua colocação, mas tudo isso acaba por arranhar ainda mais, a imagem já manchada da polícia, por erros e denúncias diversas.
Quando seres humanos são ligados à instituições, sejam elas públicas, privadas ou mesmo religiosas, essas pessoas se tornam porta-vozes ou representantes legais dessas mesmas instituições, comprometendo a integridade ética e moral da mesma. É o caso dos padres pedófilos. Ainda que sejam casos isolados, arranham e muito a imagem da igreja como um todo, mesmo porquê, é ela quem paga as indenizações e não os padres, porque também peca, não por estimular tais atos, mas por omissão em tentar esconder dos fiéis, tanto os padres como o fato em si (como se pudesse).
Na polícia não é diferente. É ela sempre, quem responderá por atos, principalmente os errados ou imprudentes dos policiais. Talvêz o problema não venha só de cima. Talvêz o "buraco seja mais embaixo", visto que são apenas os policiais (em primeiro lugar) à ocupar as manchetes e também ser o primeiro nome à ser lembrado, sempre que há (por parte deles) alguma ação desastrosa ou imprudente. E nenhum comando costuma ordenar ações desastradas. Acho que há algumas maçãs podres no meio deste cesto.






Mais um caso de ""execução"" sumária, partindo da polícia, com as vítimas imobilizadas (com a queda do veículo num canal), estando elas, com as mãos levantadas. Foi contado pelo menos, 16 marcas de tiros na direção do carro. Tem explicação ? Tem. Stress emocional e pra isso não existe treinamento, mas sim, mudança de atitude. Parece que a fiolofia da polícia (ou policiais) é matar para não morrer.
Com essa atitude vem um série de consequências, das quais somos vítimas, como balas perdidas ou direcionadas, como nesses casos. Têm solução ? Tem. Mudar de estratégia.
A ordem passa ser ""NÃO MATAR"". Com isso, muda-se a postura de ação, passando a dar tiros de advertência (para o auto); nos pneus, quando possível ou até mesmo no pé ou nas pernas do bandido, para que em todos esses casos, neutralizar a ação do elemento, seja a prioridade. Desta forma, virão também, outros benefícios, tais como: Manutenção da integridade física dos envolvidos (bandido, polícia e cidadão); maior logóstica de ação; menos risco para o policial; maior segurança para a população. Com essa filosofia de trabalho, eu, como cidadão, ficarei mais tranquilo, pois, mesmo sendo confundido com assaltante (em perseguição), sei que, pelo menos morto, pela polícia, eu não serei. UFA ! Tomara.


Caro Amadeu:

Realmente os policiais, assim como padres, professores, médicos e outros profissionais, representam suas instituições e quando falham, abalam a imagem da instituição como um todo. Os acertos, por sua vez, costumam ser creditados apenas ao comando que, por sua vez, pode sim ser desastrado e inconsequente em suas ordens. É relativamente comum observar isso na esfera da Segurança Pública quando um profissional com formação exclusivamente teórica ou apenas lastreado em sua experiência prática. É um convite ao desastre.

Quanto ao incidente em Brás de Pina, ao qual provavelmente você se refere, não parece se tratar de execução sumária. Ao que parece, os policiais agiram com imprudência e imperícia, mas não com dolo. Segundo alegaram, estavam sendo alvejados. Somente após as investigações, será prudente tirar conclusões. Antes disso, baseando-se em meras manchetes jornalísticas, será leviandade. Constatada a culpa ou excesso dos policiais, provavelmente serão punidos e expulsos e substituídos por outros, que terão a mesma formação e estrutura para trabalhar. Não se pensa em recuperação ou reciclagem, apenas no espetáculo da punição.

Exige-se do policial que, alvejado, proceda com toda a calma e lucidez, a fim de avaliar com precisão se, quando e de que forma deve reagir. Essa reação deve ter 100% de acerto. Mas infelizmente não é assim que funciona. Os policiais são humanos, sentem medo, precipitam-se e erram. Isso sempre acontecerá. Incompetência na gestão ou comando, má formação, falta de treinamento continuado, falta de constante acompanhemento psicológico contribuirão para aumentar a incidência de erro. A reversão desses fatores diminuirá a incidência, que nunca chegará a zero pois, como disse, são seres humanos.

