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MJ e Fórum apresentam pesquisa sobre jovem e violência
Fórum Brasileiro de Segurança Pública - São Paulo(SP) - 24/11/2009
Ministério da Justiça e Fórum Brasileiro de Segurança Pública apresentam pesquisas sobre exposição de jovens à violência


Índice de Vulnerabilidade Juvenil à violência (IVJ-Violência) é mais elevado fora das capitais

Maioria dos jovens tem baixo risco e histórico de violência, mas quase um terço dessa população ainda convive com esse mal


São Paulo, 24 -Das 266 cidades brasileiras com mais de 100 mil habitantes, apenas 10 apresentam um elevado grau de vulnerabilidade dos jovens de 12 a 29 anos à violência. Dessas, nenhuma é capital, embora muitas pertençam às regiões metropolitanas de seus Estados. Além disso, embora a maioria dos jovens brasileiros tenha baixo risco e histórico de convívio com a violência, quase um terço desse grupo ainda enxerga esse mal como parte do seu cotidiano. Essas são algumas constatações apresentadas por dois trabalhos coordenados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, que diagnosticam a exposição do jovem brasileiro à violência, em termos quantitativos e qualitativos, e que fazem parte do "Projeto Juventude e Prevenção da Violência".

O "Projeto Juventude" visa a produção de uma pesquisa de identificação do grau de exposição à violência a que jovens brasileiros de 12 a 29 anos são submetidos. É desenvolvido a partir de um termo de parceria firmado entre o Ministério da Justiça (MJ), por meio do Programa Nacional de Segurança com Cidadania (Pronasci), e o Fórum, organização não-governamental e apartidária focada no debate técnico envolvendo a área.

"Quando fomos desafiados pelo MJ a assumir esse projeto, tínhamos clareza sobre a responsabilidade a que o Fórum se submetia. Agora, entregamos os primeiros resultados de um amplo projeto, a ser concluído em junho de 2010", afirma o secretário-geral do Fórum, Renato Sérgio de Lima.

"A partir dessas informações inéditas, o poder público, em todas as suas instâncias, passa a contar com um poderoso e sólido instrumento de auxílio para a definição de políticas de segurança pública voltadas à preservação dos jovens brasileiros", analisa o presidente do Conselho de Administração do Fórum, Humberto Vianna. "E fica cada vez mais clara a lógica de que somente com investimentos em segurança pública, com volume e geridos com eficiência, combinados com ações de integração social e cidadania é que se torna possível o enfrentamento da violência", adiciona.

O "Projeto Juventude" concentra-se em 13 Estados, definidos pelo MJ a partir da implementação, em cada localidade, de ações do Pronasci, e está dividido em quatro módulos, estabelecidos por metodologia científica própria do Fórum: exposição da juventude à violência; sistematização de práticas ou programas de prevenção; organização de seminários de discussão com gestores de políticas de atenção aos jovens; e elaboração de cartilhas para atuação em projetos de prevenção. A pesquisa conta com parceria do Instituto Sou da Paz, do Instituto Latino-Americano das Nações Unidas para Prevenção ao Delito e Tratamento do Delinquente (ILANUD) e a Fundação Seade. A conclusão do Projeto acontecerá em junho de 2010.

Na primeira etapa, que contempla a identificação do grau de violência a que os jovens estão expostos, foram desenvolvidas abordagens múltiplas e complementares para analisar o tema.

Duas etapas já estão concluídas: a criação de um Índice de Vulnerabilidade Juvenil (IVJ) para todos os municípios brasileiros com mais de 100 mil habitantes; e levantamentos estatísticos com narrativas da violência, apurados por meio de pesquisa realizada pelo Instituto Datafolha.


Vulnerabilidade juvenil

O IVJ, desenvolvido em parceria com a Fundação Seade, foi aplicado em municípios com mais de 100 mil habitantes, em todas as regiões do País, com base em informações do IBGE, num total de 266 municípios. Itabuna (BA), Marabá (PA), Foz do Iguaçu (PR), Camaçari (BA), Governador Valadares (MG), Cabo de Santo Agostinho (PE), Jaboatão dos Guararapes (PE), Teixeira de Freitas (BA), Serra (ES) e Linhares (ES) constituem os municípios brasileiros com maior vulnerabilidade à violência contra os jovens.

