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Artigos

Pirotecnia Eleitoral e Segurança Pública na Bahia
Antonio Mateus de Carvalho Soares - Salvador(BA) - 24/02/2010

Responsável por efeitos especiais chamativos, a pirotecnia bastante utilizada na indústria do entretenimento, também se apresenta como um recurso de recorrência constante nas práticas e ações dos pré-candidatos e partidos eleitorais. Quando não se faz contorcionismos para aparecer sempre ao lado dos possíveis elegíveis para o executivo nacional, se gastam fábulas em dinheiro para ter seu nome associado há eventos culturais de grande peso midiático, como aconteceu em nosso último carnaval. Como se não bastasse as habituas estratégias de campanha eleitorais persuasivas, agora se produz efeitos de cenas e projeção numérica.
Aos que passaram no inicio esta semana, na avenida paralela da capital baiana, tal efeito de cena ficou claro. As dezenas e dezenas de viaturas que ali estavam, com suas luzes ligadas em sinal de alertar, não tinham outra função, a não ser a de fazer notar os novos investimentos para a segurança pública. Simultaneamente ao demonstrar a aquisição, se "gritava" de forma silenciosa e propositada: "estamos no caminho certo, vote em nós, iremos continuar a reverter os altos índices de violências e criminalidade na cidade de Salvador e no interior o Estado".
O efeito das viaturas enfileiradas, a pirotecnia de proximidade, parece ter sido surpreendente, é uma pena que daqui alguns meses muitas delas se transformaram em sucata, pois ainda há um contingente expressivo, principalmente no interior de policiais que não têm habilitação e não foram conscientizados do bom uso do equipamento público. Não só de viaturas, como também de computadores e outras formas de tecnologias. Mas a questão que remetemos aqui, não tem foco no policial enquanto sujeito, pois este, sofre a espoliação humana de se integrar a uma corporação que lamentavelmente, por mais que se tenha feito esforços, ainda não se encontrou como uma corporação, portadora de identidade e função política e cívica.
Não há dúvidas que para as eleições deste ano, o principal tema da plataforma política eleitoral seja a segurança pública e o combate a violência. Não vai faltar projetos estapafúrdios, a exemplo do big brother nos bairros, ou de aquisição de catracas automáticas e monitoramento controlado de escolas públicas e ruas. A segurança pública, por nos fazer muita falta, é a que mais se mostrará presente nos discursos eleitorais, e aqui vale lembrar que o discurso eleitoral não é o mesmo discurso da efetividade política. Além disto, este tema será o mais batido, porque se sabe que na sociedade contemporânea, as pessoas são marcadas pelo medo, e este medo gera uma constante sensação de risco, perigo e incertezas.
A opinião pública baiana, sem classificação divisória de classe social, almeja uma segurança pública que transcenda a retórica e os efeitos de cena, e sabe que esta superação é de função governamental, que tem como responsabilidade garantir a proteção dos cidadãos e das organizações e instituições privadas e públicas. Função que não se efetivará, apenas com as pirotecnias eleitorais.

Antonio Mateus de Carvalho Soares
Sociólogo, doutorando em Ciências Sociais, pesquisador da temática
E-mail: antoniomateuscs@gmail.com

1 Comentários
Apresentar mazelas e distorções na condução da coisa pública -assim como sua defesa tardia e de pouca substância do fato -sempre rendeu dividendos políticos para ambos os lados da disputa eleitoral. Como a bola da vez agora é Segurança Pública, nada mais proveitoso que explorar politicamente desacertos de um lado e medidas artificiais insipientes de outro.
A partir desta visão, o fundo da questão jamais entra nos debates. É contraproducente quando o interesse prioritário é o voto.
Por outro lado, a inércia popular, o descaso social com a responsabilidade pós voto, faculta o aparecimento da discussão deste assunto apenas de quatro em quatro anos. Não fosse assim, dificilmente haveria reeleição ou outros encaminhamentos sucessórios do poder.
Parabéns pela abordagem.
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