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Onde Foi Que Eu Errei?
Nelson José S. Nascimento - Aracaju(SE) - 09/03/2010
É preocupante o alheamento e o desinteresse da sociedade brasileira em face do problema alarmante do consumo de drogas. Mesmo em que pese o fato de o fenômeno estar arruinando e matando nossas crianças e adolescentes, as respostas sociais são insatisfatórias ou de pouca envergadura.
Acredito que a causa deste descontrole tenha raízes no relaxamento dos princípios da boa administração familiar, na falta de diálogo no lar.
Vejo com pesar que a televisão - principalmente a de sinal aberto -, com seu apelo eminentemente comercial, pornográfico e destituído de valores éticos, de uns tempos para cá constituiu-se na principal mentora educacional dos filhos das novas gerações. Cotidianamente, sua programação insipiente impõe patéticos padrões morais de comportamento e arquétipos incoerentes de cidadania, deformando opiniões e conceitos amplamente sedimentados no meio social.
Aliado a este depauperamento cultural e educativo da mídia televisiva, encontra-se o lado negativo da rede mundial de computadores, a Internet. Como território livre para disseminação de idéias e informações gerais, esta nova ferramenta acumula e faz circular muito lixo e material inservível em suas páginas. Até mesmo apologias acintosas ao consumo de drogas e métodos de burlar a legislação são encontrados aos borbotões.
Agravando ainda mais esta situação, pais geralmente ausentes, não se preocupam como deveriam com a orientação da vida dos filhos. Muitas mães modernas, em nome da independência a qualquer custo, consagram-se à busca desenfreada da eficiência financeira e econômica, com intuito único de sobrepujar a posição do marido. Alguns pais, desafiados e acuados por esse e outros fantasmas das imposições sociais, embrenham-se numa competição desumana para provarem-se mantenedores absolutos da casa. Obedecendo a conceitos e critérios previamente adquiridos, o casal não suporta a idéia de auxílio mútuo na construção de um futuro comum. Prefere imitar no lar, mesmo com todas as vicissitudes e idiossincrasias inerentes, o ringue da disputa selvagem do mercado de trabalho.
Neste frenesi, importam-se cada vez menos com a gerência da educação e da saúde física e social familiar. Enquanto a contenda pela hierarquia funcional se desenvolve, os filhos são criados e educados conforme o cabedal cultural, intelectual e educacional de uma babá, cuja melhor avaliação de conduta é a informação prestada pela agência fornecedora desse tipo de mão de obra.
Não obstante e para dar mais liberdade ao pugilato doméstico, ainda em tenra idade, as crianças são enfurnadas em creches de tempo integral. Quando mais crescidinhos, tornam-se internos compulsórios em enfadonhas escolas de mesma modalidade. Nenhuma delas tem a competência e o dever de edificar os predicados familiares, os alicerces do caráter, da ética e dos bons costumes. Tais parâmetros são consolidados apenas em sadio convívio familiar. Isso seria tarefa para os pais, que infelizmente estão presentes apenas no ringue.
De outro lado, núcleos familiares menos afortunados, enfrentam dilema diverso, todavia de igual potencial pernicioso para a constituição do temperamento dos descendentes. A mãe, comumente rejeitada pelo pai de seus filhos, se vê na contingência de cumprir concomitante os dois papéis. Invariavelmente de extração humilde e de poucos recursos educacionais, não encontra outra saída senão deixar os filhos sozinhos, jogados à própria sorte, ou, na melhor das hipóteses, em companhia de pessoa igual situação, enquanto parte, solitária, em busca do sustento diário da casa. Suas crianças, se matriculadas em escola pública de ensino duvidoso, sofrem do mesmo desamparo afetivo e formativo que aqueles de famílias mais abastadas.
No fim, isto serve apenas para provar a fragilidade comum que permeia a realidade de ambas as famílias. Tanto o filho do rico quanto o do pobre compartilham do mesmo descaso nuclear, sujeitos, um e outro, ao provável caminho das drogas. A falta de referência -ou o excesso delas -confunde e deixa o jovem à mercê desse apelo.
No que tange às oportunidades comuns, não importa se o colégio tenha ou não portão com grades e seguranças à porta. Não importa se portas e janelas são gradeadas. Não importa se há sistemas sofisticados de proteção e vigilância. Não importa a condição financeira ou social do grupo familiar. Não importa! A droga, de qualquer modo, entrará pela porta da frente em qualquer estabelecimento escolar ou lar.
