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O Emprego de Cães de Busca e Salvamento
José Antonio Lopes Cardoso - Serra(ES) - 18/01/2010
Observa-se que nos últimos anos, principalmente a partir do atentado terrorista de 11 de setembro nos Estados Unidos, houve um incremento no emprego de cães em ações de busca e salvamento pelos órgãos de defesa social, como Corpos de Bombeiros, Polícia Militar e Defesa Civil.
A história do emprego de binômios na área de resgate descreve que "foi na Grã-Bretanha, durante a Segunda Guerra Mundial, após os bombardeios que os cães foram utilizados pela primeira vez para reencontrar as pessoas sepultadas sob escombros" (Enciclopédia do cão, 2001, p. 154).

A partir de então a atuação desses binômios em momentos de calamidades passou a ser algo habitual.
Alguns acontecimentos marcantes serviram para difundir de maneira mais incisiva a participação em atividades de resgate e localização de vítimas, destacam-se o grande terremoto na cidade do México em 1985, El Salvador (1986) e mais recentemente o terremoto na Argélia (1999) e os ataques às torres do WTC (2001), terremoto no Irã (2003) e recentemente no Japão (10/2004) em Taiwan (10/2004) (PARIZOTTO, 2004, p.03).

Os recentes eventos em Áquila no centro da Itália, em Angra do Reis no estado do Rio de janeiro e no Haiti estão demonstrando que o atendimento adequado passa obrigatoriamente pelo emprego de cães de busca e salvamento. Percebam que no Haiti quase todos os países (Estados Unidos, França, Colômbia, México, China, Japão, Portugal, entre outros) inseridos nas ações de resgate, inclusive o Brasil, empregam binômios treinados para esse fim.

Catástrofes são imprevisíveis e deixam seqüelas irreparáveis. Dado esse fator de imprevisibilidade dos desastres, seja por causa natural ou humana, o Estado brasileiro deve se preparar adequadamente para o enfrentamento dessas situações e isso passa obrigatoriamente pelo treinamento de cães. Segundo especialistas da área,
Por estar numa região onde não há ocorrência de grande magnitude como terremotos, tão pouco possui cadeias de montanhas, avalanches ou atentados, o Brasil iniciou tardiamente o uso de cães (Parizotto, 2004, p. 4).

Contudo, cabe ao país seguir o exemplo de outras nações,
O desenvolvimento de equipes cinofílicas [sic] especializadas em pesquisas de pessoas soterradas sob escombros é atualmente realizada por diversos países como a França, Estados Unidos, especialmente os estados da Califórnia e Connecticut, Grã-Bretanha, Alemanha, Áustria, Suíça, Holanda e Colômbia (ALCARRIA, 2000, p. 16).

Os cães de busca e salvamento, também denominados de cães de resgate, são normalmente divididos em duas especialidades: busca de vítimas vivas e busca de pessoas mortas. O cão treinado corretamente pode trabalhar em qualquer terreno, em subterrâneos obscuros, paralelamente ao trabalho dos bombeiros e a despeito do ruído de máquinas (gruas, bate-estacas, tratores). Buscas em estruturas colapsadas, soterramentos, regiões de mata e pesquisas aquáticas são as áreas de maior incidência de utilização de binômios de resgate.

Além de atuarem em ambientes de catástrofes, os binômios de busca de vítimas mortas podem agir em ações de investigação de crimes contra a vida. Para dar um exemplo, em 2009 a atuação de policiais da Cia de Operações com Cães do Batalhão de Missões Especiais da Polícia Militar do ES, em apoio a Polícia Civil, foi determinante nas investigações de um assassinato ocorrido na Cidade de Guarapari, região da Grande Vitória.

Através da indicação dada pelos cães foram encontradas vestígios de sangue e cartuchos de arma de fogo. Com essas informações os investigadores conseguiram elucidar alguns fatos, que teve como conseqüência a prisão de três acusados pelo crime. Dessa maneira, além de salvarem vidas, cães adequadamente treinados, podem contribuir para a prisão de criminosos também.

Por fim, cabe destacar, que as situações de grave crise requerem das instituições públicas responsáveis pelo socorro das pessoas, ações rápidas e precisas. Nesse contexto, o emprego de cães de resgate pode ser decisivo para salvar a vida de uma pessoa. Desastres, naturais ou não, são imprevisíveis, podendo ocorrer em qualquer lugar, a qualquer momento, por isso o Poder Público, sobretudo através da Polícia Militar, do Corpo de Bombeiro e da Defesa Civil, deve estar preparado para a prevenção e a mitigação do impacto causado por tais eventos extremos.