São Carlos (SP), São Caetano do Sul (SP), Franca (SP), Juiz de Fora (MG), Poços de Caldas (MG), Bento Gonçalves (RS), Divinópolis (MG), Bauru (SP), Jaraguá do Sul (SC) e Petrópolis (RJ) são as cidades brasileiras que registram os menores IVJs -Violência. .

O levantamento conclui que a faixa etária com maior risco de perder vidas por causa da violência letal é aquela entre 19 a 24 anos. Usando metodologia criada pelo Laboratório de Análise da Violência, da UERJ, o IVJ -Violência prevê que 5,0 jovens morrerão por homicídios antes de completarem 24 anos no Brasil, enquanto, na faixa etária de 12 a 18 anos, a estimativa é que 2,38 adolescentes morram antes de completarem os 18 anos. Entre jovens adultos de 25 a 29 anos, a expectativa é que morram 3,73 jovens antes dos 29 anos.

A pesquisa identifica haver relação direta entre violência e participação no mercado de trabalho e escolaridade, uma vez que os jovens de 18 a 24 anos que não realizam funções remuneradas e não estudam formam o grupo no qual o IVJ se apresenta em patamar mais elevado. O indicador também confirma o "senso comum" que aqueles que residem em domicílios com assentamentos precários, caso de favelas, são os mais expostos à violência.

Nota-se, ainda, que os municípios que menos investem em segurança pública são exatamente aqueles que mais expõem seus jovens à violência, confirmando, mais uma vez, as fundamentações técnicas apresentadas pelo Fórum sobre a necessidade de os governos terem sensibilidade a esse tema. Na prática, constata-se que nas cidades onde a vulnerabilidade juvenil é muito alta a despesa realizada em segurança pública, em 2006, foi de R$ 3.764 por mil habitantes, enquanto os municípios com incidência baixa do índice aplicaram R$ 14.450 por mil habitantes.

Convívio com a violência

Já o levantamento realizado pelo Instituto Datafolha com 5.182 jovens de 12 a 29 anos, de ambos os sexos, de 31 municípios selecionados em 13 Estados, constatou que quase um terço da população jovem sofre presença constante da violência em seu cotidiano. Dos jovens entrevistados, 31% admitem ter facilidade para a obtenção de armas de fogo. Além disso, 64% dos entrevistados são expostos a algum risco ou história de violência e costumam ver pessoas (não policiais) portando armas.

Metade da população jovem entrevistada declara presenciar violência policial, sendo que, para 11% dos entrevistados, essa violência é "comum". Um dado que impressiona é a incidência manifestada por 88% dos respondentes expostos à violência que declaram já terem visto corpos de pessoas assassinadas. Cerca de 8% afirmam, ainda, que pessoas próximas a eles foram vítimas de homicídios.

"Ainda que sejam jovens e, naturalmente, possam cometer algum exagero na entrevista, trata-se de uma quantificação demasiadamente elevada e, óbvio, muito preocupante", pondera Lima.

Como conclusão preliminar, a partir da associação entre os resultados do IVJ -Violência e a opinião dos jovens dos 31 municípios selecionados, há um indicativo que aponta para a importância de ações integradas, que envolvam diferentes atores e considerem áreas específicas, no campo da segurança pública. Essa percepção se justifica porque, na medida em que a redução da exposição de jovens à violência não passa apenas pela dimensão criminal, se faz necessário aliar repressão qualificada e estratégias de prevenção local, assim como ações que promovam a inclusão social.

O desafio é, no entanto, aprofundar o conhecimento em torno de como a violência afeta a vida desse segmento da população brasileira, razão pela qual as próximas etapas do Projeto, ainda em execução, poderão fornecer um conjunto de indicações de para que intervenções planejadas se consolidem e a gestão dos projetos locais tenha condições de fomentar a eficiência democrática, a integração social e a diminuição da violência.