No caso de infestação em escola, a culpa é sempre da polícia e da direção da unidade, que não fizeram corretamente o dever de casa. Porém, este entendimento não se aplica quando a assolação ocorre em residência, onde o problema é eminentemente dos pais que negligenciaram também suas tarefas. No fundo, remanesce a desculpa recorrente e esfarrapada de sempre: falta de tempo para conviver, dialogar e transmitir valores aos filhos.
Entretanto, as semelhanças existentes param aí. As famílias de melhores condições materiais minoram sensivelmente os efeitos desmoralizantes que o entorpecente causa em sua seara. Despendem recursos financeiros consideráveis para cobrir os custos de tratamento particular de desintoxicação e participam ativamente de campanhas pela legalização das drogas.
Por outro lado, o filho viciado daquela mãe pobre, que não conta com os meios públicos de auxílio necessários nesse sentido, se vê na condição de visitar o filho numa unidade manicomial ou num instituto penal, dividindo cela com delinqüentes da pior espécie.
Mas, nada disso interessa a você, indiferente leitor. O mais importante é sua ascensão política e funcional; a performance eleitoral do seu candidato nas próximas eleições e a posição do seu time no campeonato. Nada do que foi dito faz o menor sentido para você; causa-lhe a mínima preocupação. Você supostamente vive num mundo onde não há miséria, pobreza, preconceito, desigualdade social, violência e nem drogas. Então para quê se preocupar com esse tipo de coisa? A vida é bela! Aliás, isto não é problema seu e sim do governo. Não é mesmo?
Resta apenas uma questão insidiosa. Essa comodidade de espírito será abalada no instante em que a droga se instalar em sua casa, entrando pela porta da frente. Sim, porque ela não pula muro com cerca elétrica; não arromba portas ou janelas gradeadas; não desliga alarmes ou sistemas de câmeras para se apoderar da sua família. A droga vai freqüentar os melhores cômodos do seu lar, introduzida na bolsa de sua filha ou na mochila do seu filho. E você, com toda certeza, será o responsável por abrir a porta principal para que ela entre na vida deles. Pois, neste exato momento, mediante sua omissão egoísta, sua falta de diálogo e sua conduta competitiva acima do normal, você está desligando o alarme da moral, a cerca elétrica dos bons costumes e a câmera da decência. Como saldo, subsistirá tão somente a angústia provocada pela pergunta inquietante, mas tardia: "onde foi que eu errei?"
Acredito que a causa deste descontrole tenha raízes no relaxamento dos princípios da boa administração familiar, na falta de diálogo no lar.
Vejo com pesar que a televisão - principalmente a de sinal aberto -, com seu apelo eminentemente comercial, pornográfico e destituído de valores éticos, de uns tempos para cá constituiu-se na principal mentora educacional dos filhos das novas gerações. Cotidianamente, sua programação insipiente impõe patéticos padrões morais de comportamento e arquétipos incoerentes de cidadania, deformando opiniões e conceitos amplamente sedimentados no meio social.
Aliado a este depauperamento cultural e educativo da mídia televisiva, encontra-se o lado negativo da rede mundial de computadores, a Internet. Como território livre para disseminação de idéias e informações gerais, esta nova ferramenta acumula e faz circular muito lixo e material inservível em suas páginas. Até mesmo apologias acintosas ao consumo de drogas e métodos de burlar a legislação são encontrados aos borbotões.
Agravando ainda mais esta situação, pais geralmente ausentes, não se preocupam como deveriam com a orientação da vida dos filhos. Muitas mães modernas, em nome da independência a qualquer custo, consagram-se à busca desenfreada da eficiência financeira e econômica, com intuito único de sobrepujar a posição do marido. Alguns pais, desafiados e acuados por esse e outros fantasmas das imposições sociais, embrenham-se numa competição desumana para provarem-se mantenedores absolutos da casa. Obedecendo a conceitos e critérios previamente adquiridos, o casal não suporta a idéia de auxílio mútuo na construção de um futuro comum. Prefere imitar no lar, mesmo com todas as vicissitudes e idiossincrasias inerentes, o ringue da disputa selvagem do mercado de trabalho.
Neste frenesi, importam-se cada vez menos com a gerência da educação e da saúde física e social familiar. Enquanto a contenda pela hierarquia funcional se desenvolve, os filhos são criados e educados conforme o cabedal cultural, intelectual e educacional de uma babá, cuja melhor avaliação de conduta é a informação prestada pela agência fornecedora desse tipo de mão de obra.
