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Segurança Pública na Bahia é caso para polÃcia, justiça e DH
Vera Mattos - Salvador(BA) - 24/10/2009
Não. Já não basta dizer que a segurança pública na Bahia é o caos. E que alguém encontre algum adjetivo para denominar um dos momentos mais dramáticos da história de Salvador. Acabo de saber que a mulher seqüestrada pela manhã foi encontrada morta. A filhinha dela foi deixada dentro do carro abandonado pelos seqüestradores e Deus permitiu que a criança continuasse viva. Mas a mãe está morta. Precisava isto?
O desencontro da Segurança Pública na Bahia é estarrecedor. Policial militar matando policial civil. A população teme a polÃcia de uniforme. A população treme diante de traficantes. Os pontos de drogas se multiplicam. Os usuários de crack perambulam pelas ruas. As mortes na periferia de Salvador já ultrapassam o limite do racional.
Os jovens negros continuam morrendo brutalmente assassinados sempre sob a máscara de crime praticado por serem ou usuários ou traficantes de drogas. As casas da periferia também são invadidas por policiais civis e militares sem qualquer ordem judicial. Esta semana alguns moradores que resolveram colocar o rosto na televisão falando da barbárie tiveram a casa incendiada. Precisava isto?
Todos os dias a cidade que é linda e que nasceu para ser feliz, torna-se uma cidade cinzenta e lacrimosa. Neste momento algumas famÃlias choram perdas irreversÃveis.
A sociedade não tolera mais. Os policiais não toleram mais. A periferia não suporta mais. A cidade está asfixiada pela ausência de segurança pública. As Secretarias de Segurança Pública e de Justiça não se entendem. O governador Jacques Wagner aumentou o tom de voz para manter os policiais militares em atividade e postergar a greve. Precisava isto?
Ao citar Aracaju/Sergipe, o governador Jacques Wagner disse que os policiais de lá ganham mais porque não há como comparar a realidade sergipana com a baiana. E ainda disse que também não tem como explicar que o salário do Governador de Sergipe seja o dobro do dele.
Na verdade, o que o governador baiano tem que explicar não é a diferença entre os Estados. Temos toda uma periferia desamparada, temos cidades desamparadas, municÃpios desamparados. Delegacias fechadas, prisões lotadas, cemitérios clandestinos. A polÃcia militar com armas ultrapassadas. Viaturas insuficientes. Medo de vestir o próprio uniforme em seus bairros.
A polÃcia civil enfrentando uma forte crise depois da morte do perito na semana passada. A polÃcia militar chorando seus mortos. E mais de mil famÃlias chorando assassinatos que já estão arquivados, pois os mortos são em sua maioria negros, pobres e de periferia e acusados de pertencerem ao tráfico. Precisava isto?
Salvador é uma cidade literalmente a beira do abismo. A sensação que temos é que estamos em um paÃs dentro do outro. A Constituição não é respeitada aqui. Se assim fosse as casas não seriam invadidas, os policiais apresentariam ordem judicial para busca e apreensão, as pessoas não seriam executadas friamente.
A cidade tem cor de sangue. Tem cheiro de mortos. Lamento profundamente ver os jovens negros baianos serem vitimas da matança. Lamento pelas mulheres vitimas de violência. Lamento por tantos assaltos a ônibus. Lamento por tanta história que não poderá ser concluÃda.
A população baiana perde a alegria. Largos, ruas e ladeiras estão cheias de moradores de rua. Gente que perambula sem casa, sem comida, sem chão. A injustiça social atinge proporções assustadoras. Precisava isto?
Onde estão os empregos para a população jovem? E as escolas em boas condições para a prática do ensino público? Será que eu posso perguntar a Wagner uma única coisa?
Se posso então lá vai: precisava isso???
Vera Mattos
Artigo também publicado na revista PolÃcia em Destaque, agosto2009,páginas 36 e 37.
