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O sonho não acabou
Júlio Cezar Costa - Vitória(ES) - 07/04/2009
Boa notícia! Deu na TV. Segundo a FGV Vitória é a capital brasileira onde as pessoas têm menos medo de sair às ruas. Mas quando foi isto?
Há décadas a nossa ilha-capital deixou de ser a delícia cantada em poesia por Carmélia de Souza, mas ainda tem seu charme -além da bela topografia de suas baías.
Para entender por que a população não tinha, em novembro de 2002, tanto medo de sair às ruas, segundo pesquisa da FGV, é necessário que voltemos alguns anos e observemos todo o processo levado a curso por um "grupo" de ideólogos que quase foram marginalizados por pensar diferente e ministrar aulas na Universidade Federal para cursos freqüentados por policiais.
Nós, ainda jovens oficiais da Polícia e do Corpo de Bombeiros Militar queríamos "cidadanizar" a Polícia, distanciando-a dos tempos em que ela era treinada tão somente para reprimir o cidadão, como força reserva ("titular") da ditadura militar.
Era o início do Século XXI. Sonhávamos com mudanças, sim, mas não alimentávamos ilusões.
Buscamos o apoio de nossos superiores hierárquicos. Pouquíssimos acreditaram. Nascia nesta época o que foi o 1º Plano Estratégico da Segurança Pública, o chamado "P3M -A Polícia rumo ao 3º milênio". O "P3M" foi suficiente para iniciar um processo de mudanças que se tornou exemplar para as polícias do Brasil.
Conseguimos convencer setores fora dos muros dos quartéis. Intelectuais dentro e fora da Universidade, representantes da sociedade civil e da classe política. Éramos apenas alguns capitães e um "mestre-líder", o coronel Carlos Magno da Paz Nogueira. A hierarquia estava preservada.
Fomos chamados de "meninos pretensiosos". Mas os meninos, além de pretensiosos sabiam onde queriam chegar -na Nova Polícia.
Criamos uma nova terminologia policial: "sensação de segurança", "o povo conspira com quem o protege", "é preciso refundar a Polícia", "a polícia forte para os fracos e fraca para os fortes", "será preciso deixar de florescer a idéia secularizada de uma polícia que age como um exército regular".
Pasmem, mas a nossa melhor e mais precisa "arma" era a interação comunitária. Com o belíssimo trabalho dos policiais do Morro do Quadro, diga-se, ganhamos o 1º concurso nacional de polícia comunitária, patrocinado pela Motorola e pelo Ministério da Justiça em 2002.
Idealizamos um projeto com um nome cuja sigla evocava a paz tão desejada por qualquer um de nós. Falávamos ainda de "saturação de áreas", de "corredores de segurança ostensiva", de "academia única", de "áreas integradas", de "ciodes" e de "polícia como braço armado do povo".
Aumentamos o efetivo a serviço da população sem promover concurso público -ah, sim, é que somente a serviço de um Banco havia mais de 430 policiais, sem contar outros que davam segurança a políticos, a prédios públicos e a empresários. Um falecido alcaide tinha 19 soldados à sua disposição.
Houve quem não gostasse. Esse negócio de viaturas paradas em pontos fixos, deslocando-se em rodízio, as tais "ilhas" dos Corredores de Segurança Ostensiva, deixaria a polícia imobilizada afirmavam os céticos. Virou a "Polícia dos capitães", sem deixar de ter coronéis. Fizemos o que o general Mário fez quando criou as centúrias romanas.
E quando o governo federal precisou de um projeto de segurança pública, onde foi encontrar um? No patinho feio da Federação, naquele estadinho que ninguém dava nada por ele.
Quando o então futuro presidente da República procurou alguém entendido no assunto, onde foi encontrar?
Agora quando completa mais um aniversário e sob a liderança firme e serena do coronel Emmerich o sonho que não acabou poderá se transformar em realidade. Pensemos hoje a Polícia do amanhã!
Lembremo-nos de Tolstoi, cantando a nossa aldeia. Viva os 174 anos da PMES.

Júlio Cezar Costa é coronel da PMES, idealizador da Polícia Interativa no Brasil e professor universitário.

4 Comentários
Prezado Júlio Cezar, parabenízo-o por sua insistência e determinação na luta por um sonho, que pareceu à princípio, quase impossível. São de pessoas assim que precisamos, para acreditar no "sonho" de ver os hospitais públicos saírem do caos. De ver médicos mais competentes e não querer ver mais, tantos erros médicos grotescos, como operar o lado errado do cérebro de uma paciente (divulgado pela mídia), só para tentat ver o problema "por outro ângulo".
Nunca devemos desistir dos sonhos. Se forem razoavelmente grandes, quebre-o por etapas, para que seja alcançável, mas nunca desista deles. Parabéns novamente e abraços.

Novos tempos na Polícia Militar do ES.
Tempos de prosperidade na comuntarização, quem disse que a maior ferramenta de gestão da Segurança do ES, a Polícia Interativa sucumbiu, ledo engano, está na mémoria de cada capixaba, os capixabas estão amadurecidos e sabem o que querem: a interação, o dialogo, o respeito, a cidanização iniciado a década pela Polícia Militar do ES.
A PMES foi a primeira instituição a procurar a inclusão da matérias direitos Humanos e Polícia Comunitária nos cursos de formação e capacitação.
Parabéns Cel Julio por liderar as mudança de paradigmas na Polícia Brasileira.
A mudança de paradigmas é tarefa difícil. Alterá-los demanda ousadia e tempo. Partindo de Guaçuí você superou desafios e suportou incompreensões. Aos poucos sua iniciativa foi sendo reconhecida e agora você tem a prazerosa sensação de que seu trabalho gerou frutos. Valeu.
Professor Júlio, é sempre bom ler e aprender com suas matérias, novos conceitos, novas doutrinas para quebra de paradigmas são necessários nos tempos modernos e nos pensamentos de novas PPSP. Parabéns!
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