Não obstante e para dar mais liberdade ao pugilato doméstico, ainda em tenra idade, as crianças são enfurnadas em creches de tempo integral. Quando mais crescidinhos, tornam-se internos compulsórios em enfadonhas escolas de mesma modalidade. Nenhuma delas tem a competência e o dever de edificar os predicados familiares, os alicerces do caráter, da ética e dos bons costumes. Tais parâmetros são consolidados apenas em sadio convívio familiar. Isso seria tarefa para os pais, que infelizmente estão presentes apenas no ringue.
De outro lado, núcleos familiares menos afortunados, enfrentam dilema diverso, todavia de igual potencial pernicioso para a constituição do temperamento dos descendentes. A mãe, comumente rejeitada pelo pai de seus filhos, se vê na contingência de cumprir concomitante os dois papéis. Invariavelmente de extração humilde e de poucos recursos educacionais, não encontra outra saída senão deixar os filhos sozinhos, jogados à própria sorte, ou, na melhor das hipóteses, em companhia de pessoa igual situação, enquanto parte, solitária, em busca do sustento diário da casa. Suas crianças, se matriculadas em escola pública de ensino duvidoso, sofrem do mesmo desamparo afetivo e formativo que aqueles de famílias mais abastadas.
No fim, isto serve apenas para provar a fragilidade comum que permeia a realidade de ambas as famílias. Tanto o filho do rico quanto o do pobre compartilham do mesmo descaso nuclear, sujeitos, um e outro, ao provável caminho das drogas. A falta de referência -ou o excesso delas -confunde e deixa o jovem à mercê desse apelo.
No que tange às oportunidades comuns, não importa se o colégio tenha ou não portão com grades e seguranças à porta. Não importa se portas e janelas são gradeadas. Não importa se há sistemas sofisticados de proteção e vigilância. Não importa a condição financeira ou social do grupo familiar. Não importa! A droga, de qualquer modo, entrará pela porta da frente em qualquer estabelecimento escolar ou lar.
No caso de infestação em escola, a culpa é sempre da polícia e da direção da unidade, que não fizeram corretamente o dever de casa. Porém, este entendimento não se aplica quando a assolação ocorre em residência, onde o problema é eminentemente dos pais que negligenciaram também suas tarefas. No fundo, remanesce a desculpa recorrente e esfarrapada de sempre: falta de tempo para conviver, dialogar e transmitir valores aos filhos.
Entretanto, as semelhanças existentes param aí. As famílias de melhores condições materiais minoram sensivelmente os efeitos desmoralizantes que o entorpecente causa em sua seara. Despendem recursos financeiros consideráveis para cobrir os custos de tratamento particular de desintoxicação e participam ativamente de campanhas pela legalização das drogas.
Por outro lado, o filho viciado daquela mãe pobre, que não conta com os meios públicos de auxílio necessários nesse sentido, se vê na condição de visitar o filho numa unidade manicomial ou num instituto penal, dividindo cela com delinqüentes da pior espécie.
Mas, nada disso interessa a você, indiferente leitor. O mais importante é sua ascensão política e funcional; a performance eleitoral do seu candidato nas próximas eleições e a posição do seu time no campeonato. Nada do que foi dito faz o menor sentido para você; causa-lhe a mínima preocupação. Você supostamente vive num mundo onde não há miséria, pobreza, preconceito, desigualdade social, violência e nem drogas. Então para quê se preocupar com esse tipo de coisa? A vida é bela! Aliás, isto não é problema seu e sim do governo. Não é mesmo?
Resta apenas uma questão insidiosa. Essa comodidade de espírito será abalada no instante em que a droga se instalar em sua casa, entrando pela porta da frente. Sim, porque ela não pula muro com cerca elétrica; não arromba portas ou janelas gradeadas; não desliga alarmes ou sistemas de câmeras para se apoderar da sua família. A droga vai freqüentar os melhores cômodos do seu lar, introduzida na bolsa de sua filha ou na mochila do seu filho. E você, com toda certeza, será o responsável por abrir a porta principal para que ela entre na vida deles. Pois, neste exato momento, mediante sua omissão egoísta, sua falta de diálogo e sua conduta competitiva acima do normal, você está desligando o alarme da moral, a cerca elétrica dos bons costumes e a câmera da decência. Como saldo, subsistirá tão somente a angústia provocada pela pergunta inquietante, mas tardia: "onde foi que eu errei?"