O autor é 1º Tenente da PM do Espírito Santo e especialista em treinamento de cães policiais.

Bibliografia:
ALCARRIA, Claudemir Mauro. O emprego dos cães nas operações de salvamento do Corpo de Bombeiros. 2000. Monografia (Especialização em Segurança Pública) -Polícia Militar São Paulo, São Paulo, 2000.
ENCICLOPÉDIA do cão. In: GRANDEJEAN, Dominique. França: Aniwa Publishing, 2001.
PARIZOTTO, Walter. O uso de cães pelos corpos de bombeiros. Abresc Brasil. Disponível em: http://www.abrescbrasil.com/artigos.html. Acesso em 03 de mar. 2009.

7 Comentários
Show toninho.
Valeu Capitão Dória!
Parabéns Ten pelo artigo. Com bons e conhecidos exemplos conseguiu ressaltar toda importânica e toda diferença que um cão bem treinado faz nas ações de resgate.
Tiro o chapéu, excelente matéria. Parabéns.
É com ideias e conhecimento que se constrói o futuro. Congratulações.
Parabéns pelo excelente artigo.
Trabalhei por 8 anos em canil PM e sei da importância do trabalho com cães.
Infelizmente nem todos os comandantes reconhecem ou sequer conhecem a atividade com cães de polícia, busca e ou salvamento.
Em SP o comando da PM fechou alguns canis e pelo que entendi devido aos gastos.
Realmente dá gasto, mas para isso é preciso racionalizar o uso destes valorosos companheiros.
A qualidade é o principal ítem.
Um canil de polícia ou busca e salvamento deve ter cães de qualidade.
Se tiver potencial para trabalho fica no canil.
Caso contrário vai descansar aos pés de uma senhora de 80 anos.
Gostaria de ler mais artigos sobre o emprego de cães de polícia.
O artigo: O Emprego de Cães de Busca e Salvamento escrito pelo saudoso José Antonio Lopes Cardoso - Serra(ES) - em 18/01/2010 no site (http://www2.forumseguranca.org.br/node/22940 )retrata a imagem geral do trabalho cinotécnico de forma resumida mas com muita clareza e riqueza nos acontecimentos, mesmo não citando os conterrâneos espanhóis, que estão neste ramo a algum tempo com duas ou talvez até três ONGs expressivas no ramo em tela já a um bom tempo. Mas é importante iniciativas como a deste artigo, para que seja divulgado o plano geral a todos, com o contraste da situação das Equipes com Cães de Resgate que se encontram no Brasil, sendo que alguns estados conseguem caminhar bem e outros mais lentamente, enquanto alguns se arrastam como o Rio Grande do Sul, por exemplo, pode ser que seja falta de vontade política ou institucional, mas não é falta de vontade de alguns audaciosos operadores de Cães, que não enchem uma mão o efetivo. Infelizmente os acontecimentos como as catástrofes em estados brasileiros como o de MG, SP, SC e RJ entre outros, levam aos quadros de liderança e de ordenação a verem a necessidade do uso dos bravos binômios em operações de Busca e Resgate, firmando assim um olhar mais atento as demandas e facilitações para a continuidade eficaz do devido trabalho. Vemos hoje grandes motivadores desta prestação de serviço na qual é mais que uma tarefa é uma ideologia, no qual posso citar com tranqüilidade o Capitão Parizotto e sua trupe de Santa Catarina, o pessoal de São Paulo que estão a um bom tempo nesta batalha, os guerreiros de Brasília, o “Mineirinho” Sargento Carvalho, o Soldado Gaúcho Meireles que peleia às vezes só com o “cabo do facão” para que o trabalho ande, entre muitos outros que eu poderia citar, mas coloquei aqueles que já estão a um longo tempo nesta função. Sou defensor da real técnica, o cão não pode mentir por nós, “ou é ou é”, as equipes tem que trabalharem especificamente no ramo, não quebrando o galho ou acumulando funções, muitos impasses é por falta de verba, autorizações e desentraves institucionais. A quem estiver ao alcance desta leitura, observe com olhar mais atento e opinem quando forem indagados. Alex – Bombeiro Gaúcho – alexmaragato@gmail.com
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