Sobre o Fórum Brasileiro de Segurança Pública

Foi constituído em março de 2006 como uma organização não-governamental, apartidária, e sem fins lucrativos, cujo objetivo é construir um ambiente de referência e cooperação técnica na área de atividade policial e na gestão de segurança pública em todo o País. O foco do Fórum está no aprimoramento técnico da atividade policial e da gestão de segurança pública. Por isso, avalia o planejamento e as políticas para o setor; a gestão da informação; os sistemas de comunicação e tecnologia; as práticas e procedimentos de ação; as políticas locais de prevenção; e os meios de controle interno e externo, dentre outras; sempre adotando como princípio o respeito à democracia, à legalidade e aos direitos humanos.

Veja a pesquisa completa aqui

Mais informações:
Jander Ramon
Cel.: 55 11 8205 - 2738
imprensa@forumseguranca.org.br
www.forumseguranca.org.br

6 Comentários
Considero de extrema importância este trabalho sobre a exposição de jovens àa violência,pois com este estudo poderemos identificar ou confirmar a vulnerabilidade do jovem a violência,seja no acolhimento desse jovem pelo tráfico que é uma realidade cada vez mais comum na atualidade o que dificulta a intervenção do combate a criminalidade,seja pelo comprometimento desses jovens no ato de assumir delitos que as vezes foram cometidos por adultos,é preciso sim verificarmos com cuidado cada situação envolvendo jovens ou adolescentes em conflito com a lei pois em muitos casos não todos,mas na maioria é possível identificar um jovem ou adolescente sendo inserido no mundo do crime por um adulto que se benefícia com a flexibilidade do ECA .
Este estudo não acrescenta muito, ao que muita gente já sabe e não abre discussão à pontos de prevenção, que seriam fundamentais saber, que são formas de introduzir nos jovens(que ainda estão nas escolas), um foco para ser perseguido, que envolva vida e trabalho, pois é isso que está faltando neles e é por isso (ou pela falta disso) que muitos se perdem para as drogas e marginalidade.

Vulnerabilidade existe em qualquer parte, desde que à partir da omissão e falta de monitoramento dos pais ou por conflitos conjugais, que tiram o chão debaixo dos pés dos jovens, não deixando muito para estes, um lugar mais seguro para se escorar.

Entre os pontos de uma prevenção mais eficáz, está o estudo da disciplina da Religião, mas não de forma unilateral, ou seja, aquela simplesmente passada de professor para aluno (que causa tédio), mas sim uma aula mais dinâmica, com debates sobre as passagens e também uma aplicabilidade da doutrina nos dias de hoje.

Trabalhar as famílias também é primordial para a manutenção da segurança emocional dos filhos. Para isso, deve-se colocar gratuitamente, à disposição dos casais, psicólogos e terapeutas para ajudar na solução de conflitos. A mesma medida, isto é, um psicólogo para os colégios, também para minimizar conflitos familiares, que venham a prejudicar o desempenho escolar dos filhos, que vivenciam as crises conjugais dos pais, além de favorecer o envolvimento com jovens de caráter duvidoso.

Por falar em caráter, este deve ser o principal foco dos pais, com relação à educação e futuro dos filhos. Primar pelo caráter deles, como ferramenta essencial de sociabilidade, em qualquer lugar, em qualquer idade, e não ficar preocupado apenas com a profissão que irão seguir ou com os bens que lhe serão deixados.

Se criam tantas ferramentas e artifícios para se justificar um aparente trabalho para com os jovens e no entanto, nunca se chega a lugar algum. Se criam estatísticas, indice de vulnerabilidade, apenas para mostrar o que já é sabido por todos, ou seja, que o mundo está violento e que os jovens são as maiores vítimas, tanto aqui quanto em qualquer lugar.

É isso que deixa os nossos garotos desmotivados e desestimulados: a falta de ações mais específicas e diretas, em defesa de seus ideais, de seu futuro, de uma convivência mais pacífica e harmoniosa para com seus pais, professores e colegas. O bulling é algo que ainda estão tentando definir um padrão de conduta para saber como agir. Na dúvida, chamam a polícia.

Por falar em chamar a polícia, neste caso recente em que o pai chamou a policia, por causa do filho que estava drogado e acabou morrendo justo na mão da polícia e não das drogas.
A academia de polícia que treina os policiais, não ensina também artes marciais ? E não souberam tirar uma faca da mão de um adolescente ? É o que eu sempre digo aqui mesmo no fórum, em vários comentários. Policial está estressado. Anda usando arma até pra matar inseto (NÃO ME REFERINDO AO JOVEM QUE MORREU). Cadê o treinamento que não se vê nem nos momentos mais banais do cotidiano ?