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Já é bastante difícil educar os filhos em condições normais, isto é, quando os pais realmente são comprometidos com a vida dos filhos, mesmo diante da influência pesada de um mundo globalizado e cheia de entretenimentos tecnológicos e eletrônicos. Este cenário externo vive um constante "cabo-de-guerra" com os pais, mas infelizmente estes estão sendo vencidos, permitindo a presença dos filhos mais do lado de fora do que dentro do seio da família.
Quando mencionamos a expressão "diálogo", que mais parece deixar os pais perplexos, sem realmente saber o significado desta palavra na prática, Diálogo significa monitoramento das idéias que rolam na cabeça dos filhos, bem como também, a parte que trata das devidas correções que por ventura se apresentarem de forma distorcidas com a realidade e a forma de vida de cada família.
Como não existe um padrão de família ideal e perfeita, o que nos resta é tentar nos adequar à um modêlo que sirva de referência para os filhos, quanto a relevarem essa característica, sempre que estiverem em situações ou momentos, onde uma escolha pode significar uma mudança de rumo drástico, no caso de uma escolha mal feita.
Devemos usar o comportamento (e temperamento) dos filhos, como um termômetro à saber como anda a vida pessoal deles.
Eu costumo dizer que, sabemos se nossos filhos tem problemas, pelo tipo de namorados que eles arrumam. Isso, com certeza, é reflexo do ambiente e da convivência familiar. Pode apostar.
Se não gostou do(a) namorado(a), não adianta proibir ou condenar. É preciso trabalhar e corrigir os conceitos que os filhos estão tendo, de família, dos pais e da própria vida de uma forma geral. Insatisfações são sempre compensadas pela mente, através do nosso mecanismo de defesa, cujaa função é promover o equilíbrio do nosso aparelho psiquico, para manter a "máquina" funcionando, objetivando a própria subsistência.
A diferença está no que cada um de nós têm ou absorveu de cultura, que servirá como opção e resposta, para resolver ou compensar nossas frustrações, decepções, sofrimentos, raivas e outros sentimentos.
Cultura e valores são como nossos sistemas operacionais (assim como os computadores) e a idéias, costumes, hábitos, preferências diversas, caprichos, manias e pensamentos, são como os programas que instalamos para o nosso uso diário. Alguns deles podem atrair "vírus" que podem danificar ou "travar" o nosso sistema. Isso para nós adultos. Imagine só as porcarias que nossos filhos captam por aí, todos os dias e põem na cabeça deles pra "rodar". Aí é que entra aquela palavrinha mágica, chamada Diálogo, que vai servir para eles, como um potente antivírus, sem bem aplicado.
A questão da educação familiar - e seus princípios - vem sendo solapada há muito tempo. O diálogo deu lugar a presentes tecnológicos; a presença paterna, a mimos descabidos; o cumprimento dos deveres familiares, a voluntarismos dos filhos.
É certo que os modismo sempre estiveram presentes desde que o mundo é mundo. Não fosse assim a humanidade não evoluiria. Mas, abandonar hoje certas obrigações fundamentais do núcleo familiar é condenar a sociedade a um futuro incerto e nebuloso.
Notavelmente acertada a metáfora do último parágrafo. Serve perfeitamente para reflexão de pais modernosos.
Quando procuramos culpados é fácil apontar o dedo para a família. Na verdade, a base familiar é uma das ferramentas mais importantes na prevenção às drogas. Os pais e os demais familiares tem papel fundamental na formação das crianças e dos adolescentes. Mas, contra quem eles lutam? Contra uma mídia que valoriza o supérfluo e o amoral? Contra um sistema econômico que impede a satisfação dos direitos fundamentais da criança? Contra um sistema de ensino arcáico e anacrônico que não esclarece e não contribui para a formação de cidadania? Afinal, contra que ou contra quem a família deve lutar para manter seus filhos livres do assédio do tráfico? Quem sabe, mesmo se esse universo fosse amplo, seria mais fácil e teria maiores possibilidades se o estado fizesse sua parte, controlando as fronteiras, impedindo o domínio das comunidades pelos traficantes, prestando serviços de educação de qualidade, incentivando a produção e a veiculação de programação de nível para nossos jovens, e principalmente, possibilitando condições para que os pais de família tivessem trabalho e salário para manter suas famílias com dignidade.
Abs
Acredito que todos os esforços - por menores e mais insignificantes que pareçam - no sentido de compreender e debater o fenômeno das drogas, contribuem consideravelmente para construir o caminho da solução.
É a repetição da fábula do colibri e o incêndio na floresta. Se cada um de nós fizer a sua parte, o problema se resolve por si só.
Obrigado.