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Projeto capacita jovens e reduz violência
Alan Ary Meguerditchian - Osasco(SP) - 02/06/2009
Oferecer aos jovens em situação de vulnerabiliade social dispensados do serviço militar obrigatório uma oportunidade de formação profissional e cidadã e, com isso, diminuir a violência e colaborar para o desenvolvimento da comunidade é a proposta do projeto Jovens no Exercício do Programa de Orientação Municipal (Jepom), implantado em São Vicente, litoral de São Paulo.

Lançado em 2001, o projeto já formou mais de seis mil jovens em cursos técnicos como de Segurança do Trabalho, Meio Ambiente, Nutrição, Petróleo e Gás, entre outros. Oferecido a jovens de ambos os sexos, o Jepom também proporciona cursos livres nas áreas de esporte, informática, desenho, música e outros.

"A ideia é dar aos jovens em situação de vulnerabilidade social, em liberdade assistida ou que moram em regiões de alto risco, uma formação profissional e uma ocupação durante o dia", explica o vice-prefeito e secretário de Transportes, Segurança e Defesa Social (Setrans), Rogério Barreto Alves.

Uma das principais conquistas do projeto foi ter colaborado com a redução do índice de homícidios dolosos entre os jovens de 18 a 24 anos na cidade: o índice caiu de 69, em 2001, para nove, em 2007. Esse e outros dados permitiram que São Vicente saísse do 17° lugar no ranking das cidades mais violentas do estado, em 2001, e fosse para a 113ª posição, em 2005.

"Tenho na família casos de problemas com a justiça e acredito que se não fosse o projeto eu estaria no mesmo caminho. Aqui consegui capacitação e me inserir no mercado de trabalho", conta Renato Felix, de 22 anos, que participou do curso de Logística em 2008.

Seleção e formação

A seleção dos jovens ocorre, anualmente, em outubro. Ao invés da aplicação de provas, o critério utilizado para a seleção é uma análise do contexto vivido pelo jovem. "Primeiro é feito um cadastramento dos interessados, depois são avaliadas as necessidades de cada jovem e por fim uma assistente social visita a família do candidato", explica Barreto.

Todos os anos são selecionados cerca de 400 jovens. Eles recebem uma bolsa-auxílio de R$ 230, mais o curso técnico no valor de R$ 120 por mês, além de uniforme completo.

A formação é dividida em dois períodos. Um é destinado à capacitação profissional nos cursos técnicos e o segundo é voltado para a participação dos jovens como auxiliares e orientadores em outros projetos da cidade, como auxílio aos guarda-vidas na orla, participação em campanhas de preservação do meio ambiente e visitas solidárias a asilos, creches e abrigos, entre outras.

Além disso, desde o ano passado, os jovens podem desenvolver atividades de arte, dança e música ou realizar uma das 14 ações de esporte oferecidas tanto aos participantes, quanto aos moradores da comunidade, como boxe, judô, basquete e handebol.

"No projeto descobri uma nova estrada para caminhar. Fiz um curso técnico, além de aprender que a vida pode ser melhor para quem se esforça", afirma Andrezza Mariano, de 21 anos, aluna este ano do curso de Nutrição.

Mensalmente é realizada a Revista Geral, evento que reúne os participantes e no qual são apresentadas aos jovens datas de concursos, vestibulares, benefícios oferecidos pelo projeto, além de palestras e aulas sobre cidadania e motivação.

Empregabilidade

"Hoje, 40% dos jovens que concluem a formação conseguem um emprego", afirma Barreto. Para isso, o projeto tem um departamento que busca no mercado as vagas existentes na cidade e encaminha os participantes que se encaixam nos perfis para a seleção.

Além das empresas privadas, setores da administração pública da cidade também se apresentam como um campo de oportunidades para os jovens. "Temos um projeto de banco de alimentos, no qual feirantes recebem incentivos fiscais pela troca dos produtos não comercializados. Os jovens trabalham no projeto, montando cestas para as mães adolescentes da cidade. Fecha-se, assim, o ciclo. Formamos o jovem, que, empregado, colabora com a comunidade", explica o vice-prefeito.