Quando quiserem realmente fazer um trabalho sério, terei o imenso prazer em colaborar. Por hora, não gosto de ficar andando em círculos.

Amadeu Epifânio
É estranho afirmar que um rapaz drogado, armado de faca, atacando e esfaqueando um policial é um momento banal do cotidiano.

Para mim a pesquisa é, sim, de grande valia. Dizer que "todo mundo já sabe" é fácil, mas é importante se mensurar e delimitar as realidades neste país tão grande.

Ações preventivas são importantes, mas devem ser realizadas prioritariamente onde mais são necessárias. Falar de inúmeros problemas de maneira genérica não ajuda na solução de absolutamente nada.
Prezado José Eduardo, diante de tantos fatos e ações de caráter mais crítico de ataques e agressões, um adolescente portando uma faca, ainda que sob efeito de drogas, sem dúvida é um caso mais simples, pois vai requerer astúcia, negociação e um possível desarme, condições estas que um policial aprende, antes de ir para as ruas.

E se eu afirmei que todo mundo já sabe, é porque não houve nada de novidade neste relato, que viesse a trazer soluções ou propostas para o problema, o que aliás foi devidamente colocado em meu comentário, subsequente ao artigo em questão.

Mensurar as realidades é algo importante sim e é por isso que não podemos ficar andando em cítculos, quando tantos jovens estão por aí, sem rumo e cometendo infrações diversas, porque não se consegue atingir o problema, onde ele se torna prioritário, na prevenção e na ressocialização.
terei o imenso prazer em debater com você essa questão, se preferir. obrigado.

Amadeu Epifânio
Caro Amadeu, minha experiência policial me demonstra que em ocorrências cada caso é um caso, portanto não dá para afirmar se os policiais no fato em Minas Gerais agiram corretamente ou não. O fato é que a Polícia Militar atende, só em São Paulo, Capital, mais de 35.000 chamados por dia, dos quais cerca de 18.000 resultam em deslocamento de viaturas, e desse montante, 80% são fatos que só dependem de registro, pois o delito já ocorreu. Dos 20% dos casos em que há o efetivo emprego da polícia, menos de 1% representam confronto físico, portanto o caso citado não é comum e nem corriqueiro.

No caso do trabalho citado, não tenho conhecimento de uma mensuração anterior nesses critérios específicos, e trouxe, sim, alguns dados que podemos considerar surpreendentes, locais considerados tranquilos pela maioria das pessoas semostraram mais vulneráveis que outros mais "famosos", exemplo disso é a Cidade de São Paulo.
Pesquisas como essa são uma ótima ferramenta para o direcionamento dos recursos para a segurança, e isso é caminhar para a frente.
Prezado Eduardo, nestes últimos 10 anos, desenvolvi um trabalho, cujo embasamento se sustenta no conhecimento do comportamento humano, diante de várias situações e perante várias faixas etárias, do infantil ao adulto; do cidadão simples ao delituoso ou criminoso, e é por isso que eu digo que estamos andando em círculos, porque estamos esquecendo de mensurar o comportamento, no seu aspecto psicológico e, em certos casos, patológico.

Se foi criado um índice de vulnerabilidade dos jovens, não pode ser apenas em decorrência de uma condiçãoi regional, mas também na condição psicológica do jovem e adolescente.

Um jovem bem instruído, também na religião, tem seu índice de vulnerabilidade, reduzido drásticamente, mesmo sendo ele, morador de áreas carentes e violenta. O que eu inisto é trabalhar nesses jovens, que presenciam e convivem próximo da violência, um ideal, uma realidade diferente e possível.

Aí tem que entrar uma parceria entre igreja, estados e municípios. Não vamos conseguir eliminar todos os pontos de venda de drogas, mas podemos tentar mudar (e acredito nisso) o conceito de vida e sobrevivência dos jovens.

Eduardo, se tem algo em que acredito e este meu trabalho tem por bandeira é que: VIVER BEM É POSSÍVEL !

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