Como cidadão, partilho de sua indignação e seu temor, afinal, todos nós podemos ser vítimas da violência. O princípio da não letalidade é, há muito, adotado por nossas forças policiais e seria leviandade generalizar atitudes isoladas. Embora pareça a melhor solução para o leigo, atirar no pneu ou na perna só funciona em cinema. O pneu de um veículo em movimento é alvo praticamente impossível e o tiro na perna pode ser fatal se atingir a artéria femural, além de ser mais passível de erro. Atingido ou não, o bandido ainda terá a chance de disparar contra o policial ou o refém. O tiro policial somente deve ser dado em determinadas e extremas circunstâncias. A superioridade numérica dos policiais, a estratégia de abordagem, a utilização de viaturas, equipamentos e armamentos corretos podem, por sua vez, reduzir as chances de reação dos suspeitos ou criminosos e, por consequência, do tiro policial. São medidas a serem adotadas pelos gestores e pelo comando.

Tratei aqui dos fatores que podem ser trabalhados na seara da Segurança Pública. A onda de violência que nos assola tem seu nascedouro no adoecimento de nossa sociedade e falência de nossas instituições. A solução passa pela reformulação do sistema de ensino (vide Augusto Cury), pela reformulação do legislativo do judiciário e da polícia, pela criação de um sistema de saúde eficaz, saneamento, etc. Essas medidas são extremamente complexas e dispendiosas e não acredito que sejam adotadas. Voltemos ao espetáculo da violência.
Prezado Cláudio, concordo quando você afirma que ""o tiro policial somente deve ser dado em determinadas e extremas circunstâncias..."", porém, a polícia (volta e meia) insiste em demosntrar uma realidade diferente e contrária. Quanto a possibilidade do tiro na perna ser fatal, pelo menos estará manifestada a não intensão de tirar a vida de alguém que, como já ocorreu algumas vezes, pode ser até mesmo um inocente, estando ou não, junto com bandidos.
Não quero que pense que, tenho por prazer malhar a polícia, mas, gostaria, assim como toda a população, de ver a polícia fora do foco de autoria, em tragédias e vitimas de balas perdidas ou de execuções sumárias. Acredito sim que, se for adotado a filosofia da manutenção da integridade física à todo custo, teremos muito menos vítimas e casos polêmicos.
Porquê não fazem uso do megafone para negociar rendição com bandidos encurralados ? A experiência já mostrou que, revidar, nem sempre é a melhor solução e, sempre disse aos meus filhos (quando estes brigavam) que, quem revida, perde a razão. Talvês seja este o resultado de ações imprudentes.




Prezado Claudio, a polícia deve ser profissional, é inadimissivel que um oficial que estude 4 anos no curso de formação do Barro Branco, não esteja em condições de gerenciar uma crise.
O que acontece é que a Políica Militar quer usur´par funções que são da Polícia civil. Obrigado Cristiano
Há muito pouco de gestão (principalmente de pessoas) nas organizações envolvidas com a Segurança Pública, cujo impulso limita-se à força burocrática e política, onde os cargos gerenciais (verdadeiros cabides) são distribuídos em atenção à favores políticos, tão necessários para a construção da arquitetura de poder em nosso país.

No meio desta colcha de retalhos, onde cada espaço é delimitado com precisão pelos acordos em "bastidores", está o elemento operacional humano, o policial de rua.

Interessante é que todas as discussões públicas se concentram sobre este profissional.

Este profissional como qualquer outra pessoa, com o passar do tempo, também deixará a organização que "representa", seja por aposentadoria ou por outras situações condizentes.

Como dizem: " vão-se os anéis, ficam-se os dedos ".

E as avaliações sobre o policial da base operacional continuam...

A pessoas passam, a instituição "Polícia" fica; desde os primórdios da humanidade, a Polícia, às vezes com outros nomes, sempre existiu e passou pelos tempos.

E os bastidores?

Nos bastidores muito pouco se preocupa com as pessoas que entram ou saem da Polícia, com a necessidade da Polícia ser profissional ou não, corrupta ou não, muito pouco se discute quanto à precisão de equipamentos, formação e outras coisas mais para a melhora do serviço policial.

O que vale somente é a conveniência para os acordos.

Caso haja alguma melhora no serviço policial, ela surge de alguns que entendem que ser policial é atuar dentro de critérios profissionais, ou seja, pautados na busca da melhoria dos meios de trabalho (não para querer vender uma imagem de destaque), a fim de tentar reduzir os riscos que a atividade profissional lhe inflige.

Cabe lembrar que reduzir os riscos não significa em expurgar a possibilidade da ocorrência de um evento.

Mas esforços isolados não bastam para termos um Polícia melhor, com técnica, é preciso que isto seja incutido organizacionalmente na instituição, ou seja, precisa-se de gestão, o que não significará na salvação dos problemas de violência, todavia, haverá resultado na qualificação dos serviços policiais.

Policias norte-americanas e inglesas, consideradas com melhor gestão, mesmo assim, vivem situações como a de Santo André, senão vejamos o caso do "brasileiro" que foi morto ao ser confundido com um terrorista.

Um abraço.
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