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Costa a costa: algo faltou em Forza Coffee
Fabrizzio Bonela Dal Piero - Vitória(ES) - 01/12/2009
O trabalhar policial e militar em dupla é uma forma de ação operacionalizada pela Força de Segurança Pública que objetiva conduzir ações ostensivas no meio social. Uma das características principais do policiamento em dupla -uma forma ostensiva de ação policial é a facilidade de identificação corporativa que o profissional apresenta quando está fazendo uso de sua farda, como principal aspecto, e de materiais, acessórios e equipamentos diversos assim como de seu armamento e dos meios de locomoção, todos utilizados para a preservação da ordem pública, observando critérios táticos e técnicos variáveis assim como princípios próprios da atividade, visando à tranqüilidade e bem estar da população.

É função do trabalho policial em dupla realizar a prevenção dos crimes, contravenções penais e de violações de normas administrativas em áreas específicas, como o trânsito, meio ambiente, poluição sonora entre outras. Trata-se de uma medida preventiva e de segurança para evitar o acontecimento de delitos e de violações de normas.

Fazendo uma retrospectiva histórica a ação de soldados que operam isolados ou em pequenos grupos não é novidade. Os gregos, romanos e assírios entre outros povos antigos empregavam arqueiros para aumentar a extensão do alcance de suas tropas e para explorar o efeito surpresa dos tiros de precisão. Os exércitos europeus repartiam entre suas tropas arqueiros e balestreiros com a finalidade de promover melhores tiros de precisão durante as batalhas.

A partir do surgimento da pólvora, seguido das armas de menor porte permitiu-se que atiradores acurados (muitos originalmente caçadores) encontrassem naturalmente o seu lugar no campo de batalha. Conta-se que Leonardo da Vinci, usando uma arma projetada por ele próprio, foi franco-atirador ao lado dos florentinos que resistiam à investida do Sacro Império Romano.

As duplas profissionais de policias e militares são a menor unidade operacional que pode manter uma vantagem tática de cobertura e apoio durante a realização de ações e operações por Forças de Segurança. Além disto, têm capacidade para realizar missões mais complexas com mais facilidade do que um homem sozinho. Vale afirmar que dois homens disciplinados e bem treinados podem executar operações que muitas unidades maiores, porém, se não estão bem treinadas não conseguem. O segredo é a educação e o treinamento que promove o próprio conhecimento no nível tático e técnico da equipe.

Trabalhar em dupla, seja ostensivamente ou não, exige que os profissionais considerem alguns fatores importantes que tornam o trabalho policial em dupla seguro e dinâmico. São eles:

Cobertura e Apoio

Além do fato que um homem sozinho não pode cobrir 360 graus de uma área, uma das grandes vantagens sobre o homem só é que trabalhando em dupla você sempre tem alguém cuidando das suas costas. No caso de ser atingido ou se encontrar em uma situação arriscada simplesmente a idéia de ter um parceiro perto é bastante confortante.

Consolidação de Armas e Equipamento

Uniformidade na seleção de armas, munição e equipamento são desejáveis no trabalho de duplas para o propósito de consolidação caso seja necessário. É simples bom senso ter equipamento que seja intercambiável com seu parceiro. Por exemplo, vocês se encontram atrás de cobertura e sob fogo inimigo, e a sua munição acabou. Se você e seu parceiro usarem a mesma arma você só precisar dar lhe um sinal para ele te jogar um carregador cheio e você está pronto para continuar o embate. Até mesmo a distribuição e localização de equipamento no cinto ou colete tático podem ser importantes. Por exemplo, seu parceiro está ferido e fora de ação, você só precisa colocar a mão no lado esquerdo da fivela do cinto do parceiro para localizar outro carregador.

Disparo Coordenado

É necessário manter a unidade com objetivo de estabelecer um poder de fogo com cadência dinâmica diante de alvos agressores. A dupla deve atuar em conjunto e entender como alcançar o mais rápido possível esta vantagem de fogo direto.

Comunicação

A dupla policial além de utilizar dos diversos mecanismos de comunicação podem ainda desenvolver outras formas próprias de comunicação que podem ser úteis diante de situações que exigem respostas mais rápidas. A comunicação da unidade é essencial para que o elo de parceria não se rompa. Por isto, é dever da equipe sempre informar ao outro sobre:

QUE você está fazendo;
QUANDO você está fazendo;
COMO você está fazendo;
QUANDO você terminou.

Conforme dito, é fundamental utilizar os fatores acima mencionados para a realização de um correto serviço policial assim como também para garantir a própria segurança da unidade. É fundamental ter tudo isto sempre em mente quando se opera em dupla de modo ostensivamente com objetivo de atuar na eliminação da crença de que a oportunidade faz o ladrão. Se não existir oportunidade de delinqüir, então o crime também não existirá. Nunca será possível eliminar todas as oportunidades de delinqüir, mas pela atuação eficaz da polícia ostensiva, com policiamento ostensivo bem planejado e executado, estas podem ser extremamente minimizadas e diminuídas, muito mais pela sensação de presença, do que de efetiva presença real. O fato da presença real se caracteriza pelo contato direto da comunidade com o policial, ao passo que a potencial se dá pela sensação da presença.

Entretanto, quando algo entre a equipe não vai bem o resultado pode ser fatal. O exemplo mais atual é o caso ocorrido em 29/11/2009 em Lakewood, perto de Seattle, nos EUA quando quatro policias foram mortos dentro da cafeteria Forza Coffee quando estavam a trabalhar em um ou mais computadores. Apesar de as autoridades locais afirmarem se tratar de uma emboscada o fato é que aqueles profissionais não levaram em conta o fator cobertura e apoio no trabalho em equipe. O caso serve de exemplo de como não se deve proceder no trabalho policial e militar. O correto seria ter mantido um dos homens de prontidão oferecendo segurança para os demais que estavam desenvolvendo um trabalho de natureza técnica. O ocorrido mostra que a atividade policial ostensiva é um trabalho extremamente arriscado e perigoso em qualquer país e que para garantir e salvaguardar a vida dos profissionais educação e treinamento é fundamental.

O erro de Forza Coffee foi cometido pelos profissionais, mortos em ação, quando deixaram frouxo a prontidão e a proficiência policial e militar que se concretizou quando não permitiram que o grupo mantivesse um policial na cobertura.

2 Comentários
Parabéns pela postagem.

Um abraço.
Meu amigo,

Obrigado pela atenção.

A disposição e um grande abraço,

Fabrizzio.
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