O desencontro da Segurança Pública na Bahia é estarrecedor. Policial militar matando policial civil. A população teme a polÃcia de uniforme. A população treme diante de traficantes. Os pontos de drogas se multiplicam. Os usuários de crack perambulam pelas ruas. As mortes na periferia de Salvador já ultrapassam o limite do racional.
Os jovens negros continuam morrendo brutalmente assassinados sempre sob a máscara de crime praticado por serem ou usuários ou traficantes de drogas. As casas da periferia também são invadidas por policiais civis e militares sem qualquer ordem judicial. Esta semana alguns moradores que resolveram colocar o rosto na televisão falando da barbárie tiveram a casa incendiada. Precisava isto?
Todos os dias a cidade que é linda e que nasceu para ser feliz, torna-se uma cidade cinzenta e lacrimosa. Neste momento algumas famÃlias choram perdas irreversÃveis.
A sociedade não tolera mais. Os policiais não toleram mais. A periferia não suporta mais. A cidade está asfixiada pela ausência de segurança pública. As Secretarias de Segurança Pública e de Justiça não se entendem. O governador Jacques Wagner aumentou o tom de voz para manter os policiais militares em atividade e postergar a greve. Precisava isto?
Ao citar Aracaju/Sergipe, o governador Jacques Wagner disse que os policiais de lá ganham mais porque não há como comparar a realidade sergipana com a baiana. E ainda disse que também não tem como explicar que o salário do Governador de Sergipe seja o dobro do dele.
Na verdade, o que o governador baiano tem que explicar não é a diferença entre os Estados. Temos toda uma periferia desamparada, temos cidades desamparadas, municÃpios desamparados. Delegacias fechadas, prisões lotadas, cemitérios clandestinos. A polÃcia militar com armas ultrapassadas. Viaturas insuficientes. Medo de vestir o próprio uniforme em seus bairros.
A polÃcia civil enfrentando uma forte crise depois da morte do perito na semana passada. A polÃcia militar chorando seus mortos. E mais de mil famÃlias chorando assassinatos que já estão arquivados, pois os mortos são em sua maioria negros, pobres e de periferia e acusados de pertencerem ao tráfico. Precisava isto?
Salvador é uma cidade literalmente a beira do abismo. A sensação que temos é que estamos em um paÃs dentro do outro. A Constituição não é respeitada aqui. Se assim fosse as casas não seriam invadidas, os policiais apresentariam ordem judicial para busca e apreensão, as pessoas não seriam executadas friamente.
A cidade tem cor de sangue. Tem cheiro de mortos. Lamento profundamente ver os jovens negros baianos serem vitimas da matança. Lamento pelas mulheres vitimas de violência. Lamento por tantos assaltos a ônibus. Lamento por tanta história que não poderá ser concluÃda.
A população baiana perde a alegria. Largos, ruas e ladeiras estão cheias de moradores de rua. Gente que perambula sem casa, sem comida, sem chão. A injustiça social atinge proporções assustadoras. Precisava isto?
Onde estão os empregos para a população jovem? E as escolas em boas condições para a prática do ensino público? Será que eu posso perguntar a Wagner uma única coisa?
Se posso então lá vai: precisava isso???
Vera Mattos
Artigo também publicado na revista PolÃcia em Destaque, agosto2009,páginas 36 e 37.
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Comentários
Comentários
Marcelo dos Santos Costa Olaia - Guarujá(SP) - 24/10/2009 - 01:18
De modo geral, a violência está dissiminada por todo o Brasil. Lógicamente que cada lugar tem sua caracterÃstica. Mas devemos sempre procurar soluções. Mesmo as idéias mais sem nexo pode gerar um grupo de pensadores que encontraram um modo de aproveitar essa idéia. Esse artigo nos faz manter acessa a luz de alerta contra a violência. Parabéns pelo artigo.
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Amadeu Epifanio - Rio de Janeiro(RJ) - 30/10/2009 - 02:17
Onde está a Fé ? Rezem.
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