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Uma CrÃtica da Realidade da PolÃcia
Ivenio Hermes - Rio de Janeiro(RJ) - 24/04/2012
Fatos que a Sociedade Ainda Presencia
Na nossa democracia indireta, onde o povo participa, porém através do voto, elegendo seus representantes que tomam decisões em nome daqueles que os elegeram, é muito difícil estabelecer o que realmente o povo quer e precisa e o que seus representantes dizem que eles querem.
Nessa democracia conhecida como Democracia Representativa nem sempre as demandas que as polícias recebem são realmente a vontade do povo.
Extraímos do filme “Tropa de Elite” situações do mau uso da democracia. Vemos isso muito bem caracterizado em diversos momentos, dos quais destaco dois:
1. O comandante exige que seus policiais recolham o “arrego” (propina) que é usada para se manter no comando e auxiliar na campanha política de um determinado político. Quem vai eleger esse político? O povo ou a propaganda custeada pelo jogo do bicho que manipula a opinião pública?
2. Outro momento interessante é quando os alunos fazem uma passeata para criticar a ação da polícia, os mesmos alunos que usam drogas, traficam, geram dinheiro para o traficante que se fortalece, “prestam” ajuda comunitária aos carentes e em troca disso pedem voto para o político que os apoia. Quem vai eleger esse político? O povo ou a propaganda feita pelos mesmos que ajudam a manter o tráfico fortalecido, bem armado e com um bom status dentro da comunidade?

No meio disso tudo está a polícia, usada como massa de manobra para promover ações que os políticos e os detentores do poder exigem.
No filme, a polícia precisa “pacificar” umas favelas, pois o Papa vai visitar o Brasil e tudo tem que estar perfeito. Na nossa realidade atual, toda uma sociedade precisa ser manipulada para que nos próximos grandes eventos esportivos, a serem realizados nesta e naquela cidade, tudo pareça bem.
2 Sociedade, polícia e eleições.
Com a sociedade acreditando naquilo que os detentores do poder querem, há grandes garantias de votos nas eleições e a consequente a utilização ou manutenção de certos gestores comprometidos no poder.
A polícia quer fazer o que é correto, agir com decência, honestidade, manter as viaturas em bom estado de conservação para realizar seu trabalho, fazer estatísticas criminais para poder direcionar ações para aquelas áreas afetadas pelo crime.
Entretanto, o sistema corrompido desvia o dinheiro que geraria bons salários, equipamentos, viaturas conservadas, renovação e ampliação do quadro efetivo de policiais e outras coisas mais, sem esquecer a parte de inteligência policial.
O papel dos gestores e profissionais de segurança pública é acima de tudo mudar o quadro acima para poder oferecer bons serviços para a população.
Eles devem e precisam fazer valer todas as nuances determinadas no artigo da Constituição Federal:
Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade... (Art. 5º CF/88 Caput).
3 Gestores, polícia e atitudes.
Mas os profissionais da segurança pública têm que lutar por aquilo que é dever do Estado lhes dar: oferecer melhores salários, melhor qualidade de vida no trabalho, uma mudança no conceito que as minorias têm de que a polícia é completamente corrupta e só serve para espancar e matar.
Essa missão abrange a tarefa árdua de agir para a manutenção da lei e ainda tentar conscientizar seus representantes, chefes, gestores e a sociedade de, que sem as condições corretas de trabalho, diminuirá a perspectiva de a polícia ter legítimos profissionais e aumentará as chances de proliferar amadores, amantes apenas do salário e do status e prestadores de um serviço de mera aparência.
Por enquanto, quando surgem bons profissionais, que fazem realmente um trabalho de qualidade e com profissionalismo, é devido aos frutos do esforço próprio desses policiais e de alguns chefes que atingiram o nível necessário para entender o que é preciso para cumprir o verdadeiro papel de profissionais de segurança pública.
REFERÊNCIA:
Tropa de Elite é um filme brasileiro de 2007, dirigido por José Padilha, que tem como tema a violência urbana na cidade brasileira do Rio de Janeiro e as ações do Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE) e da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro. http://pt.wikipedia.org/wiki/Tropa_de_Elite
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Ivenio Hermes Jr
“Vincit omnia veritas!”
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