Diante dos bons resultados, outras cidades e estados se interessaram pela iniciativa. Os municipios de Santos, Taboão da Serra, Jaguariúna (SP), Belo Horizonte (MG) e os governos do Ceará e Pernambuco procuraram a prefeitura de São Vicente para entender melhor o projeto e aplicá-lo em suas localidades.

"Pensamos no início em buscar soluções apenas para os nossos problemas. Mas, naturalmente, diante dos resultados, outras cidades e estados se interessaram. Isso é muito bom para todos", diz Barreto. Hoje, o Jepom é administrado pelo Instituto Amigos da Guarda Municipal (IAGM), uma Organização Social de Interesse Público (Oscip) que presta contas mensalmente à prefeitura.

Chegando ao terceiro mandato municipal desde a sua criação, o Jepom, segundo Barreto, já pode ser considerado uma política pública do município, ultrapassando o caráter de política de governo. "Sempre que são discutidas ações sociais na cidade, inclui-se o Jepom. Ele já foi até incluído no Plano Plurianual (PPA) da cidade, o que o coloca no planejamento do primeiro ano de governo do próximo prefeito", conclui.

Texto produzido pela parceria entre o Fórum Brasileiro de Segurança Pública e Comunidade Segura

14 Comentários
Muito interessante essa iniciativa; que terá retorno a longo prazo... mas será significativa para todos...principalmente para os pais.
Fortaleza, recebe neste mes de Junho a visita do pessoal do projeto JEPOM, para iniciação da implantação do projeto no Estado, por meio do Governador Cid Gomes.
São Vicente recebeu em 10 de junho a visita do Superintendente da Guarda Civil Municipal de João Pessoa - PB, que veio a fim de conhecer o Projeto JEPOM, e pretende implantar este programa na cidade de João Pessoa
O Superintendente da Guarda Civil Municipal de João Pessoa Sr. José Bernardino da Silva e seu Adjunto Sr Anderson Benevides aprovarm o projeto JEPOM de São Vicente, e levam para João Pessoa uma excelente experiencia em redução de violencia urbana que deu certo na cidade de São Vicente.
Parabéns São Vicente, são propostas como esta que estão ajudando nossa cidade a crescer.
Gosto muito deste projeto que foi criado na minha cidade, muitos jovens meus amigos passaram pelo JEPOM, aprenderam uma profissão e hoje estão trabalhando, acredito por experiencia no que vejo na cidade que se não houvesse este projeto haveria uma quantidade muito maior de meninos envolvidos com drogas e com o crime.
valeu São vicente.
Eu como professora, vejo o grande interesse dos jovens desta cidade em participar deste projeto para ter várias oportunidades de aprendizagem, não só no campo profissional, como na área estudantil. Parabéns ao Projeto que engrandece a cidade.
Fico muito feliz em saber que nem tudo esta perdido, esse projeto vai mudar a historia do nosso País, parabéns São Vicente.
Quando pensamos que um projeto pequeno "em relação a imensidão e o número de jovens do Brasil" pode ser implantado em todos país é porque com certeza este está dando certo!!!!
Ver o resultado que o Projeto conquistou em relação aos jovens que já participaram e participam é muito gratificante. Acreditar e lutar por eles é um dos principios de todos que fazem parte desta equipe. Fico muito feliz em saber que muitos municipios querem adotar esta idéia.
espero que projetos como este sejam implantados em todo o país. São Vicente é um exemplo ! ! !
Um projeto como esse devería merecidamente abranger todos os estados do Brasil, pois com certeza valorizar e orientar os jovens são metas para melhorar a qualidade de vida do jovem que irá encarar a realidade dos nossos dias.É muito saber que outros tem interesse em fazer parte dessa idéia.
É muito interessante saber que outros estados gostariam de adotar essa idéia. O Projeto ensina os jovens a ter responsabilidades, e os orientão quanto a questão de drogas e violência, por isso diminui o indice de vilência na cidade de são vicente entre jovens de 18 anos.
É um projeto que com certeza dá certo,é gratificante participar desse projeto......e fico feliz que os resultados são os melhores!!! Obrigada, São Vicente , por essa idéia!
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